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Ana e Orlando: um amor sem barreiras

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Ana e Orlando: um amor sem barreiras

Entrevistas

2019-02-14 às 06h00

Marta Amaral Caldeira Marta Amaral Caldeira

São um casal como tantos outros, mas a sua história é intensa e daquelas que não se pode deixar de contar. Ela é enfermeira de profissão e foi precisamente quando ele se encontrava em processo de reabilitação no hospital que o amor aconteceu.

A história de amor de Ana e José Orlando é a ‘prova provada’ de que o amor não tem barreiras. A paixão nasceu numa cama de hospital, quando ele ficou tetraparaplégico numa viagem de trabalho e ela era sua cuidadora. O amor falou mais alto e desde então nunca mais se separaram.
“Estava a realizar uma viagem de trabalho às Caraíbas para avaliar mais um destino turístico para a Agência Abreu quando, acidentalmente, caí do catamarã em que me encontrava e bati com a cabeça, fracturei a cervical e fiquei tetrapelégico”, contou, o bracarense José Orlando, recordando o momento em que, aos 29 anos, a sua vida sofreria uma reviravolta para sempre.

Passou pelos Hospitais de Lisboa e de Braga, mas foi no Hospital da Prelada que fez a maior parte da sua reabilitação durante dois anos. Foi precisamente aí que encontrou o amor da sua vida, Ana Isabel. Ela era uma das enfermeiras que cuidou dele, e foi durante esse período que ambos se viriam a apaixonar para sempre.
José Orlando destaca o trabalho de recuperação levado a cabo no Serviço de Reabilitação e Medicina Física, onde conseguiu trabalhar especificamente o equilíbrio, a força do pescoço, a bexiga e os intestinos e a terapia ocupacional, que lhe ensinou como escrever usando um capacete na cabeça.

“Foi uma longa aprendizagem que tive que voltar a fazer, mas sempre com a consciência de que a recuperação total seria praticamente nula porque foi-me traçado, desde o início, um quadro extremamente severo pois a lesão na medula havia sido gravíssima”, contou José Orlando, lembrando as circunstâncias que o levaram a conhecer Ana Isabel.
“Ela dava-me muitas vezes a sopa à boca”, recordou, entre gracejos enrubescidos trocados com a mulher.

“Sem contar, começámos a aperceber-nos de que existia ‘um certo clima’ ente nós, que já extravasava em larga medida a simples relação paciente/enfermeira”, disse Ana Isabel, garantindo que jamais houve arrependimentos na escolha deste grande amor.
“O José Orlando é, de facto, uma pessoa excepcional por quem eu me apaixonei e por quem eu continuo apaixonada até hoje”, confessou. “Tem sido uma verdadeira aventura”, disse.

“Juntaram-se duas almas especiais”

O ‘espírito’ animado de José Orlando conquistou rapidamente a equipa de profissionais que lidava com ele diariamente durante o seu período de reabilitação no Hospital da Prelada, no Porto, onde o quarto dele se enchia também de familiares de outros pacientes, que o visitavam também e que gostavam sobretudo de ‘fazer horas’ conversando. Era nestes grupos que Ana Isabel, enfermeira da equipa, se integrava também, partilhando momentos de convívio saudável em ambiente hospitalar.
Foi nesses e nos momentos em que tinha de cuidar sozinha de José Orlando que o amor entre ambos começou a desabrochar, até que marcaram um primeiro encontro fora do hospital. “Fomos ver o mar a Leça da Palmeira e comemos um pizza no carro. Foi a nossa primeira saída e foi muito especial”.

“Ele é uma pessoa excepcional, que cativa imenso a nossa atenção”, destaca Ana Isabel, lembrando que antes dessa primeira saída ‘a dois’ foram muitos os encontros e convívios partilhados com esse grupo de amigos que entretanto se formou à volta do seu internamento ao longo de dois anos. “Quando ele fez 30 anos, estava em Lisboa a passar uns dias de férias, e esse grupo de amigos foi ter com ele. Eu não pude, mas enviei-lhe um cartão a felicitá-lo e a dizer-lhe ‘bem-vindo aos 30’. Penso que foi aí que a história se desenrolou e sentimos que havia um clic, que havia química entre nós”, referiu Ana Isabel, ao olhar para trás.
“Comecei a sentir, de facto, que a minha preocupação com ele era demasiado excessiva e ultrapassava já o âmbito profissional. As nossas conversas eram muito maduras. Um dia arriscámos e fizemos essa nossa primeira saída juntos e correu muito bem. A partir daí nunca mais parámos, corremos tudo, desde a Expo 98 a viagens por todo o lado”.

Olham-se profundamente. São cúmplices há 22 anos. Elogiam “as capacidades” um ao outro por conseguirem levar a bom porto esta viagem aventureira que os une até hoje, contra tudo e contra todos e muitas vezes contra um mundo inteiro cheio de adversidades, mas que juntos têm sabido ultrapassar, contando com o apoio incondicional dos pais e familiares mais próximos.
“Somos uma dupla inseparável”, dizem, contando a sua história, revelando que o amor se constrói no dia-a-dia e demonstrando ao mundo que o amor verdadeiro não tem filtros nem barreiras. Simplesmente “acontece”.

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