“Não há quem queira organizar a festa”

Braga

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Patrícia Sousa

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Foram muitos os devotos que se deslocaram por estes dias à capela de S. Brás, na freguesia de Gualtar. A festa, de cariz religioso, terminou ontem, com uma missa cantada com sermão em honra do santo, advogado da garganta.
A Confraria de S. Brás é constituída por 15 elementos, mas “não há quem queira organizar a festa”, confidenciou Jorge Lopes, um dos membros da confraria. E lamentou: “a juventude não quer saber. O normal é a equipa mudar de três em três anos. Mas eu já estou há 11 anos, mas há quem esteja há mais tempo. Ninguém quer tomar conta e ter trabalho”.

Os elementos da confraria aproveitaram a festa para inscrever irmãos de S. Brás. “Quem quiser ser irmão tem direito a três missas, a do funeral, a de sétimo dia e a de um mês de falecimento, além disso, a confraria acompanha a cerimónia no dia do funeral”, explicou Jorge Lopes, sublinhando que os ‘irmãos’ não têm que ser apenas da freguesia de Gualtar.
Para se ser ‘irmão’ de S. Brás “as pessoas até aos 30 anos pagam 20 euros, dos 31 aos 50 têm que contribuir com 30 euros e a partir dos 51 os ‘irmãos’ pagam 50 euros”, informou aquele res- ponsável.

O ‘ponto alto’ da festa em honra do advogado da garganta foi ontem a eucaristia na capela de S. Brás. E, durante o sermão, o pregador falou do exemplo de fé que deixou. “S. Brás nasceu na Arménia e formou-se em Medicina, mas passado pouco tempo deixou a profissão e entregou-se a Deus na oração e penitência”, lembrou o padre.

E continuou: “S. Brás foi nomeado bispo e, ainda, encontrava tempo para se dedicar aos pobres e aos doentes, mas a sua vida não foi sempre um caminhar num tapete de flores”, até porque o santo acabou perseguido, torturado e degolado. “S. Brás foi um homem de fé e soube combater até ao fim o bom combate da fé”.

Hoje são muitos os cristãos que acodem a S. Brás quando estão mal da garganta. E o padre deixou o apelo: “S. Brás quer algo mais de nós. Não é só para ser advogado e protector”.

Entre castanhas e rebuçados

Felisbela Penha era uma das muitas vendedoras de castanhas que estavam no adro da capela de S. Brás, em Gualtar. “Vende-se castanhas até ao S. João. Na festa das Cruzes ainda se vende muita castanha”, contou a vendedora, queixando-se do “mau negócio”. Pela terceira vez tentou a ‘sorte’ no S. Brás de Gualtar. “As pessoas perguntam quanto custa o cartucho e acabam por pedir apenas uma castanha para dar à criança. Não se vende nada”, confidenciou Felisbela, garantindo que as castanhas que vende “são de boa qualidade”.
Ainda no adro da capela, o ‘Correio do Minho’ falou com Maria do Céu, que vendia os rebuçados de S. Brás. “Toda a gente compra os rebuçados do santo feitos com água e açúcar”, admitiu a vendedora. Mas, para além dos rebuçados, na banca de Maria do Céu não faltavam as gomas e os chocolates para delírio dos mais novos.

Dos doces de romaria até ao fumeiro

No adro da capela em Gualtar não faltavam, como não podia deixar de ser, as vendedoras dos doces de romaria. Todas tentavam vender, mas o negócio não parecia correr pelo melhor a ter em conta os comentários. “Com tanto desemprego não há dinheiro e as pessoas não compram doces”, assegurou Lucinda Gonçalves, que só tentou fazer negócio ontem.
Mais à frente, o ‘Correio do Minho’ falou com Priscila Monteiro que estava a vender fumeiro regional de Lamego. Entre presunto, chouriça, queijo e pão, Priscila admitiu que o que vendia mais era, sem dúvida, o pão e o presunto. “Ainda é muito cedo para falar do negócio, mas normalmente as pessoas acabam sempre por comprar o nosso presunto e o pão”, frisou Priscila Monteiro, que já está habituada a andar pelas romarias de aldeia em aldeia.

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