Pedro Leite: Há mercado para comércio de rua e grandes superfícies comerciais

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José Paulo Silva

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P - Passado um ano sobre a abertura do centro comercial ‘Nova Arcada’, que balanço faz?
R - Quando cheguei, em 2015, era evidente e notório algum cepticismo relativamente à abertura do centro comercial mas, paralelamente, havia uma grande expectativa. As pessoas sentiam que Braga merecia um outro centro comercial. Havia dúvidas, porque houve sucessivos adiamentos da abertura. Havia a expectativa de saber se a ‘Sonae Sierra’ seria capaz de alavancar o projecto e de que forma criaria alguma coisa capaz de acres- centar algo mais à cidade de Braga. Passado um ano, o sentimento que eu tenho é que vencemos o cepticismo e estamos a ir de encontro às expectativas que as pessoas tinham em relação a um novo empreendimento.

P - Não estão no centro da cidade de Braga. Isso, de alguma forma, é uma dificuldade para estabelecer uma relação com os bracarenses?
R - Não. Há, obviamente, a questão de as pessoas incluirem novas rotinas no seu dia a dia. Nós vivemos na terceira cidade do país e na cidade que mais cresce nas últimas décadas. Não vejo que questão da distância seja um problema.

P - Criaram uma parceria com os Transportes Urbanos de Braga (TUB) para terem um ligação de transporte público até ao centro da cidade...
R - Conseguimos, logo na fase de arranque, transmitir às pessoas a ideia de que era fácil e confortável cá chegar. A parceria tem-se vindo a aprofundar com a inclusão de um ‘shuttle’ que faz o percurso entre a Avenida Central, a Universidade do Minho e o ‘Nova Arcada’ que proporcionamos gratuitamente e que desmistifica a noção de distância e alimenta a ideia de que o uso de transporte público é benéfico.

P - Um dos trunfos do ‘Nova Arcada’ foi a loja IKEA?
R - Foi importantíssimo. Foi um grande desbloqueador. Incutiu confiança no projecto. Fez com que os outros operadores se sentissem mais tranquilos e com mais confiança.

P - Foi um trunfo negociado pelo grupo ‘Sonae Sierra’? Foram vocês que foram buscar a IKEA?
R - Fomos lançar o desafio à IKEA. Penso que Braga não estaria nas cogitações de expansão da IKEA. O empreendimento ‘Nova Arcada’ precisava de algo muito diferenciador.

P - Até pela história que teve antes da abertura, de sucessivos adiamentos? Um caso como este não faria certamente parte dos manuais do seu curso de Contabilidade e Gestão...
R - Não há nada que nos prepara para isso.

P - A marca IKEA foi essencial?
R - Sem dúvida nenhuma. Foi um trabalho de grande perseverança da Sonae Sierra. Os responsáveis da IKEA, a partir de determinada altura, começaram a pensar que seria possível. A loja IKEA do ‘Nova Arcada’ é atípica. Está totalmente integrada num centro comercial. Para eles também foi um grande desafio.
P - Há também a questão da entrada no mercado espanhol.
R - Percebemos claramente que a IKEA tinha essa força de captação de clientes e que isso seria crucial para o ‘Nova Arcada’. Isso tem-se comprovado ao longo deste primeiro ano.

P - Tem ideia do peso dos clientes espanhóis?
R - Não tenho um número concreto, porque a contagem de pessoas não distingue nacionalidades. Mais importante do que os números é sentirmos. Aos fins-de-semana e nas épocas festivas em Espanha, é por mais evidente a afluência de galegos a Braga. Essa era uma aposta muito clara que evidenciei há um ano: o ‘Nova Arcada’ vai ter capacidade de captar novos clientes para Braga, vai conseguir acrescentar valor a Braga.

P - Essa perspectiva concretizou-se?
R - Concretizou-se e vai aprofundar-se. Há medida que o ‘Nova Arcada’ fizer a sua evolução, vai reforçar essa ligação com o mercado galego.

P -  Na inauguração do ‘Nova Arcada’ apontou a meta dos sete milhões de visitantes no primeiro ano de actividade. Foi atingida?
R - Ultrapassámos os seis milhões, não chegámos aos sete milhões. É um número que nos dá conforto, que nos deixa satisfeitos. No ano de arranque, com as vicissitudes pelas quais passou o empreendimento, sendo Braga um mercado comercial muito forte...

P - E com uma forte concorrência comercial?
R - Fortíssima. Quer da parte de outros centros comerciais, quer do próprio centro da cidade. Sempre ouvi dizer, nos últimos anos, que o comércio no centro da cidade de Braga não é forte. Poderão dizer que não é tão forte como já foi, mas continua a ser muito forte. O centro de Braga tem uma força cultural, uma capacidade de atracção de pessoas que é um caso muito particular.

P - Como é que o ‘Nova Arcada’ faz a ligação com a cidade?
R - Há duas vertentes. Há a vertente mais comercial e de lazer: não pretendemos ser apenas uma central de compras, uma catedral de consumo, mas também proporcionar momentos diferenciadores aos visitantes. Isso passa pela oferta comercial e pela realização de acções. Tivemos momentos mais marcantes como o circo ‘E-volution’. A segunda vertente, que não é objecto de interesse publicitário, é o apoio a instituições da cidade. Neste momento temos uma exposição sobre a Via Sacra de Maximinos, uma outra forma de nos envolvermos com a cidade. O centro comercial está de portas abertas.
P - O próprio nome do centro comercial remete para o centro da cidade.
R - Nós queremos ser um novo ponto de encontro, apesar de sabermos que temos ainda percurso a fazer. O outro ponto de encontro, a Arcada, vai continuar a existir, e ainda bem. Eu próprio gosto muito de lá ir e irei continuar a ir. Mas o ‘Nova Arcada’ é uma alternativa.

P - Pode não se entender bem esse poder de atracção do centro de Braga com um certo discurso contrário ao surgimento de grandes superfícies comerciais por parte dos representantes do comércio de rua. Como lida com esse discurso?
R - Eu não senti nenhuma animosidade por parte dos representantes do comércio local. Reli, há muito pouco tempo, uma entrevista do presidente da Associação Comercial de Braga em que ele dizia que o problema não era a abertura do ‘Nova Arcada’, mas que os comerciantes deveriam unir-se e articular-se para serem melhores. Volto a referir: quanto mais forte for o centro da cidade, mais o ‘Nova Arcad’a tem de fazer por ser melhor. E vice-versa.

P - Considera que há mercado para um comércio de rua dinâmico e para as grandes superfícies comerciais que existem?
R - Honestamente, penso que sim. O ‘Nova Arcada’ não se cinge ao mercado de Braga. A nossa aposta foi sempre Braga, Minho e Galiza. Eu acho a capacidade de captação do ‘Nova Arcada’ fará com que as pessoas venham mais vezes a Braga. Ness sentido, o comércio tradicional também vai beneficiar.
P - Em Novembro de 2016, abriram as salas de cinema do ‘Nova Arcada’. Têm o público suficiente ou o desejado nesta altura?
R - Nunca temos o público suficiente ( risos). São doze salas de cinema que marcaram uma diferença no ‘Nova Arcada’. Há mais ofertas de cinema em Braga, mas as pessoas têm vindo a preferir o ‘Nova Arcada’. Temos salas equipadas com o som 360º.

P - São essas as mais procuradas?
R - Sem dúvida. Também a sala ‘Blue Diamond’, com menus, onde as pessoas podem jantar enquanto vêem um filme tem tido uma procura crescente. O acréscimo de conforto e diferenciação foi uma das razões pelas quais as salas de cinema não abriram mais cedo. Não me parece sequer que no Porto ou em Lisboa exista um complexo de cinemas como o que existe aqui em Braga

P - O ‘Nova Arcada’ tem os espaços de loja todos ocupados?
R - Temos uma taxa ocupação de 96 por cento. Não temos a pressão de rapidamente preencher espaços. Vamos preenchê-los com calma, com a preocupação

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