Correio do Minho

Braga, terça-feira

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Setembro

Vamos falar de voluntariado…

Setembro

Ideias

2019-09-01 às 06h00

José Manuel Cruz José Manuel Cruz

Passamos o pino do Verão de credo na boca, pendia uma greve de motoristas, e o assunto poderia complicar-se. Quanto quis, o porta-voz sindical teve palco para dar forma a retórica apardalada, o contraparte dos patrões repetiu-o em negativo, o governo foi dizendo que não ficaria de mãos atadas.
O balão da sanha contestatária dos camionistas furou com dose cavalar de serviços mínimos, com requisições civis e a irrupção de tropas de assalto, vacina e complemento terapêutico de patente geringoncista – contra a greve era o bom do PS, sendo genericamente a favor de todos os levantamentos de rancho operários, o santíssimo PCP não ia com a paralisação, pelo cariz sectário da iniciativa, o BE, venturoso, fez flores, sem grande alarido, por nenhum racional fracturante encontrar nas pretensões dos homens da rosca.
A greve foi garroteada pela esquerda e a Nação, agradecida, respirou de alívio.
Os diferendos insanáveis, as discussões intermináveis, têm esse carácter distintivo, o de ninguém dizer a verdade, o de ninguém ver senão a fatia que lhe interessa, levando a exageros a razão parcial que lhe assista. Não creio que o governo desconheça esta máxima, assim como não creio que que este leque de ministros e secretários admita que incorreu em imparcialidade. Assinalo que é mais confortável ir ao encontro de quem tem o queijo, do que daquele que avança a fome.
Contestação em suspenso, greve em coma induzido, que em Setembro haveria mais – aos fins-de-semana e feriados, às horas extra. Governo que faz constar que nova tranche de serviços mínimos será excretada. Boato, que a Media amplifica, sem procedimentos de neutralização? Qual é o horário normal dos putativos grevistas? Os fins-de-semana constarão como uteis? Se o não são, em nome de que preceito republicano se nacionalizariam, em proveito de privados, os lazeres de um segmento dos assalariados? Rio expressou reservas e eu, correndo por fora, estou na mesma prova.
Esqueçamos os transtornos que uma greve acarreta, seja ela de motoristas, de enfermeiros, etc. Centremo-nos em questão muito prosaica: ganha-se bem, em Portugal, de modo geral?
Sustenha o leitor a resposta, e pense em estatística execrável, aquela que atesta que, nem a trabalhar, parte significativa dos nativos ultrapassa o limiar da pobreza. Depois, bem, protesta quem tem capacidade de fazer mossa. Gostamos? Não! Mas não gostaremos, também, dos desconchavos em torno do «país pobre e sem recursos», dos libelos ofensivos da produtividade, do circo de feras em que o menor é comido, sistematicamente.
Vitimiza-se, o PS, com protestos que não pode debelar nem satisfazer. Invoca o superior interesse do Povo, para execrar e inviabilizar as exigências de castas profissionais com potencial paralisante. Acena com cotações e figurões estrangeiros para açaimar quem queira mais do que a bucha: é o Passismo sem Passos. Continuamos na senda do aluno diligente de mestres que nos decantam equações pelas quais declinariam viver.
As greves são uma espécie de ressonância magnética – mostram o que muitos gostariam que continuasse oculto, razão pela qual são sobejamente incómodas. Nesta, esperneiam, os grevistas, com roteiro de dúbio membro, estrebucham os patrões, plissa o governo: e se entrasse em jogo o ministério público? Encontre-se uma ninhice para amortalhar o sindicato!
Alto! Os estatutos e os órgãos sociais foram constituídos com vícios, e tal foi em bom tempo aceite? Mistério!
Numa tarde se refará a limpo o sindicato e, para as mesmas reclamações, lá teremos a mesma santa aliança: governito-patrãozito.

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