Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Santos populares e seus festejos

Bernardo e Maria

Ideias

2019-06-18 às 06h00

Jorge Cruz

O modo como está a decorrer o São João de Braga, por muitos considerado a maior festa popular do país, permite desde já afastar alguns dos receios manifestados aquando da abrupta substituição do presidente da Associação de Festas. Possibilita também demonstrar quão desajustadas e injustas foram as críticas com que Ricardo Rio brindou há anos o seu antecessor.
Embora a apreciação tenha necessariamente que ser muito reduzida – as festas iniciaram-se apenas na sexta-feira passada – creio ser possível retirar desde já algumas conclusões. E creio que as primeiras ilações esvaziam completamente os tais receios, expressos em determinadas leituras apressadas de quantos achavam que a substituição dos responsáveis poderia colocar em risco a operacionalidade organizativa dos festejos.
Firmino Marques, que assumiu a presidência da Associação de Festas numa altura em que o programa das festividades estava praticamente fechado, teve o bom senso de dar continuidade ao trabalho desenvolvido pelo seu antecessor, a quem aliás teceu rasgados elogios públicos. “Fez um trabalho de elevada qualidade" e, nessa medida, “temos um profundo respeito pelas orientações que vinham da equipa de Rui Ferreira", reconheceu em entrevista à RUM.

Não causa, assim, qualquer surpresa a informação de que a nova equipa “assumiu os compromissos que existiam da direcção anterior", naturalmente acrescentando "mais alguma coisa" à programação do São João de Braga no sentido de tentar acrescentar mais fulgor aos já de si brilhantes festejos bracarenses.
Como facilmente se compreenderá, com a herança recebida, ou seja, com a “papinha” toda feita, o risco de fracassar seria mínimo tanto mais que, conforme o novo timoneiro também sublinhou, a nova equipa mantém o mesmo espírito. E mantém, segundo Firmino Marques, porque "qualquer bracarense tem orgulho" nesta tradição. Também porque alterar o que quer que fosse seria correr riscos desnecessários, digo eu.
Creio, portanto, que estão criadas todas as condições para que as festas de São João de Braga repitam, este ano, o amplo sucesso a que já habituaram os bracarenses, em particular, e os portugueses, em geral. Alguns imponderáveis, como eventuais condições climatéricas pouco favoráveis ou até adversas, poderão criar determinados condicionalismos, mas mesmo esses, a surgirem, não serão suficientes para tirar o brilho aos festejos sanjoaninos.

Mas a solução encontrada pelo presidente da Câmara para substituir Rui Ferreira na presidência da Associação de Festas – permuta que continua a carecer de explicações públicas, já que os motivos que a originaram se mantêm omissos -, sendo embora compreensível e até natural, não deixa de surpreender tendo em conta anteriores posições de Ricardo Rio sobre esta matéria.
Se nos lembrarmos das razões invocadas pelo então vereador da coligação de direita para criticar duramente a escolha de Vítor Sousa para a presidência da Associação de Festas percebemos agora quão desapropriada foi a actuação de Ricardo Rio nessa altura. E entendemos porque, quando na oposição, Rio insurgiu-se contra a nomeação, alegadamente pelo facto de se tratar do vice-presidente, circunstância que então considerava potenciadora de promiscuidades indesejáveis (?).

Constata-se agora que a sua tomada de posição foi completamente descabida e nada tinha a ver com os motivos então apontados. Bastou uma alteração da correlação de forças, isto é, uma mudança de circunstâncias, para Ricardo Rio, também neste caso, seguir a linha de actuação do seu antecessor, indicando para a liderança da associação das festas sanjoaninas precisamente o seu vice-presidente. O velho ditado popular diz que o peixe morre pela boca e os homens pela língua e, neste caso, parece servir como uma luva ao presidente da Câmara.


Em maré de festa não seria justo passar ao lado das Marchas de Santo António, evento que a Associação Cultural e Recreativa “Os Bravos da Boa Luz” insiste em organizar com grande sucesso desde há 15 anos.
Atualmente, as Marchas, que se estendem à comunidade escolar da Sé, assumem-se como uma referência na cidade, e procuram dar continuidade aos festejos em honra de Santo António, os quais, segundo pesquisas efectuadas por Evandro Lopes, se comemoram na cidade de Braga pelo menos há 165 anos. O também presidente da Assembleia Geral dos Bravos da Boa Luz baseia-se no facto de os jornais “Commercio do Minho” e “Contribuinte”, datados entre 1854 e 1891, já fazerem eco da festa em honra do santo popular.
Sabe-se, entretanto, que nos anos setenta do século passado as festividades começaram a registar melhorias, designadamente com a realização das Marchas Populares, em 1973, mas essa componente das festas não resistiu à passagem dos anos, vindo a terminar.

E foi precisamente através do inconformismo da Associação Cultural e Recreativa “Os Bravos da Boa Luz” que as Marchas regressaram, corria então o ano de 2004. De então para cá, as Marchas de Santo António saem todos os anos na noite do dia 12 de junho, num desfile de cor e alegria pelas artérias do centro histórico da cidade e perante a assistência de milhares de bracarenses e turistas, como se repetiu este ano.
Aliás, creio que o facto de nem as baixas temperaturas que se fizeram sentir na noite da passada quarta-feira terem afastado as pessoas que pretendiam assistir ao desfile e às exibições constitui a demonstração de que as Marchas de Santo António já são um relevante cartaz turístico de Braga.

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