Vezeira do Gerês: Tradição ancestral e atracção turística

Cávado

autor

Rui Miguel Graça

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É uma tradição, mas as autoridades estão a conferir-lhe um cunho turístico e a aposta está a tornar-se num caso sério de popularidade. O gado segue em direcção às verdejantes pastagens, típicas do Minho, é guardado à vez, consoante o número de cabeças por criador, mas a sua passagem pelo centro do Gerês é sinónimo de enchente.

A praceta Prof. Dr. Emídio José Ribeiro encheu-se para assistir à passagem do gado e foram milhares que quiseram assistir ao momento. É certo que para os pastores começam agora quatro meses intensos, de permanência na serra, e, perante esse facto, o gado torna-se famoso ao percorrer as artérias principais da vila. Os chifres são tema de conversa, tal como os vitelos fazem as delícias dos turistas.

São duas freguesias que participam no evento. O de Rio Caldo leva uma fita azul. Eram 80 cabeças inscritas, provenientes de 26 associados. Já o gado de Vilar da Veiga ostenta uma fita vermelha. Foram 22 sócios, com 61 cabeças de gabo.

A história da Vezeira é simples. Para combater a ausência de homens na vila, a guarda do gado na Serra é feita à vez. Dez cabeças de gado representam cinco dias de guarda. Os homens revezam-se nesta árdua tarefa que dura até meados de Setembro.

A população assiste, enche a praça principal do Gerês e fica desta forma assinalada o início das pastagens em plena serra, um facto que coincide com os meses de maior calor, com o tempo onde a pastagem é mais rica. À margem deste acto, hotelaria e entidades locais estão de mãos dadas nos ‘comes e bebes’, proporcionando aos visitantes um verdadeiro manjar.

Joaquim Cracel: “Há cinco problemáticas urgentes”

Joaquim Cracel, presidente da Câmara Municipal de Terras de Bouro fez questão de marcar presença na Vezeira, um evento que está a tornar-se cada vez mais “um cartaz do Gerês e de Terras de Bouro. O autarca abordou ainda as problemáticas do concelho, confessando mesmo que pretende reunir-se com a ministra da agricultura e com carácter de urgência.

“Em Março enviei uma carta para o ministério, mas não obtive qualquer resposta. Vou nos próximos dias voltar a escrever à ministra, uma vez que há cinco questões que precisam de ser clarificadas”, começou por referir Joaquim Cracel, enumerando-as: “os assuntos são as taxas, as portagens de acesso à fronteira, a sede do Parque Nacional, a manutenção do Parque e ainda a problemática dos incêndios”.

Relativamente a este último assunto destacou que o seu município “gastou cinco mil euros em apenas seis dias”. “Tivemos que inclusivamente dar refeições a bombeiros e abastecer as suas viaturas, uma vez que não tinham combustível para regressar a casa”. Sobre as taxas considerou-as “um absurdo” e as portagens asseverou que “este é o único sítio do país onde se paga para atravessar a fronteira”. “O Parque só representa custos para a autarquia”, concluiu.

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