Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Um guia para a revitalização e modernização do pequeno comércio

O mito do roubo de trabalho

Escreve quem sabe

2018-05-04 às 06h00

Rui Marques

No passado mês de abril, a Comissão Europeia publicou um importante Guia destinado a promover a revitalização e a modernização do pequeno comércio. O guia é dirigido às autoridades locais dos Estados Membros e apresenta um conjunto de sugestões práticas sobre a forma como estas podem ajudar os pequenos retalhistas a adotar mudanças tecnológicas e a enfrentar os desafios do futuro.
Cada solução é ilustrada por exemplos concretos, recolhidos a partir das melhores práticas em toda a UE e que podem ser transferidos para o contexto local de cada território. Uma das vinte boas práticas europeias identificadas pela Comissão Europeia é a iniciativa “I Shop Braga” – uma plataforma de comércio eletrónico promovida pela Associação Comercial de Braga. Trata-se de uma distinção importantíssima que demonstra que Braga está na vanguarda do melhor se faz em defesa do pequeno comércio, não só em Portugal, como na Europa.
O Guia propõe 5 áreas de atuação fundamentais, num modelo em pirâmide, em que na base temos as medidas mais generalistas e no topo as medidas mais específicas.

1. Melhorar a infraestrutura tecnológica pública
A tecnologia e as ferramentas digitais podem ajudar os retalhistas a adotar técnicas mais modernas e eficazes de gerirem os seus negócios e ajudá-los a conectarem-se com os seus clientes atuais e potenciais clientes. Num mundo cada vez mais ligado à internet, disponibilizar algumas informações básicas acerca das lojas – como a morada e o horário de funcionamento – pode significar um aumento considerável do número de visitantes.
Assim sendo, para incentivar o pequeno comércio à digitalização do seu negócio e à adoção de novas ferramentas digitais, devem as autoridades locais providenciar uma adequada infraestrutura pública de suporte à utilização de tecnologias digitais. As ações no terreno podem passar pela disponibilização de uma rede pública gratuita de acesso, via Wifi, à internet e pela sinalização da oferta comercial existente em diretórios de lojas, seja em suportes físicos ou digitais.
2. Partilhar a informação certa com os comerciantes
A disponibilização de informação relevante à comunidade empresarial para que esta possa definir as suas estratégias comerciais com base em factos e não apenas na sua intuição, é um processo absolutamente crucial para o desenvolvimento da atividade comercial e para o reforço da competitividade de qualquer cidade face às suas concorrentes.
Em gestão costuma-se dizer que quando não sabemos para onde ir, qualquer caminho serve. Por isso, é fundamental que as cidades sejam capazes de criar um sistema de informação de suporte à atividade comercial que compile informação relevante para a tomada de decisão dos empresários existentes e dos potenciais investidores. A informação a disponibilizar poderá contemplar: mapeamento da oferta comercial existente e das lojas devolutas; estatísticas mensais acerca das transações efetuadas em terminais de paga- mento automático nos estabelecimentos comerciais e levantamentos efetuados em ATM; monitorização dos fluxos pedonais nas principais ruas comerciais; etc.
3. Construir uma comunidade sólida de comerciantes
A competitividade do pequeno comércio passa, cada vez mais, pela sua capacidade de cooperação e pelo seu espírito associativo, de forma a poder beneficiar de efeitos de escala e de outras sinergias que lhe permita ser mais competitivo face aos players globais. Para consolidar esta comunidade, é necessário que se estabeleça uma forte rede de parceiros que partilhe oportunidades, ideias e conhecimento. De igual modo, é importante que se desenvolvam, com regularidade, ações coletivas de promoção e dinamização do pequeno comércio, que unam empresas em torno de objetivos comuns, transformando as empresas que concorrem habitualmente entre si em parceiros de negócio.
Assegurar o envolvimento dos empresários, através das suas associações representativas, nos processos de definição de políticas publicas é, também, uma das áreas que as autoridades locais devem ter em consideração como forma de envolver e responsabilizar o tecido empresarial nos processos de governação e na prossecução das suas políticas públicas.
4. Facilitar a adoção de tecnologias digitais e apoiar o desenvolvimento de competências digitais
Os retalhistas necessitam de aumentar as suas competências digitais para se adaptarem à era digital e para poderem tirar proveito das ferramentas digitais que hoje têm à sua disposição. Para o efeito, é necessário que se proceda à qualificação e capacitação dos pequenos comerciantes e dos seus colaboradores ao nível digital e da utilização de tecnologia para melhorar a experiência de compra. Este processo deve considerar a organização de seminários e workshops, ações de formação especializadas, serviços de consultoria persona- lizados e a disponibilização de guias de boas práticas acerca do uso mais adequado das ferramentas digitais disponíveis para o setor.
5. Promover soluções conjuntas de promoção e de marketing, fomentando as vendas e a visibilidade dos pequenos comerciantes
No topo da pirâmide das soluções apontadas pela Comissão Europeia, está a promoção de uma unidade de gestão coletiva do comércio do centro das cidades, orientada para a promoção de ações de promoção e de marketing dos estabelecimentos comerciais, que procure aumentar a lealdade dos clientes daquela comunidade e aumentar a notoriedade e visibilidade dos empresários aderentes.
É, precisamente, a este nível, que o Guia aponta a plataforma “I Shop Braga” como uma boa prática, pelo facto de envolver a participação de um conjunto alargado de pequenos comerciantes numa plataforma eletrónica de promoção do comércio de Braga.
Com esta plataforma a ACB quis criar um novo paradigma para o comércio de Braga. Um paradigma em que, se o cliente não vem à loja, a loja vai a casa dele. Um paradigma em que a oferta comercial se conjuga de forma coletiva, através de uma rede de empresas associadas que partilha custos e benefícios. Um paradigma assente na globalização do mercado – “de Braga para o mundo”. Em resumo, um paradigma que pretende reinventar a forma de fazer negócio do comércio local com as oportunidades que lhe são proporcionadas pela Internet, procurando alavancar o negócio dos seus aderentes quer no canal online, quer no canal offline, assumindo-se como um meio privilegiado de divulgação e de atração de consumidores para o comércio de Braga.
Para além das dimensões acima referidas, a Comissão Europeia indica, adicionalmente, outros domínios relacionados com o contexto da atividade comercial em que os Estados Membros podem e devem efetuar progressos para criar um setor retalhista mais aberto, integrado e competitivo, nomeadamente através da redução das restrições ao funcionamento dos estabelecimentos comerciais, bem como na facilitação e simplificação dos processos de criação e licenciamento de novos estabelecimentos comerciais.

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