Correio do Minho

Braga,

Será só fumaça?

Escrever e falar bem Português

Correio

2010-05-10 às 06h00

Leitor

O Povo é sereno. Foi com esta interjeição que o Almirante Pinheiro de Azevedo, se dirigiu à multidão que se encontrava no Terreiro do Paço (diria mesmo ao país) numa situação de particular fervor político. Rematando a primeira das sentenças com um singelo é só fumaça.

Hoje, a expressão proferida pelo então primeiro-ministro encontra-se vulgarizada pelo uso repetido e sobretudo pelas inúmeras metáforas que ao longo dos tempos foi dando ensejo - mas mais do que o gasto da utilização encontra-se cansada pela vulgarização a que foi acometida. Porém, a réplica e reprodução são uma boa escola, não haja dúvida de tal, e por terras lusas de tanta serenidade nos ser transmitida por palavras, acabamos por assumir uma postura condizente com o discurso instituído.

Cabe aqui, contudo, o momento de desfazer a preconcepção que nos tem assombrado a existência, e para tanto utilizo um exemplo generalista, embora não lhe faltem casos particulares de ilustração: a corrupção no meio político. Antes de mais esclareço: não tenho com isto o objectivo de apontar o dedo à esquerda ou à direita, até porque o tempo nos tem provado que a corrupção é transversal à cor política, com a devida ressalva para quem com verdade e honestidade se aplica no seu dever público.

A oligarquia do poder político assume neste exemplo traços de uma perversidade e devassidão pública, que tocam a promiscuidade intelectual dos seus intervenientes, independentemente de existir ou não prova possível do acto de corrupção. E digo-o em espírito consciente: a forma altiva com que as individualidades têm assumido a sua posição perante a sociedade é marcadamente de desrespeito.

A postura descomprometida com que se trata a coisa pública e, sobretudo, o cargo público, caminha rapidamente para a ruptura e, nesse momento, não esperemos que o povo seja sereno. Porque não o é. Acha-se anestesiado por uma invulgar democracia que caminha de forma eloquente para a meia-idade, e que assumiu contornos de rebeldia juvenil até aqui. Mas a paciência tem limites, e não se espera que uma senhora com os olhos nos 40 se deixe a loucuras a cada dia que passa.

Nicolau roque

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