Correio do Minho

Braga, terça-feira

Saiba mais sobre a Diabetes

Um caminho diferente

Voz à Saúde

2018-04-21 às 06h00

Olinda Marques

A Diabetes Mellitus, vulgarmente conhecida como Diabetes divide-se em vários tipos: Diabetes Tipo 1 (10% dos doentes), Diabetes Tipo 2 (80 a 90% dos doentes), Diabetes Gestacional, que se manifesta pela primeira vez durante a gravidez e que pode persistir após o parto e a Diabetes associada a outras doenças ou fármacos. Trata-se de uma doença crónica em que há níveis elevados de açúcar (glicose) no sangue porque o pâncreas perde a capacidade de produzir insulina. A insulina é uma hormona produzida pelo pâncreas que permite que a glicose que circula no sangue entre para as células e estas a usem como energia. Na Diabetes este equilíbrio fica alterado, a glicose acumula-se no sangue e pode causar complicações graves em vários órgãos, sendo que os mais afectados são o olho, o rim, o coração, o cérebro, as artérias e os nervos dos membros inferiores.

Qualquer pessoa pode vir a sofrer de Diabetes (tipo 1 ou tipo 2) embora existam vários fatores que predispõem a um ou outro tipo. A Diabetes tipo 1 é uma doença auto-imune, em que há destruição total das células do pâncreas que produzem a insulina e como tal não pode ser evitada. Aparece de modo mais ou menos súbito, sobretudo em idades jovens, com sintomas intensos como sede, fome, necessidade de urinar, emagrecimento e fadiga. Para o seu tratamento é necessário administrar insulina diariamente, várias vezes por dia, e ajustá-la à quantidade de alimentos que se vai ingerir. Na Diabetes tipo 2, a insulina é pouco eficaz na sua ação e/ou há uma redução progressiva na produção de insulina. Por esta razão, os doentes são tratados com antidiabéticos orais e podem vir a precisar de insulina. Para o aparecimento da diabetes tipo 2 contribuem vários factores, alguns não modificáveis (idade e a hereditariedade) e outros passíveis de serem mudados (excesso de peso e o sedentarismo). Se forem mudados, em alguns casos doença pode até desaparecer. O aumento da quantidade de gordura corporal agrava a resistência à insulina, ou seja dificulta a sua ação.

Habitualmente, estes doentes têm excesso de peso, os sintomas são mais ligeiros na fase inicial e vão agravando lentamente, pelo que se pode ter já a doença sem o saber. Cerca de um milhão de portugueses tem Diabetes e metade não sabe que a tem. Nas últimas décadas a alteração do estilo de alimentação, com consumo de alimentos muito ricos em açúcares e gorduras, grandes fornecedores de calorias e a redução na ingestão de verduras, legumes e frutas, que além de terem poucas calorias contribuem mais para a saciedade e redução do apetite, leva ao aumento de peso. Por outro lado, utilizamos diariamente tecnologias que, se nos podem ajudar em muitos casos, nos tornam também mais sedentários (carro, elevador, TV, computador). O corpo humano precisa de manter atividade física diária para estar em equilíbrio e ajudar a evitar uma grande parte das doenças crónicas como a diabetes, obesidade, hipertensão arterial, aumento das gorduras de sangue, doenças osteoarticulares e ainda muitas situações de depressão.

Temos atualmente um sistema de saúde altamente diferenciado, de fácil acesso, capaz de diagnósticos atempados e fármacos cada vez mais eficazes. Apesar disso, o sucesso no tratamento das doenças crónicas permanece longe do desejado. Pensamos que um passo importante nesta melhoria estará na mudança de atitude de cada indivíduo face à sua doença. Poder prevenir descompensações agudas ou evitar complicações crónicas significa melhoria da qualidade de vida.

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.