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A vontade era tanta que o milho ‘evaporou’ na desfolhada minhota de Parada de Gatim
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A vontade era tanta que o milho ‘evaporou’ na desfolhada minhota de Parada de Gatim

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A vontade era tanta que o milho ‘evaporou’ na desfolhada minhota de Parada de Gatim

Cávado

2019-09-15 às 06h00

Redacção Redacção

Natural da freguesia de Parada de Gatim, Francisco Rodrigues é um ‘velho conhecido’ da arte de desfolhar. “Da sementeira à desfolhada são, em média, uns quatro meses”, afirmou. Semeia-se em maio e colhe-se por volta de setembro/outubro, “dependendo do ciclo do milho”.

O recinto estava repleto de canas de milho e dava a sensação de que a tarefa seria demorada. Dos mais novos aos mais velhos, os populares juntaram-se em círculo e meteram mãos ao trabalho para remover as desejadas espigas. A vontade era tanta que, vinte minutos depois, o milho já tinha ‘’evaporado. Com muita animação, alegria e música popular à mistura, o evento levou as pessoas a reviverem uma tradição local. No final, não faltaram ‘comes e bebes’ no Lugar da Igreja, em Parada de Gatim, para recuperar forças e fortalecer o convívio entre o público. A Desfolhada Minhota decorreu ao início da noite de ontem, 14 de setembro. Foi organizada pela Junta de Freguesia de Parada de Gatim, e integrou a programação Na Rota das Colheitas, do Município de Vila Verde.
Natural da freguesia de Parada de Gatim, Francisco Rodrigues é um ‘velho conhecido’ da arte de desfolhar. “Da sementeira à desfolhada são, em média, uns quatro meses”, afirmou. Semeia-se em maio e colhe-se por volta de setembro/outubro, “dependendo do ciclo do milho”.  Experiente nestas andanças, confirmou que a recriação decorreu “de acordo com os tempos antigos” em que as pessoas se juntavam em círculo para desfolhar o milho, ao som de muitas cantigas para alegrar a festa. Para além de “educar as crianças”, a desfolhada também permitiu reviver velhas memórias. “Lembro-me que, em 1974, eu estava cá de férias da guerra do Ultramar e assisti a 13 desfolhadas”, contou Francisco Rodrigues.
Cultura da desfolhada enraizada em Parada de Gatim
Aos poucos, o recinto começou a encher e compôs-se uma bela moldura humana no Lugar da Igreja. José Dantas estava na plateia e saiu da desfolhada satisfeito: “Foi bonito, gostei do que vi. Acho muito bom para a freguesia e para a nossa cultura podermos reviver estas tradições”. Natural de Parada de Gatim, tem a cultura do milho bem enraizada. “Nos tempos em que era mais jovem, vi os meus pais a desfolhar muito milho e a fazer muitas copas de milho”, disse José Dantas, acrescentando que é “importante manter [a tradição] nos mais novos, que não viveram esses tempos”.
“Vontade de desfolhar” fez o milho desaparecer em 20 minutos
Quem também saiu contente do evento foi o presidente da Junta de Freguesia de Parada de Gatim.  “Estamos contentes com a iniciativa, correu muito bem”, afirmou Pedro Rodrigues, visivelmente satisfeito com a participação popular. “Sinto que as pessoas gostaram e notei um certo entusiasmo e vontade em desfolhar, tanto que o milho desapareceu ao fim de 20 minutos”, referiu. No final da desfolhada, houve uma merenda para recuperar energias e fomentar o convívio. A festa seguiu noite dentro com a animação da música popular e houve mesmo quem não resistisse a um pezinho de dança.
Atualmente, “não se fazem desfolhadas com tanta frequência como há 10 ou 15 anos atrás”, frisou Pedro Rodrigues. Contudo, o presidente da Junta não esconde o orgulho em poder “recordar e relembrar tradições típicas de Parada de Gatim e educar os mais novos sobre a cultura da freguesia”. No final das contas, o balanço é positivo. “As pessoas divertiram-se e passaram bons momentos”, frisou o autarca, acrescentando que “Parada de Gatim deu o seu contributo com o cunho daquilo que é a freguesia – uma terra de desfolhadores”.

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