Correio do Minho

Braga, sexta-feira

Viana, 760 anos

Pecado Original

Escreve quem sabe

2018-06-08 às 06h00

Carlos Alberto Cardoso

Na próxima semana, Viana celebra 760 anos da outorga do Foral pelo quinto rei de Portugal, D. Afonso III, uma das personagens mais marcantes da história nacional. Filho mais novo de D. Afonso II, adivinhou a vocação marítima da foz do Lima, outorgando-lhe Foral a 18 de Junho de 1258, ao fazer uma Póvoa, no lugar chamado Átrio, na foz do Lima, à qual de novo imponho o nome de Viana. (). Uma vila notável, como a designava D. Sebastião, classificando-a como uma das mais nobres e de maior rendimento do reino. À época dos Descobrimentos, Viana já possuía uma dinâmica invejável, sendo o porto de Viana o terceiro mais importante do país. A frota do bacalhau enriqueceu esta dinâmica, ao ponto de D. Maria conceder o título de cidade de Viana do Castelo. Assim se desenvolveu uma povoação na foz do Lima, agarrada à economia do mar até aos dias de hoje. Viana é hoje uma cidade atrativa, rica de património edificado e natural, onde as suas gentes são as personagens que marcam o nosso tempo. É dificil resistir ao encanto desta cidade, dos seus edifícios, onde os estilos manuelinos, barroco ou art déco se cruzam num contexto artístico e cultural do modernismo inscrito no compêndio da história da arquitetura portuguesa.

Hoje, Viana do Castelo é uma cidade monumental, com um dos centros históricos mais bem conservado do país, acrescida de uma relação com o mar e o rio, que sustentam a designação de cidade náutica.
A sua beleza natural e as suas gentes atraem forasteiros a visitar, a investir ou mesmo a viver. Sinto-me como o cavaleiro que, ao ver a bela princesa que amava, gritou: Vi Ana!.
Estive em Viana nas comemorações dos 750 anos, há 10 anos, e posso dizer que Viana mudou muito e para melhor. Ao integrar os diversos projetos e programas de requalificação urbana e ambiental, Viana deu resposta a um dos seus problemas como cidade: a regeneração urbana. Hoje, este trabalho está bem visível nas ruas e ruelas, onde a luz clara revela todo o esforço feito e resultados alcançados. Aquele que mais me impressiona é o calcurriar da cidade pelos turistas que tem vindo a crescer acima dos dois digitos e que deixa antever um crescimento sustentado do turismo.

Viana do Castelo é um exemplo na reabilitação urbana, mas também na preservação da sua identidade e da sua cultura de cidade do litoral norte. A captação de investimento nestes últimos dez anos trouxe a Viana tempos prósperos, com mais empresas, mais empregos, mais exportações, mais responsabilidade. A aposta na inovação e no conhecimento abre portas a um futuro diferenciador e, sobretudo, sustentável. As novas gerações podem orgulhar-se da sua herança e da visão do seu fundador, mas de todos aqueles que têm trabalhado e dedicado a sua vida a preservar, a reinventar e a ajustar Viana ao seu tempo.
D. Afonso ao fazer uma Póvoa, no lugar chamado átrio, garantiu uma das maiores riquezas do norte. O coração também tem átrio ou aurícula, por isso a sua marca faz todo o sentido.
Viana terá cada vez mais um papel preponderante na economia regional e nacional, pois esse é o papel que lhe cabe na história. Foi assim no passado e será assim no futuro.
Que a sua refundação esteja em curso por mais 760 anos. Parabéns, Viana do Castelo!

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