Uma equipa das universidades do Minho e Federal da Bahia, no Brasil, confirmou a viabilidade do biodiesel puro para veículos, após uma travessia da América do Sul em condições extremas. A expedição de 16 dias e 12.350 km envolveu cinco investigadores e duas pick-ups, uma abastecida com gasóleo e outra com biodiesel 100% puro (B100). O combustível natural teve um consumo bastante inferior ao que se previa e o gasóleo teve melhor desempenho.
“Foram gastos 1259 litros na pick-up de biodiesel e 1216 na de gasóleo, ou seja, só mais 3.5%, quando se esperava mais 10%. E as médias foram respetivamente de 10.2 e 9.8 litros aos 100km, quando se previa bem mais”, disse Jorge Martins, professor do Departamento de Engenharia Mecânica da UMinho. Feitas as contas, a viatura com biodiesel queimou menos 5.9% de energia do que a congénere, mas em contrapartida perdeu nos testes de aceleração, seja a baixa altitude como a 4000 metros, confirmando os testes prévios em banco de rolos. Porém, o seu teor de fumos emitido foi claramente inferior e de cor branca em vez de negra, parecendo vapor.
“A travessia foi promissora, em breve temos mais dados, estamos otimistas”, notou Jorge Martins, que está de licença sabática no Brasil a investigar sobre o uso do biodie
sel. Estão a decorrer testes aos óleos de lubrificação, densidade e poder calorífico de ambos os combustíveis e foram abertos os motores dos Ford Ranger para inspecionar diferenças, entre outros aspetos. O único problema da viagem do Atlântico ao Pacífico ocorreu nas duas noites da equipa nos Andes, com quase -10ºC. “Deixámos o bidão de reserva no quarto para o biodiesel não congelar, mas o que ficou nas tubagens do veículo congelou e de manhã tivemos que aquecê-lo com água quente e ‘secadores de cabelo’.”
A “I Travessia Interoceânica Brasil-Peru” uniu as cidades de Salvador da Bahia e Ilo (ida e volta), atravessando ambientes urbanos, de savana, selva, deserto e montanha, incluindo picos de calor e humidade na Amazónia ou de frio e grande altitude nos Andes. O projeto liderado pela Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia (UFBA) tem apoio da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Bioenergia. O B100 é 100% natural e produzido na Instalação Piloto de Produção de Biodiesel da UFBA, com óleo vegetal vindo de hospitais, restaurantes e vendedoras de acarajé. O objetivo é apelar para o potencial da expansão dos biocombustíveis e contribuir para novas tecnologias sustentáveis, eficientes e inovadoras. O site oficial é travessiab100.com.
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