O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, garantiu ontem que a cooperação com o Governo “está viva”, sublinhando que as relações entre Belém e o Governo “não se medem por temperatura”.
“As relações não se medem por temperatura, são relações de trabalho”, afirmou chefe de Estado, durante uma entrevista à RTP 1 emitida esta noite, quando interrogado se as suas relações com o Governo não “esfriaram” no último ano.
Garantindo que a cooperação com o Governo “está viva”, Cavaco Silva frisou que nessa matéria “a realidade tem pouco a ver' com o que tem sido escrito e dito e que as relações com o executivo “são normais”,
“As relações são normais e não menos normais do que entre outros Governos e outros Presidentes da República”, disse, acrescentando saber do que está a falar, numa referência à época em que foi primeiro ministro e Mário Soares estava em Belém.
A este propósito, Cavaco Silva notou que até agora já promulgou mais de 1.500 diplomas do executivo de José Sócrates e que nunca vetou ou enviou uma proposta do Governo para o Tribunal Constitucional.
Contudo, o Presidente da República admitiu não estar sempre de acordo com o Governo, mas considerou tal facto como “normal”.
Já na parte final da entrevista, Cavaco Silva foi questionado sobre o chamado caso das escutas a Belém e se teve conhecimento que um colaborador seu teria contactado um jornalista para a publicação de uma notícia.
“Foi uma total invenção”, respondeu o chefe de Estado, recusando acrescentar “uma palavra” ao que disse na comunicação ao país que fez no final de s
etembro, dois dias depois das eleições legislativas, sobre a matéria.
“Aquilo que havia a dizer está lá. Não devo acrescentar nem mais uma palavra”, insistiu, garantindo que para si a verdade e a palavra são “uma questão de honra”.
“A honra é uma coisa que o Presidente da República tem de defender, mesmo que seja com custos pessoais”, acrescentou, lembrando que o texto da sua comunicação de 29 de setembro está no ‘site’ da Presidência da República e que “quem quiser voltar a ler de forma calma e ponderada” basta consultá-lo.
Interrogado se esse foi o momento mais difícil do seu mandato enquanto Presidente da República, Cavaco Silva disse apenas que encara sempre os problemas “com grande serenidade e tranquilidade”.
Sobre a vida interna do PSD, Cavaco Silva escusou-se a fazer qualquer comentário, lembrando que o chefe de Estado está “acima da vida partidária” e que se afastou “totalmente” dela.
“Não acompanho a vida interna [do PSD], absolutamente em nada”, assegurou, recusando igualmente fazer qualquer comentário sobre a hipótese já levantada de um dos candidatos à liderança do PSD - José Pedro Aguiar Branco - de apresentar uma moção de censura ao Governo, apesar de reconhecer que “temos de ser ponderados”.
“Os partidos é que devem aferir”, considerou, rejeitando, porém, que exista neste momento qualquer crise política.
“Não existe crise política neste momento, o Governo continua a ter a confiança da Assembleia da República”, salientou.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
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