Universidades: Adaptação a Bolonha concentrou mestrados e doutoramentos nas escolas públicas

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Lusa

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As instituições de ensino superior portuguesas conseguiram adequar a oferta ao Processo de Bolonha, o que diminuiu a criação de novos cursos do 1.º ciclo (licenciaturas) e concentrou os mestrados e doutoramentos nas universidades públicas.

Estas são conclusões da análise exploratória aos relatórios da aplicação do Tratado de Bolonha, hoje apresentada na Universidade de Aveiro por António Magalhães (do Centro de Investigação de Políticas do Ensino Superior), no seminário “O Processo de Bolonha em Portugal: Presente e Futuro”.

O Tratado de Bolonha foi assinado há 10 anos com os objectivos principais de promover a mobilidade e a empregabilidade, fomentar a coesão e o desenvolvimento europeus através da cooperação transnacional e promover a atractividade internacional do sistema Europeu do ensino superior.

Exemplificando com os relatórios de quatro universidades - Aveiro, Minho, Coimbra e Lusófona -, a análise conclui ter havido uma 'clara contenção' ao nível do 1.º ciclo e um aumento significativo da pós-graduação.

Na Universidade de Aveiro, no ano lectivo 2007/08, a oferta formativa foi constituída por 48 cursos de 1.º ciclo (apenas um resultou da criação de uma nova licenciatura), 67 de 2.º ciclo (38 foram criados de novo e 29 adequados) e 25 de 3º ciclo (nove dos quais em parceria).

No mesmo período, a oferta da Universidade do Minho foi de 31 licenciaturas, 60 mestrados, 12 mestrados integrados (2.º ciclo) e 12 cursos de 3.º ciclo (doutoramentos).

A Universidade de Coimbra ofereceu 46 cursos de 1.º ciclo, 74 do 2.º ciclo e 22 do 3.º ciclo.

Já a Lusófona teve uma oferta de 43 cursos de 1.º ciclo, seis deles novos, 56 de 2.º ciclo, sendo que 35 foram criados de novo, e 22 do 3.º ciclo.

A avaliação feita é, em geral, positiva, e mesmo lisonjeira para os esforços de adaptação das universidades e institutos a Bolonha, mas sem os “triunfalismos” dos relatórios iniciais.

'O 'tempo político', ou seja, a meta de 2010, não coincide com o 'tempo académico' necessário à implementação de facto do Processo de Bolonha, sobretudo a mudança para um paradigma centrado na aprendizagem e no estudante”, lê-se no domunento hoje apresentado.

'É sempre difícil mudar as pessoas e as instituições. Tais mudanças, para serem profundas e significativas, requerem recursos financeiros e humanos, requerem tempo para serem interiorizadas na cultura e na prática institucional”, dizem os autores do relatório na parte referente à Universidade do Minho.

A Universidade de Coimbra é aquela que menciona mais dificuldades na adaptação a Bolonha. Neste caso são apontadas dificuldades no acolhimento dos novos estudantes devido ao calendário de colocação dos candidatos ao ensino superior e de coordenação do acolhimento dos alunos oriundos de países lusófonos ou de outras instituições.

Foram também apontadas dificuldades na conciliação das tarefas docentes com as de investigação e outras relacionadas com a ausência de mudanças significativas na organização lectiva e de contagem da carga horária dos professores.

São ainda referidos problemas a nível da aplicação correcta do sistema de créditos, além de haver queixas por o material informático não ser adequado e o financiamento ser insuficiente.

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