Um médico alemão recebeu uma proposta de uma seguradora para investir na apólice de vida de um norte-americano em estado terminal, com promessa de elevados rendimentos, se o doente morresse brevemente, noticiou hoje a televisão pública ZDF.
O negócio consistia em pagar 20 mil dólares pela apólice e pagar regularmente os prémios de seguro.
Quando o paciente falecesse, receberia então a soma estipulada.
“Como médico, o senhor está em condições de avaliar melhor a esperança de vida do paciente, o seu diagnóstico é decisivo para o sucesso do seu investimento ”, dizia-se na publicidade recebida pelo doutor Florian Velten.
“Nesta zona de Frankfurt onde trabalho, há muitos angariadores de seguros, recebo numerosas ofertas, mas uma coisa assim nunca, até me deu náuseas”, disse à ZDF.
O médico fingiu estar interessado na oferta, e a ZDF filmou o encontro no seu con
sultório com um angariador da seguradora, que lhe propôs a compra da apólice de um paciente de 76 anos com um tumor maligno.
A esperança de vida do cidadão norte-americano foi avaliada pela seguradora em 26 meses, “se ele morrer mais tarde, há um determinado risco, mas se morrer antes o senhor lucra”, disse o angariador ao doutor Velten.
“Trata-se de uma aposta na morte, não é assim?” perguntou o clínico. “Sim, de certa maneira é isso…”, admitiu o angariador, perante a câmara oculta.
A Ordem Alemã dos Médicos já considerou tratar-se de “um atentado à moral”, mas juridicamente o negócio é lícito, reconheceu um porta-voz da ordem.
“O mesmo não aconteceria se fosse uma apólice de seguro de vida alemã, porque a sua venda é ilegal”, explicou a mesma fonte.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico***
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