Correio do Minho

Braga, terça-feira

Abril em Fafe é tempo de reflexão de causas e valores da Humanidade
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Abril em Fafe é tempo de reflexão de causas e valores da Humanidade

Encontro com emigrantes serviu para divulgar potencialidades do concelho

Vale do Ave

2018-04-22 às 06h00

Isabel Vilhena

Foi com um balanço muito que Fafe encerrou mais um 'Terra Justa - Encontro Internacional de Causas e Valores da Humanidade'. Um evento que pretende alertar, provocar e envolver os cidadãos para a importância destas causas.

Foi com balanço positivo e de coração cheio de esperança num mundo melhor que a cidade de Fafe terminou, ontem, mais uma edição do Terra Justa - Encontro Internacional de Causas e Valores da Humanidade que, ao longo de quatro dias, alertou e agitou consciências à volta do tema A Pessoa e a Igualdade - Cuidar o Futuro dos Direitos Humanos.
É um balanço muito positivo que resulta da excelência dos intervenientes deste Terra Justa. A escolha acertada dos temas não só a defesa dos direitos humanos, mas também esta homenagem que é fundamental fazer-se a Maria de Lourdes Pintasilgo mostrando o seu projecto de vida, a sua biografia, mas também a produção política e de pensamento que antiga primeira-ministra teve durante a sua vida e continua perfeitamente actual, afirmou Raul Cunha, presidente da Câmara Municipal de Fafe, adiantando que este modelo do Terra Justa será alvo de reflexão e, se possível, introduzir algumas alterações. Não queremos este evento isolado e sempre com o mesmo modelo e, portanto, vamos reflectir para podermos introduzir alterações e melhoramentos na organização, frisando não estamos disponíveis para deixar cair este evento e, em Abril, que é um mês para o qual os portugueses têm maior sensibilidade para reflectir sobre estes assuntos, aqui em Fafe iremos sempre fazer uma reflexão sobre os princípios e os valores da humanidade. Vamos continuar a fazê-lo durante os próximos anos, asseverou.

Raul Cunha realçou a pertinência de discutir estes temas tão actuais e, por vezes, fracturantes. Estas questões relacionadas com os princípios e os valores são questões actuais. O mundo vive uma situação perigosa. O Papa Francisco diz, muitas vezes, que vivemos numa guerra aos bocadinhos e, portanto, todos os contributos que possamos dar à escala municipal, nacional e internacional são importantes para podermos criar condições para que estas situações de conflito se possam resolver ou minorar e não perdermos o norte na defesa dos direitos humanos que é uma condição básica para todos podermos respeitar uns aos outros e viver em paz no mundo.
No final, o edil fafense mostrou-se disponível para juntar a voz de Fafe a uma possível homenagem a Maria de Lourdes Pintasilgo na Assembleia da República. Durante o evento foi levantada a ideia de se promover uma homenagem nacional, mais do que justa, na Assembleia da República para juntar a nossa voz à voz de todos aqueles que procurarem manter vivo e divulgar mais o pensamento de Maria de Lourdes Pintasilgo.

O respeito pela dignidade humana deve balizar a liberdade religiosa

É preciso colocar limites à liberdade religiosa. Este é um dos grandes desafios da sociedade actual apontado por Paulo Mendes Pinto, da Área Ciência das Religiões da Universidade Lusófona, no comentário final da Conferência Religião e Igualdade: desafios da cidadania.
À semelhança da nossa Constituição que coloca limites à nossa liberdade, com direitos e deveres, o respeito pela dignidade humana deve colocar limites à liberdade religiosa, explicou Paulo Mendes Pinto, questionando que se houver uma religião que tenha como um dos seus rituais um sacrifício humano nós vamos pactuar com isso só porque é liberdade religiosa?.

Para Mariana Vital, da Linha de Investigação Religião e Género da Universidade Lusófona, os países continuam a ter problemas de limites que envolvem a religião, liberdade de expressão e cidadania. A cidadania é um projecto em construção que assenta na educação e no diálogo.
Catarina Marcelino, ex-Secretária de Estado para a Igualdade e Cidadania, alertou para a postura anti-democrática das religiões que impõem os seus dogmas à sociedade no seu todo. Sinto-me condicionada quando as religiões querem impôr os seus dogmas aos outros, afirmou Catarina Marcelino, defendendo a igualdade de oportunidade das mulheres na hierarquia das igrejas.
Já o pastor Miguel Castro, da Igreja Evangélica de Fafe, apontou a falta de liberdade religiosa nos países islâmicos.

Reconhecendo que existem alguns radicalismos, Jaime Soares, do Centro Cultural Islâmico do Porto, alerta para os riscos de generalizar porque o Islão é muito diverso, realçando que este tipo de iniciativas são um grande exemplo daquilo que é a cidadania e ajudam a desconstruir estereótipos e preconceitos que estão estabelecidos.
Por seu turno, Frei Fernando Ventura, frade franciscano capuchinho, explica que o mundo islâmico vive montado na Jihad e nós cristãos na metanoia, esclarecendo que são dois conceitos mal traduzidos, mas que se podem encontrar. Jihad não é uma guerra contra ninguém, mas antes o esforço de abertura aos outros. Metanoia não é deixar de ser sacana para passar a ser santo. É o desafio de ir para além de mim mesmo nos meus preconceitos, desta consciência absoluta que todos devemos ter que de Deus sabemos nada e de ir à procura, como dizia Maria de Lourdes Pintasilgo, deste Deus que não conhecemos.

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