Correio do Minho

Braga, quinta-feira

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Portugal: um paraíso à beira-mar plantado!

Artistas que Monserrate viu nascer

Ideias

2016-03-23 às 06h00

Lia Oliveira Lia Oliveira

Qualquer ser humano que se prese defende a sua identidade, características mais ou menos positivas, dependendo de quem as avalia. Podemos sempre defendermos com o ADN que herdamos, o nome com que nos rotularam que traz uma série de características associadas e depois existem os astros que mesmo não sabendo muito bem o que é definem os nossos traços de personalidade consoante o dia e a hora em que nascemos. Na cultura chinesa ainda existe a agravante de o ano de nascimento também mandar… Afinal parece que pouco temos a fazer para definirmos que tipo de pessoa vamos ser, resta adaptarmo-nos!

Mas não fica por aqui, ao que parece a geografia também é tramada, e se nascermos em Inglaterra vamos ser pontuais, na Alemanha seremos frios e em França seremos arrogantes e demasiado formais. E os Portugueses?! Ora bem ao que parece já muitos se esqueceram da nossa história conotada de coragem, valentia, engenho e ambição que nos fizeram entrar num pedaço de madeira mar adentro rumo ao desconhecido retratado pela mitologia como um abismo repleto de Adamastores. Nós fomos corajosos e saímos à procura de mais e melhor. Na minha opinião continuamos a ser… Mas somos também o povo que “deixa tudo para a última”, que se baseia na “teoria do desenrasque”, no “chico-espertismo” que nos persegue levando-nos à penumbra da corrupção, na habilidade de culpar sempre outro por algo correr mal e a minha preferida, “podia ser sempre pior”.

Irrita-me profundamente aquele português que está permanentemente a queixar-se do seu país. O nosso país dá-nos tanto. Podemos sair à rua com um relógio no pulso e um fio de ouro ao pescoço sem que para isso tenhamos de ter uma arma no bolso à espera de a usarmos para garantirmos a nossa vida. Podemos ir à praia, à neve ou simplesmente para um refúgio perdido do meio do nada.

Temos estradas de fazer inveja a muitos europeus, um sistema de saúde que podendo ser melhor (porque tudo pode ser sempre melhor) não nos deixa a morrer porque não temos seguro de saúde (à semelhança dos EUA), um subsídio para quase tudo, liberdade de expressão (afinal a culpa é sempre dos políticos), escolaridade para todos, respeito pelos direitos humanos, um amigo em cada esquina, remédio para tudo (entre a canja de galinha, o limão com mel, o copo de vinho tinto ou “bruxo”, tudo se cura), o santinho que muda de cor consoante o tempo, o prato na parede lá de casa e tantos outros a que só damos valor quando fazemos a mala e saímos mundo fora com a mesma inocência, baseada na sorte, com que jogamos no Euromilhões.

Nós somos bons! Não somos pretensiosos ou cheios de mania, somos bons, trabalhadores, engenhosos e astutos. Lá fora é assim que nos retratam porque havemos nós de nos denegrirmos?! A nossa cortiça chega pelas mãos da corticeira Amorim a alguns dos mais badalados filmes de Hollywood (Missão Impossível), a mesma viagem fazem a Equicouro- Correeiros (selas de cavalos- “O Último Samurai”) e a Ferreira, Avelar & Irmão - Ferre (sapatos), a Fepsa (chapéus).

A Salsa está difundida mundialmente por 35 países, a Pelcor invade os mercados mundiais com acessórios de moda feitos de cortiça, a Critical Softwares é uma marca de relevo com exportações de 80%, a Portucel exporta para 100 países, a Renova cruza oceanos, a Efacec conta com projetos em mais de 65 países, e temos também a NDrive, a Hovione (farmacêutica), a Kyaia (calçado), a CIN, a Petratex (fatos de natação) e uma lista gigantesca de empresas portuguesas que brilham por todo o mundo.

“Raio!” Afinal Portugal que é tão pequeno consegue deixar uma marca no mundo… Nós somos bons e podemos ser o centro do mundo, se quisermos!

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