Correio do Minho

Braga, quinta-feira

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Sobriedade

A sociedade e os comportamentos

Sobriedade

Ideias

2019-06-09 às 06h00

José Manuel Cruz José Manuel Cruz

A Direita está em crise, diz o PR. É o sistema político que atrofia a Nação, diz Rio. Portugal está connosco, diz o PM, exalando conforto, a um passinho da maioria com um PAN lêvedo.
E eis que aterram os prémios da TAP. Aterrorizado, Costa balbucia um antídoto encantatório: que os bónus são incompatíveis com os padrões de sobriedade, diz. Costa é experto em feitiços e contramaldições, assimilados sob segredo alquímico nos baixos do PS, verdadeira hogward da sociologia política portuguesa. O PS não tem nada a ver com o assunto, até é contra, e se a esposa do Medina pontifica entre os bonificados, isso é de somenos: cônjuge errado, à hora errada, em local errado. Azares!
Um pequeno detalhe. Refere-se, a gratificação extra, aos desempenhos de 2018, ano de ingresso e trabalhado a pouco mais de metade. Esta é das tais coisas que só acontecem a bafejados pela graça divina: um rebuçadinho de avenca, logo na estreia. É obra.
Habituem-se, diz o secretário-de-estado, os transportes públicos são mesmo assim. A vantagem é que aproxima as pessoas, inundando-as de calor humano, suores e vapores de outras proveniências. E digam lá se não é um alívio chegar a casa! Pequena polémica sobre as condições de viagem, no metro lisbonense, na fertagus e restantes dispensadores de torturas em ambulatório. Sobrou para comparação com grandes metrópoles: Lisboa, finalmente, entre as maiores. Se não me engano, é o governante que circula de modesto carro alemão, cedido pela metro da capital. O protocolo é legal, consta. Só mais faltava que não fosse.
E depois vem a teia, ou a operação de tal modo baptizada. Teia, ou alcateia, designação que também cairia mimosamente em malta que ataca em bando organizado. E os salteadores de rotunda, herdeiros encartados dos longínquos embuçados de quatro-caminhos? E o Constâncio, que sempre teria aprovado o que era natural que ainda lembrasse, à distância de uma dúzia de anos, dada a natureza estapafúrdia do arranjo entre a CGD, o Berardo, e alguém mais por trás da cortina.
Rio está enganado: não nos confrontámos com um défice de regime. Os círculos uninominais não garantem mais democracia, e as cadeiras parlamentares vagas seriam uma execração. Quanto aos círculos uninominais, a França, que os tem, padece de similar distanciamento, tanto que há quem reclame a representação proporcional, que tão mau serviço tem prestado entre nós. Nenhum regime sobrevive aos embusteiros que se alapam e sugam quanto podem, distribuindo lições altaneiras de moral republicana.
A falta de empatia é mesmo a condição excludente de quem aspira a cargos públicos, mas é natural que esses sejam os que chegam ao topo da cadeia alimentar. O canibalismo é praticado alegremente nas estruturas partidárias, a coberto de uma noção de política muito particular: come, para não seres comido! Pena, quando de Plauto demonstram só conhecer a máxima de que o homem é lobo para o homem. Que se consolem, com cada pedaço arrancado a terceiros. Que estourem, de todas as doenças da abundância, e de egos em excrescência cancerosa.
Rio pode saber umas coisas, Rio pode ter uma ideia luminosa para o País, mas afigura-se uma nulidade a fazer oposição. O PSD faz lembrar aquelas equipas dessintonizadas, que correm muito, mas chegam sempre atrasadas à bola, acabando arrasadas e com uma cabazada às costas. Já Costa, é um Messi da finta política: com que à vontade não se penitencia, de quanto esteve fora dos seus radares! E nós acreditamos. Ele há casos em que o crime compensa. Nada na mão, nada na manga – opa! Já está!

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