A 'invasão chinesa' ameaça a sobrevivência do mais popular artesão de Arcos de Valdevez, que agora se governa exclusivamente com os espigueiros, depois de a concorrência asiática o ter obrigado a desistir de tudo o resto.
'Aos espigueiros, os chineses ainda não chegaram, mas já começo a ver aparecerem por aí umas imitações, ainda que muito toscas. Se eles conseguirem pegar nisto a sério, mais me vale fechar as portas', diz, à Lusa, aquele artesão.
José Moscoso, 55 anos de idade, dedica-se à confecção de artesanato há mais de duas décadas, mas nos últimos tempos começou a ver a sua vida 'a andar para trás', com a proliferação de lojas dos chineses um pouco por todo o País.
'Fazia uma caixas de costura e uns tabuleiros, mas quando eles apareceram logo percebi que tinha que abandonar. Quem aguenta com os preços que eles fazem?', questiona.
'Só para ter uma ideia, a mim, às vezes, compensava-se comprar os baús a eles só para lhes tirar as ferragens e pô-las nas minhas peças', acrescenta.
Agora, José Moscoso dedica-se exclus
ivamente à confecção de espigueiros, que são 'emblemas' do concelho.
'O pior é se eles [chineses] também chegam a isto. Não é fácil, porque requer uma técnica especial, mas… sei lá. Eles metem-se em tudo', refere.
O espigueiro mais caro vendido por este artesão custará uns 75 euros.
'Acredita que eu até tento nem saber a que preço são depois vendidos no mercado?', volta a questionar.
Pinho, areia, colmo e barro são as matérias-primas usadas na confecção de um espigueiro.
No seu ateliê, José Moscoso já tem devidamente separados os vários adereços necessários, como rodas, enxadas, machados, fardos de palha, martelos, lenha e troncos. Tudo feito pelas suas mãos.
'O principal segredo do artesanato está na palavra paciência', afirma.
Às imitações que de uma forma mais ou menos tímida vão aparecendo no mercado, Moscoso responde com um 'menu' onde o cliente pode escolher entre mais de um milhar de espigueiros diferentes.
'Vou sempre inovando, para fintar as imitações', explica.
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