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Alto Minho 4D: A viagem no tempo pelo Alto Minho arrancou em Caminha
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Alto Minho 4D: A viagem no tempo pelo Alto Minho arrancou em Caminha

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Alto Minho

2018-03-12 às 15h15

Redacção

A viagem no tempo pelo Alto Minho arrancou em Caminha, com o ciclo de conferências Mundo de Culturas, integrado no projeto Alto Minho 4D Viagem no Tempo, que abordou "Vestígios arqueológicos dos mais antigos habitantes do Baixo Minho" e a Rota do Megalitismo e Arte Rupestre.

Esta conferência foi a primeira iniciativa de promoção do património cultural do Alto Minho, um projeto da Comunidade Intermunicipal do Alto Minho (CIM Alto Minho), “Alto Minho 4D – Viagem no Tempo”, que se apresenta como uma ação promocional de valorização do património cultural dos dez concelhos do distrito vianense. Este é um projeto que se vai desenrolar durante um ano, até março de 2019, e que inclui ações performativas, conferências científicas e atividades de ‘sketching’, para dar uma nova visibilidade à cultura e património do Alto Minho.
 
O presidente da Câmara Municipal de Caminha, Miguel Alves, assinalou este trabalho conjunto dos autarcas do Alto Minho, referindo que “não é um trabalho concorrencial, de competição, mas sim de agregação”. Na abertura da sessão, destacou o Dólmen da Barrosa, em Vila Praia de Âncora, como um “símbolo do megalitismo”. O autarca referiu que Caminha “tem a felicidade de poder contar com vestígios arqueológicos, desde os tempos castrejos, megalíticos, no Alto do Couto da Pena, na Cividade de Âncora, na Lage das Fogaças, situada no Monte de Góios, em Lanhelas”, entre muitos outros locais. “Temos todas estas rotas de história, que são a história da nossa terra”, vaticinou.
 
Sérgio Monteiro Rodrigues, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, apresentou uma investigação ainda em curso sobre os terraços fluviais do rio Minho, divulgando resultados já obtidos na Galiza, em Monção e em Melgaço. Desde Melgaço até à foz do rio Minho, em Caminha, existe “uma extensão enorme” ainda por escavar e explorar, face a vestígios com cerca de 300 mil anos encontrados no lado galego do rio.
 
Ana Bettencourt, da Universidade do Minho, abordou “O Megalitismo e a Arte Rupestre na Alto Minho”, com um mapa atualizado para novas rotas da arte paleolítica. Apresentou Ponte da Barca como o município do Alto Minho com mais monumentos arqueológicos inventariados, até 2012, destacando os menires e monumentos funerários espalhados um pouco por todo o distrito. A investigadora defendeu a valorização e recuperação dos monumentos megalíticos como uma forma de atrair turismo para a região.
 
O projeto “Alto Minho 4D – Viagem no Tempo” vai dinamizar uma atividade por mês, passando pela sede de concelho de cada um dos dez municípios do distrito de Viana do Castelo. Depois desta primeira passagem por Caminha, a conferência técnico-científica “Mundo de Culturas”, promovida em parceria com o Centro Cultural do Alto Minho (CCAM), vai estar em Monção, no dia 7 de abril, com a “Rota dos Castros”; em Ponte de Lima, no dia 5 de maio, com a “Rota do Romano”; Ponte da Barca, no dia 16 de junho, com a “Rota do Românico”; Valença, no dia 22 de setembro, com a “Rota dos Castelos e Fortalezas”; Melgaço, no dia 20 de outubro, com a “Rota dos Mosteiros”; Viana do Castelo, no dia 17 de novembro, com a “Rota dos Descobrimentos”; Arcos de Valdevez, no dia 8 de dezembro, com a “Rota do Barroco”; Paredes de Coura, no dia 12 de janeiro de 2019, com a “Rota da Arquitetura Tradicional”; e termina em Vila Nova de Cerveira, no dia 9 de fevereiro 2019, com a “Rota do Contemporâneo ao Futuro”.
 
Deste projeto da CIM Alto Minho faz também parte a atividade performativa “Portas do Tempo”, que implica a dinamização de ações performativas sobre cada um dos temas analisados a cada mês. As atividades performativas são dinamizadas pelas Comédias do Minho e pelo Teatro do Noroeste - Centro Dramático de Viana, que vão promover dez visitas guiadas encenadas, a realizar uma vez por mês num espaço icónico de cada uma das rotas, proporcionando uma verdadeira “viagem no tempo”. Em Caminha, devido às condições climatéricas, a ação performativa não aconteceu no dia do seminário, sendo adiada para 18 de abril, Dia Internacional dos Monumentos e Sítios.
 
Para a promoção do património do Alto Minho está também a ser desenvolvida a atividade “Sketching com História”, em parceria com a Associação Urban Sketchers Portugal (USkP), com o objetivo de agregar artistas nos concelhos do Alto Minho em encontros de ‘sketching’, tendo como foco os monumentos mais significativos de cada município. Marco Costa marcou presença em Caminha para registar “pormenores que marcam a diferença”, indicando que enquanto autor de ‘sketchers’, “o Alto Minho é uma das áreas favoritas de Portugal” para desenhar, por “ter um património histórico bastante grande”. “Em Caminha, aliar a zona mais fluvial à parte da serra é muito interessante, pelo que não faltam aqui motivos para desenhar”, frisou.
 
O projeto “Alto Minho 4D – Viagem no Tempo” foi aprovado pelo Programa Operacional Regional do Norte – Norte 2020, no domínio do “Património Cultural”, e pretende criar uma rede de 10 rotas/ itinerários cronológicos culturais baseados na história e nos bens patrimoniais do Alto Minho. Com esta iniciativa intermunicipal, cada um dos concelhos do Alto Minho encabeçará uma dessas rotas que funcionará como o “portal” de acesso a uma “estação do tempo” (um núcleo museológico que funcionará num determinado espaço físico), que irá dispor de uma série de valências e no qual se apresentará uma sequência de recursos patrimoniais alusivos a essa rota e a serem visitados não só nesse concelho, mas em todo o território, promovendo-se um circuito (touring) cultural pelo Alto Minho e, consequentemente, a mobilidade turística na região.

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