Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Rankings das escolas

Saúde escolar: parceiro imprescindível das escolas de hoje

Voz às Escolas

2018-02-12 às 06h00

Jorge Saleiro

Voltamos, ciclicamente, ao assunto dos rankings das escolas. Dir-se-ia um tema esgotado, de tanto ser repisado, ano após ano, mas, na verdade, todos os anos se renova a polémica, com argumentários pró e contra a sua publicação, com a publicação de inúmeros artigos de opinião sobre a matéria.
O que tem sucedido mais recentemente é que os rankings são publicados mais tardiamente. Inicialmente publicados em outubro/novembro, este ano foi já em fevereiro a sua publicação. Será que veremos o tempo em que os rankings serão publicados no terceiro período?
A primeira razão avocada para atacar os rankings das escolas é por comparar o incomparável. Este argumento, por sistema, refere-se às diferenças entre públicas e privadas. No entanto, também entre públicas e privadas se pode recorrer a este raciocínio. O que não faltam é exemplos de escolas com realidades de trabalho tão distintas que justificariam não produzir rankings.

E, na prática, para que servem os rankings? Será para que os encarregados de educação e os alunos possam escolher mais avisadamente as escolas para o seu futuro? Será, isto possível para todos os alunos, para todos os encarregados de educação? Claramente, não. Existe um fosso entre realidades que impede que tal aconteça. Entre muitas outras, existem diferenças muito assinaláveis relativamente aos recursos disponíveis para que as famílias possam, de facto, escolher, existem diferenças no que diz respeito à real existência de escolha entre, por exemplo, o litoral e o interior, entre as grandes e as pequenas cidades.

Podemos, igualmente, refletir se a permanência da publicação de rankings de escolas é compatível com a publicação e promoção do perfil do aluno à saída do ensino secundário. A aplicação nas escolas deste documento, de filosofia humanista, democrática, solidária e promotora de uma formação integral, dificilmente conviverá com a filosofia subjacente aos rankings que está associada à competitividade, à seleção dos melhores.
Mas, este ano, o debate foi associado, finalmente, a uma outra questão que deve ser discutida e ponderada no futuro próximo. Um tema que une escolas e associações de pais numa mesma dúvida: deverão ser as escolas secundárias e os exames nacionais a determinar o acesso ao ensino superior? Não será o tempo de repensar se este modelo é o que melhor responde às necessidades dos alunos e das instituições de ensino superior?
Hoje em dia, as escolas vivem sob a pressão de preparar alunos para exames. E os alunos vivem, igualmente com esse objetivo em mente. É assim que tem de ser. Os resultados do ensino secundário ditarão o futuro académico de cada aluno.

Mas, notícias recentes dão conta que não deve ser assim. A OCDE, através do seu diretor, Andreas Schleisher, deu conta da tensão vivida nas salas de aula para que se possa cumprir, por um lado, o perfil do aluno, e, por outro, preparar os alunos para os exames. Andreas Schleisher colocou a seguinte questão: devemos ensinar para o mundo de amanhã ou para o exame nacional?
Questionou ainda por que razão os alunos portugueses são os mais ansiosos em relação aos resultados escolares, afirmando que a resposta está na pressão artificial que o próprio sistema cria aos alunos, subordinando o seu trabalho aos exames e ao trabalho em função de resultados, sob a ameaça de retenção.
Eventuais mudanças no sistema de acesso ao ensino superior poderiam trazer alguma estabilidade ao trabalho nas escolas e alguma clarificação ao próprio sistema. Seria, no entanto, um revés para a publicação de rankings e para o seu objetivo.

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