Correio do Minho

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Quando as equipas ganham

Sem Confiança perde-se a credibilidade

Ideias

2018-03-02 às 06h00

Margarida Proença

A taxa de crescimento real, a preços constantes, do PIB , na prática , permite saber quanto cresceu a riqueza criada num país, num dado ano, independentemente de qual tenha sido a inflação. O PIB integra toda a informação sobre as despesas que são feitas pelas famílias ou pelo Estado , bem como as despesas das empresas em termos de investimento. Obviamente integra bens e serviços que foram produzidos em Portugal, mas que vão ser exportados, e devem ser deduzidas todas as despesas em bens e serviços que foram importados, já que não correspondem a qualquer produção no país. É, sem dúvida alguma, uma informação preciosa, mas tem de ser interpretada, enquadrada e complementada. O Instituto Nacional de Estatística acabou de confirmar uma taxa de crescimento real do PIB de 2,7%. Desde 2001, como se pode ver na Figura 1, foi em 2017 que se registou o maior crescimento na economia portuguesa .

Claro que podemos comparar com as décadas anteriores, ou mesmo com o que se passava séculos atrás, desde que há estimativas do Produto Interno Bruto. Por exemplo, entre 1550 e 1650, e depois entre 1700 e 1750, Portugal terá registado um crescimento económico intenso; ao tempo, o PIB per capita era superior ao da França, da Alemanha ou da Suécia, por exemplo, repercutindo a capacidade exportadora do vinho do Porto bem como o reforço das relações coloniais.
No entanto, desde meados do século XVIII, mas principalmente ao longo de todo o século XIX, as razões que tinham até então determinado um comportamento positivo estavam esgotadas, e o país entrou num período de clara reversão do crescimento, determinando um posicionamento relativo completamente diferente no contexto europeu. De acordo com estimativas feitas por Palma e Reis (2016), a taxa de crescimento média do PIB per capita entre 1750 e 1800 foi negativa (-0,5%), bem como nos cinquenta anos seguintes (-0,16).

Mas isto são valores médios, não significa que Portugal não cresceu cresceu de facto, mas pouco, e principalmente foi aumentando a sua distância em termos económicos face aos seus principais parceiros comerciais, e isso continuou a acontecer já que entre 1860 e 1913 o PIB per capita desceu de 86% para apenas 45% da média dos países desenvolvidos.
As razões por detrás desta evolução são complexas, mas numa altura em que a Revolução Industrial fazia já o seu caminho, cada vez mais rápido, pela Inglaterra e depois por outros países da Europa, em Portugal não apareceram novas fontes de crescimento e o país mantinha-se fundamentalmente rural, com um padrão exportador baseado em atividades primárias, sem verdadeiras mudanças estruturais. Ao tempo, a urgência das mudanças confrontava-se com a indecisão sobre os modelos político, económico e cultural a seguir, e com uma muita baixa dotação de capital humano (permanecia um forte analfabetismo), um baixo nível de urbanização, uma industrialização muito incipiente, uma rede de comunicações muito pouco desenvolvida e uma oligarquia económica pouco competitiva.

É vulgarmente repetido que as décadas de 60 e de 70 foram marcadas por um rápido crescimento. É verdade em 1962, por exemplo, o país cresceu 10,53%, e em 1972 10,38%. Em termos médios, essas décadas andaram pelos 5% a 5,5%. Mas por essa altura as despesas com a defesa nacional detinham um peso fortíssimo; em 1972, o Estado gastava 69,2 milhões de euros com a defesa, mas 2,8 milhões com a saúde e 5 milhões com a segurança social. A educação pesava 22,3 milhões, num país onde quase 26% das pessoas ainda não sabiam ler nem escrever, o ensino universitário estava reservado a uma elite e o PIB per capita, a preços constantes, era apenas de 188 euros hoje são mais de 18.000 euros. As alterações políticas correspondentes ao 25 de Abril de 1974, e depois a adesão à União Europeia, permitiram um enquadramento muito diferente do país tanto interna, quanto externamente mas o modelo de crescimento económico português não chegou a ser verdadeiramente alterado.

A década de 2000 foi fortemente marcada, como bem sabemos, por uma gravíssima crise global, com uma severa contração em termos do comércio internacional. Em diversos países, como em Portugal, induziu uma política económica de forte austeridade, exigida pela presença de um forte endividamento externo, mas também pela manipulação das contas nacionais como aconteceu na Grécia, convergente com o retorno do protecionismo e de nacionalismos, bem como pela luta interna na U.E. pela dominação política. O saneamento e controlo das contas publicas é fundamental, mas por si não constitui fator de crescimento nem altera qualquer modelo pré-existente. É por isso que as notícias do INE são tão positivas está de novo a investir-se, estão a ser criados novos empregos, o desempenho das exportações em setores de maior valor acrescentado e exigindo qualificações mais elevadas está a melhorar.

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