É na Avenida S. Pedro de Maximinos que se localiza a Associação Maconde, uma IPSS cuja fundação está intimamente ligada à antiga fábrica Maconde, uma vez que foi a comissão de trabalhadores desta empresa que se organizou para constituir uma IPSS e fundar uma creche onde pudesse colocar os filhos dos trabalhadores da têxtil.
“Este é um edifício do Estado Novo. Muito antes da Maconde, funcionou aqui uma fábrica de tecidos dos Ferreira de Riba d’Ave, que aqui criaram uma creche já em meados dos anos quarenta. Isso aconteceu numa altura em que o Estado ainda não tinha essas preocupações”, explicou ao ‘Correio do Minho’ Manuel Pinto, presidente da Associação Maconde e antigo trabalhador da fábrica têxtil com o mesmo nome.
Com a deslocação dessa fábrica para a Senhora da Hora, a creche fechou portas e por aquele espaço passaram ainda outras duas empresas, antes da Maconde se ter ali instalado.
Foi em meados dos anos oitenta que a comissão de trabalhadores pediu à administração da Maconde para ali criar uma creche. “Nessa altura, este edifício estava abandonado”, recorda a vice-presidente da Associação Maconde, Olga Domingues, que também integrava a comissão de trabalhadores que despoletou este processo.
Não houve vontade da empresa investir na proposta dos trabalhadores, que então se viraram para a Câmara Municipal de Braga e para a Segurança Social.
“Juntamos a câmara, a Maconde e a Segurança Social e estabelecemos uma parceria para usarmos este edifício”, recorda Manuel Pinto, lembrando que foi a câmara que financiou as obras necessárias.
As obras começaram em 1987.
A creche inicia a sua actividade em 1993, já com a instituição criada formalmente. “Tivemos que nos constituir como IPSS para poder abrir a creche. Foi uma exigência da segurança social. Além disso, a creche não recebia apenas os filhos dos trabalhadores da Maconde, estes representavam cerca de 50% da nossa capacidade. Recebíamos também muitas crianças de Maximinos e localidades vizinhas”, recorda Manuel Pinto.
Anos depois, a fábrica Maconde fechou as portas (em 2006), mas a Associação continua de boa saúde e com muitos projectos, investindo na requalificação do edifício e lançando-se na certificação dos seus serviços.
O fecho da Maconde complicou um pouco a vida da instituição, desde logo porque “a administração tinha hipotecado este edifício”, explicou Manuel Pinto, acrescentando que tiveram de negociar com a banca a compra do edifício que ainda está a ser pago.
Manuel Pinto e Olga Domingues olham para trás e constatam que valeu a pena tanta luta, pois hoje esta instituição além da creche tem outras valências de apoio à infância: jardim de infância e ATL de 1.º e 2.º ciclos em todas as m
odalidades — pontas, pontas com almoço, clássico (manhã ou tarde), clássico com almoço.
São perto de duas centenas de crianças que frequentam diariamente a instituição: 45 na creche; 67 no jardim de infância; e 81 no ATL.
Ao contrário da maioria das IPSS, a Maconde ainda não sentiu dificuldades no ATL, embora o presidente da Direcção admita que elas também aqui hão-de chegar. A Maconde procede também ao transporte das crianças entre a escola e a instituição. “Fazemos o transporte da EB 2,3 Frei Caetano Brandão, a das EB 1 de Maximinos, Ponte Pedri-nha, S. Vicente e Real”, referiu.
Instituição requalifica edifício em três fases
Está já em curso uma profunda requalificação o edifício-sede da Associação Maconde. As obras vão realizar-se em três fases, sendo que as duas primeiras representam um investimento na ordem dos 350 mil euros.
A primeira fase, já em curso, irá requalificar toda a parte exterior do edifício e conta com um apoio de 75 mil euros ao abrigo do Fundo de Socorro. No total, vão ser gastos nesta primeira intervenção 125 mil euros. “Temos consciência de que este edifício está com um aspecto exterior horrível. Muita gente até pensa que está devoluto”, admite o presidente da Direcção, Manuel Pinto.
No âmbito da primeira fase, já se procedeu à substituição de todas as janelas antigas (e são bastantes) por janelas de alumínio, Vai ainda ser realizada uma intervenção profunda no telhado, mas só no Verão para aproveitar as condições atmosféricas mais favoráveis à realização deste tipo de obras.
Numa segunda fase, orçada em 225 mil euros (comparticipados pela Medida MASES a 65%), vão ser realizadas obras na cave do edifício, uma vez que esse piso térreo está actualmente totalmente desaproveitado. “Vamos passar a cozinha, o auditório polivalente e os gabinetes de serviço para este piso desocupado. Isso vai permitir-nos ampliar a creche, uma intervenção que já se realizará numa terceira fase e para a qual ainda busca-mos apoios”, revelou Manuel Pinto.
Requalificar a creche e ampliar as respostas a este nível é uma preocupação desta IPSS que actualmente não consegue satisfazer todos os pedidos dos pais. “Na creche, temos actualmente trinta crianças em lista de espera”, revelou Olga Domingues, lembrando que existem 35 crian-ças nesta valência. “No pré-escolar a lista de espera também é significativa”, acrescentou a vi-ce-presidente, justificando a necessidade da terceira fase das obras.
Olga Domingues refere que a Maconde nunca precisou de publicidade, pois “ a satisfação dos pais é o cartão de visita”. Quando a requalificação estiver concluída, a IPSS avança com a certificação dos serviços. Actualmente, está a implementar o sistema HACCP.
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