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Braga, terça-feira

Carta Pastoral reflecte sobre o desporto como escola e missão de humanidade
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Carta Pastoral reflecte sobre o desporto como escola e missão de humanidade

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Desporto

2018-07-20 às 06h00

Joana Russo Belo

Arcebispo Primaz, D. Jorge Ortiga, apresentou a Carta Pastoral ‘Desporto: escola e missão de humanidade’, documento que pretende dar um contributo positivo à realidade actual. Desafio abrange a solidariedade, ética, reflexão e encontro com a alma.

O desporto como escola e missão de humanidade. De transmissão de valores, de ética, de arte, num encontro com a alma, com o outro, que vai mais além do que se vê dentro das quatro linhas, nos pavilhões, ringues ou pistas. É este o desafio de reflexão proposto por D. Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz de Braga, na Carta Pastoral ‘Desporto: escola e missão de humanidade’ apresentada, ontem, na presença de vários representantes da área desportiva, entre eles, Sameiro Araújo (vereadora do Desporto), António Salvador (presidente do SC Braga), Júlio Mendes (presidente do Vitória SC), Manuel Machado (presidente da AF Braga), Vítor Dias (director do IPDJ), António Campos (presidente do Rio Ave) e Armando Silva (presidente do Desp. Aves).

Perante “os sintomas de anomalias” que reclamam “um modo diferente” de praticar o desporto, D. Jorge Ortiga explicou ter sido impelido por “um conjunto de coincidências, não só o facto de Braga ser Cidade Europeia do Desporto, como também o Campeonato do Mundo de Futebol”, mas também pelo documento da Santa Sé, com introdução do Papa Francisco, da autoria do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida - ‘Dar o melhor de si’, que “veio confirmar o que já tinha estruturado e ajudar nesta elaboração”.
“Este título é muito significativo, porque o desporto tem de ser interpretado numa busca e desejo de darmos o melhor. Quem pratica desporto tem de dar o melhor de si na prática, mas o grande desafio é que também dê o melhor de si na vida, dar um passo em frente para dar o melhor de si como homem e pessoa”, sublinhou.

Lembrando que o “desporto esvazia-se” “numa verdadeira selva”, o Arcebispo dá conta de uma realidade em que “há sintomas e anomalias” que urge combater e “purificar”: “uma delas a violência, por exemplo, a corrida desenfreada ao dinheiro, um certo racismo, anomalias nos adeptos e claques, que deviam promover um sentido de festa e alegria em vez de promovem actos de violência, e até anomalias na comunicação social, que está a trazer demasiado o desporto para fora dos estádios. É necessário um clima de maior paz, entendimento, até entre os próprios dirigentes”.
Numa mensagem que mostra ainda os atletas, dirigentes e responsáveis desportivos “como referências numa missão de formadores e educadores”, D. Jorge Ortiga apela ainda “à caridade” que “o cristianismo deve oferecer ao desporto”.

“O desporto, particularmente o futebol, movimenta milhões e milhões, concentrados apenas em algumas pessoas e era bom que estas pessoas, que são modelo e referência na sociedade, pudessem, efectivamente, partilhar e pôr em comum com pessoas com mais necessidades, causas, instituições e associações, para que sentissem um certo prazer proporcionado também pelo desporto”, destacou o Arcebispo Primaz, lançando o repto.
“Porque não destinar uma percentagem dos lucros desportivos para causas sociais? Porque não doar o material desportivo excedente ou que deixou de ser usado para zonas onde a pobreza impede tantas crianças de vivenciarem a alegria do desporto?”.

Júlio Mendes: “Ética não pode estar afastada do futebol”

A ética não pode estar dissociada do desporto, nem do futebol em concreto. A opinião foi deixada por Júlio Mendes, presidente do Vitória SC, durante a apresentação da Carta Pastoral ‘Desporto: escola e missão de humanidade’, no Espaço Vita, em Braga.
Considerando ser “um documento de aplicação universal”, o dirigente diz ser “bastante oportuno no contexto nacional”: “todos nós temos vivido momentos de muita ansiedade e algumas vezes de revolta com o que vai acontecendo no desporto de maior visibilidade que é o futebol e que tem muito a ver com o cruzamento do papel da comunicação social, dirigentes e a forma como interpretam este desporto rei”.
Lembrando que o Vitória SC “é um clube ecléctico”, sentindo, assim, o “desporto em todas as dimensões e modalidades”, o dirigente realça pela negativa as situações recentes, nomeadamente, na última época, que transformaram o futebol em Portugal “em algo que lamento”, “por via de alguns comportamentos distorcidos, seja porque assumiu um papel importante enquanto actividade económica, seja porque há sempre por parte de alguns dirigentes uma sede muito grande de protagonismo e de querer ganhar a qualquer preço”.

“Esta Carta Pastoral é um documento com o qual me identifico na plenitude. A ética é algo que não pode estar afastada do desporto, não pode estar afastada do futebol. O futebol não pode ser uma guerra, tem de ser um espaço de convívio e confraternização é assim que sentimos e vemos o futebol no Vitória”, frisou Júlio Mendes.
Em resposta ao apelo de solidariedade de D. Jorge Ortiga, o dirigente destaca a existência de “uma associação de solidariedade para endereçar alguns dos recursos que conseguimos via futebol para os mais necessitados”, portanto, “é a demonstração que subscrevemos na íntegra e vamos ser um veículo de transmissão desta mensagem”.

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