O movimento palestiniano Fatah tomou a decisão estratégica de lançar uma terceira Intifada contra Israel, desta vez pacífica, em resposta ao fracasso do processo negocial, informou hoje o jornal em árabe Hadith Anas.
Segundo fontes do Conselho Central do Fatah, citadas pelo jornal da cidade de Nazaré (de maioria árabe e a norte de Israel), a decisão foi tomada durante a sexta convenção do partido, que decorreu em Belém em Agosto.
Um dos dirigentes do Comité Central explicou ao semanário que a terceira Intifada terá uma ampla base popular e será dirigida contra os símbolos da ocupação na Cisjordânia, como os colonatos.
'A intenção é que milhares de palestinianos se manifestem diariamente ao lado dos colonatos. Rodearemos os colonatos com uma cadeia humana e pediremos o final da ocupação', disse um dirigente do Conselho Central, que não quis ser identificado.
A opção de um novo levantamento popular é falada em círculos políticos palestinianos desde que as negociações com Israel entraram num impasse em finais de 2008.
Segundo o jornal, o presidente da Autoridade Palestiniana (ANP), Mahmud Abbas, deu a sua aprovação 'de princípio' à ideia, com a condição de não ser uma Inti
fada armada como a que abalou a região entre 2000 e 2005, na qual morreram cerca de 4000 palestinianos e 1000 israelitas.
Pelo contrário, trata-se de recuperar o princípio do levantamento popular da primeira Intifada, entre 1987 e 1993, da qual a imagem internacional de Israel saiu prejudicada devido à repressão de civis, entre eles muitos rapazes, que lançavam pedras aos soldados.
Ainda segundo o jornal, a anunciada decisão de Abbas de não se candidatar a uma reeleição e as suas ameaças de se demitir podem fornecer as condições para o levantamento.
Em declarações hoje ao serviço em árabe da estação britânica BBC, o presidente da Autoridade Palestiniana pronunciou-se no mesmo sentido do jornal.
'Quem tem que fazer resistência é o povo e há vários tipos de resistência, como a de Bilin e Nahalin', disse Abbas, referindo-se aos protestos populares semanais contra a construção do muro na Cisjordânia.
Nos últimos dias, fontes do Fatah, o partido de Abbas, manifestaram-se a favor da multiplicação dos protestos em ambos os locais e mesmo noutras zonas da Cisjordânia para forçar Israel a cessar a colonização, exigência da Autoridade Palestiniana para voltar à mesa das negociações.
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