Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Qui veut être Gaza?

O bolo alérgico

Ideias Políticas

2018-04-10 às 06h00

Carlos Almeida

A 30 de Março, o povo palestiniano assinala o Dia da Terra. Pretende, dessa forma, lembrar a ocupação das suas terras por Israel, em 1948, que levou à expulsão de centenas de milhar de palestinianos. Neste dia evocam ainda os 6 palestinianos assassinados em 1976 durante as manifestações e protestos contra a expropriação de terras para a construção de colunatos judaicos.
Neste ano, respondendo ao apelo dos movimentos de resistência, a data foi novamente marcada por revolta e contestação, tendo o povo palestiniano saído à rua para se instalar no corredor ao longo da fronteira entre Gaza e Israel, fazendo prolongar os protestos por 6 semanas. As acções desencadearam na Grande Marcha de Regresso, uma alusão ao cumprimento das resoluções das Nações Unidas que determinam o direito de retorno dos refugiados às suas terras.
A resposta de Israel à adesão em massa dos palestinianos chegou sob a forma de uma violenta repressão, com o seu exército a usar todo o tipo de meios desde drones militares, blindados e tanques, a balas reais disparadas por atiradores de elite - para dispersar os manifestantes. Resultado: dezenas de mortes e mais de um milhar de feridos, entre homens, mulheres e crianças. Mais um massacre que passa incólume aos olhos da comunidade internacional. Mais uma afronta aos direitos humanos, à paz e à liberdade do povo palestiniano.

Neste cenário, não me surpreende, mas indigna-me a ausência de grandes reportagens a denunciar a acção criminosa de Israel. Entristece-me a falta de solidariedade com a Palestina daqueles que em tantos outros momentos nem pensam duas vezes antes de adicionar bandeirinhas às fotografias de perfil nas redes sociais. Valerá menos a vida de um palestiniano? Chocará menos a imagem de uma criança assassinada na Palestina? Ou a solidariedade e indignação são determinadas pela agenda mediática e campanhas de manipulação do imperialismo?
Todos os anos, a cada dia 1 de Março, lembro-me da única vez que pude visitar a Palestina. Já lá vão quinze anos, mas recordo, com uma nitidez rara em mim, muitos dos momentos por que passei.

Não há como esquecer o olhar daquelas crianças sem pai nem mãe, violentadas sistematicamente pelos bombardeamentos às suas casas, escolas e hospitais. Poucas crianças no mundo saberão tão perfeitamente como elas o significado de pátria. Aprenderam-no cedo demais e da pior maneira, porque a roubaram, ocupando o território do seu país, porque todos os dias morre mais um irmão em sua defesa.
Não há como esquecer a repressão e humilhação imposta pelos soldados israelitas nos postos de controlo a caminho do trabalho ou no regresso aos campos de refugiados.
A violência das imagens não me permitem o esquecimento. E, na verdade, sinto que não me quero esquecer, para que não se apague da memória o compromisso de solidariedade que estabeleci com o povo da Palestina e a luta pelo seu território, livre da ocupação, pela sua soberania e pelo direito à paz.

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