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Casebre esconde vida de miséria em Celeirós
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Casebre esconde vida de miséria em Celeirós

Casos do Dia

2010-03-21 às 06h00

Teresa M. Costa Teresa M. Costa

Na Calçada de Trezeste, em Celeirós, subsiste um caso de miséria. Manuel Costa Oliveira vive num casebre sem condições, situação agravada por uma queda que sofreu há dias e que o atirou para a cama, sob um telhado, prestes a desabar.

É na casa onde nasceu, há 51 anos, que Manuel Costa Oliveira ainda vive na Calçada de Trezeste, em Celeirós, concelho de Braga, mas sem as mínimas condições e sozinho.
A situação já precária deste homem agravou-se com uma queda que sofreu há duas semanas que o atirou para a cama com lesões nas costelas e clavícula, entre outras escoriações.

Manuel Costa Oliveira caiu do cimo das escadas de acesso ao casebre onde vive, na noite de quinta-feira, mas só no sábado foi levado à Urgência do hospital de Braga.
Manuel Oliveira até tem telemóvel, apesar de viver sem luz eléctrica, mas estava sem bateria quando caiu. Por isso, não teve como pedir ajuda e arrastou-se até à cama onde ficou até ser encontrado por um amigo, dois dias depois.

Do hospital, foi mandado para casa, no mesmo dia, com medicamentos prescritos e uma consulta marcada para Ortopedia no próximo dia 7 de Abril.
Trouxe ainda uma nota de débito de 19,90 euros das taxas moderadoras correspondentes ao episódio de urgência, apesar de se enquadrar no regime de isenção por estar reformado por invalidez.
Recebe uma pensão de 246,36 euros, disse ao ‘Correio do Minho’, que desconta na mercearia local.

A viver sozinho, desde que caiu, tem passado os dias deitado, debaixo de um guarda-chuva que é o único abrigo em dias de chuva, já que o telhado deixa passar chuva e frio.
Uma das traves que suporta o telhado está presa com arames e não se percebe como resistiu às recentes intempéries.

A luz da vela não chega para iluminar e, muito menos, para aquecer o velho casebre, onde falta tudo, incluindo água e casa de banho.
É uma casa alugada, por alguns cêntimos, mas foi sempre o ‘lar’ deste homem.
Manuel Costa Oliveira é o mais novo. Tem seis irmãs, mas a vida toda viveram de costas voltadas.
“Sempre disse que não precisava das irmãs” conta uma delas, admitindo que o irmão “tem um feitio e que ninguém se entende com ele”.

A queda e os ferimentos que sofreu, de certa forma, até o aproximaram de algumas irmãs. Uma delas, que é vizinha de Manuel, é quem lhe traz a comida e o ajuda com a roupa de há uns tempos para cá. Antes era também ele que tratava da sua roupa.
Conta também com um amigo que o ajuda. “Por esmola” desabafa.

Manuel chegou a ter uma companheira, mas morreu há mais de dez anos. Nunca teve filhos.
Mesmo agora, ferido e sem força sequer para comer, Manuel não pede ajuda, mas reconhece que ela seria benvinda para arranjar o telhado e melhorar as condições da casa até porque os 246,36 euros da reforma só dão para remediar no dia-a-dia.
A Calçada de Trezeste é um acesso difícil, mesmo para chegar uma ambulância. Aí subsiste uma situação de miséria que continua a ser ignorada.

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