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Cooperação para combate a incêndios é urgente
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Cooperação para combate a incêndios é urgente

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Nacional

2018-02-24 às 06h00

Patrícia Sousa

Assembleia-Geral do Eixo Atlântico realizou-se, ontem, na cidade da Maia. A cooperação entre Portugal e Espanha no combate a incêndios foi um dos temas discutidos, bem como o plano de acção da agenda urbana.

A cooperação entre Portugal e Espanha no combate a incêndios é urgente, desafiou, ontem, o secretário-geral do Eixo Atlântico, Xoan Mao, admitindo, no entanto, que a criação de um centro conjunto coordenador das emergências não poderá estar no terreno este ano. Há anos que é pedida uma unidade central coordenadora de emergências, mas esta não é uma matéria de dias. Não queremos que, por correr, se estrague uma oportunidade num território que é muito sensível aos incêndios, esclareceu Xoan Mao, após a assembleia-geral do Eixo Atlântico, que decorreu na cidade da Maia, e contou com a presença do ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes.
O também secretário-geral da Rede Ibérica de Entidades Transfronteiriças (RIET) começou por defender que os incêndios afectam a vida das pessoas, a economia e o ambiente. É essencial prevenir, fazer uma política florestal e criar medidas. E Xoan Mao assumiu: temos de ter mecanismos de resposta. Tanto pela atitude do Governo português, quer pelo que aconteceu no ano passado, quer pelo facto de ser o ministro Eduardo Cabrita a tratar disso, sendo que ele é-nos muito próximo, temos as melhores expectativas, mas não acredito que o centro esteja pronto este ano.

Em resposta, o ministro do Ambiente defendeu a importância de uma maior cooperação entre os dois países. E João Pedro Matos Fernandes foi mais longe: temos de trabalhar em conjunto e existe aqui uma grande cooperação. A existência de políticas de prevenção de fundo contra os incêndios merece ser explorada.
Sobre a questão ambiental, um dos temas que esteve em cima da mesa na reunião magna daquela estrutura transfronteiriça, o ministro admitiu que se não se alterarem os hábitos de cada um isso conduzirá a uma situação insuportável, até porque a terra aguenta-se, o homem é que não se conseguirá salvar. E o ministro foi peremptório: o mundo ainda não mudou e a situação só vai melhorar quando tudo for desenvolvido para durar mais tempo, ser reparado e reciclado.

O ministro do Ambiente disse ainda que o protocolo que existe entre Portugal e Espanha sobre questões de impacto ambiental é muito feliz mas tem sido cumprido de forma insuficiente.
Parece-me claro que existindo um protocolo muito feliz, tanto na sua formulação como nos seus propósitos, (...) só posso dizer que tem sido cumprido de forma insuficiente. Temos de ir mais longe do que aquilo que temos ido no passado, adiantou o ministro quando questionado sobre se o Governo português tem novidades sobre o projecto da mina de urânio de Retortillo, Espanha, a cerca de 40 quilómetros da fronteira portuguesa (ver caixa ao lado). O ministro assegurou que aguarda a marcação de uma reunião com a sua homologa espanhola.

Ontem, na assembleia-geral do Eixo Atlântico, também foi dada a conhecer a Agenda Urbana para a Euro-região Galiza-Norte de Portugal, a primeira transfronteiriça da União Europeia. O secretártio-geral do Eixo Atlântico, Xoan Mao, descreveu a agenda como um instrumento de planificação sobre o conceito de pensar em global e actuar em local, evidenciando o facto que esta agenda urbana foi debatida com mais de 400 agentes económicos, sociais, culturais e políticos da Euro-região.
Na mesma linha, o actual presidente do Eixo Atlântico, Alfredo García, autarca de O Barco de Valdeorras, concelho da província de Ourense, Espanha, destacou que esta agenda é a primeira da Europa, porque o Norte de Portugal e a Galiza estão a saber fazer os seus deveres de casa.

Ainda sobre os incêndios, o presidente daquela estrutura transfronteiriça defendeu que é necessário estabelecer uma coordenação e vínculos entre serviços de emergência, porque os fogos não têm fronteiras e o Eixo Atlântico pode ter um papel imprescindível e fundamental nessa área. E o presidente foi mais longe: estamos a trabalhar no sentido certo e a planificar cidades do futuro, mas para isso precisamos que os fundos sejam direccionados.
Sobre o caminho de Santiago, Alfredo García deixou o desejo de no próximo Jacobeo esteja tudo pronto, acreditando que este seja um tema prioritário para o Governo português.

Já o anfitrião da reunião magna, Silva Tiago, assegurou que se vive um clima de confiança e coesão que demonstra a política democrática que permitiu ao Eixo Atlântico arrepiar caminho em várias áreas. Mas a grande conquista do Eixo Atlântico foi a abertura ao diálogo. É preciso aprofundar a cooperação neste espaço transfronteiriço para o futuro da sustentabilidade integral, sublinhou o presidente da Câmara Municipal da Maia, admitindo que há aqui um desafio comum no âmbito da sustentabilidade ambiental, económica e social que é um desafio sem fronteiras. E Silva Tiago lançou o repto: cada comunidade que faz parte deste espaço transfronteiriço pode avaliar o interesse de partilhar o ousado projecto do termos cá o melhor centro peninsular de desenvolvimento de inteligência artificial. Já temos local, as dimensões adequadas e uma equipa competente.

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