Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Por imperativo de consciência (e ético!)

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Ideias Políticas

2018-05-15 às 06h00

Hugo Soares

O debate sobre a corrupção e a responsabilidade política (onde termina uma; onde acaba outra) tem sido por estes dias o tema que tem enchido páginas de jornais e colunas de opinião. Sou um defensor acérrimo da presunção de inocência. Não alinho em demagogias, nem em populismos fáceis. Sobre a separação de poderes tenho dito e escrito muito. De resto, a minha última crónica neste espaço versava isso mesmo. Sucede que a catadupa de acontecimentos e um imperativo de consciência e ético me faz voltar ao tema. A omissão de responsabilidade política não pode vingar. E reporto-me apenas à alegada responsabilidade política. A outra, os tribunais (e o MP) têm dado sobejas provas que estão aí para o que der e vier: seja para condenar seja para absolver. Só em jeito de rodapé: que sejamos todos tão lestos a aclamar a inocência dos que forem inocentados, a relativizar comportamentos que não são condenáveis, como somos a condenar judicialmente na praça pública; é que a destruição de uma carreira e da honra de um homem não se compagina com os tempos dos tribunais, mas sim com o tempo mediático e isso não tem justificação nem preço! Por isso deixo, à cabeça, esse alerta.
Mas voltando ao objeto desta reflexão: a falta de responsabilidade política não pode grassar.

Assinei, por estes dias, em conjunto com quatro Colegas Deputados (Miguel Morgado, António Leitão Amaro, Duarte Marques e Margarida Balseiro Lopes) um texto publicado no Observador com o título A Corrupção e a responsabilidade e política. Nele escrevemos que É nosso dever indeclinável não calar, nem evitar a discussão do maior escândalo da história da nossa democracia, independentemente dos equilíbrios político-partidários que isso possa pôr em causa. Ora, o País sabe hoje que houve uma teia. Uma teia de poder que controlava o poder económico, que minava a liberdade concorrencial, que se locupletava à custa do Estado (que somos nós), que queria controlar a comunicação social (a tal claustrofobia democrática, lembra-se?), que tomava decisões políticas com um escopo pessoal, que não se preocupou em levar um país à bancarrota desde que os seus objetivos se cumprissem. Hoje, sabe-se que esse Governo Socialista tinha um objetivo claro e nada sério. Hoje, sabe-se que muitos daqueles que era núcleo duro da política de então e que tudo caucionaram se mantêm no poder. E é exatamente este último ponto que releva: Não podem ser impunes politicamente aqueles que caucionaram por concordarem com as decisões; por as terem votado em conselho de ministros, por as terem apoiado e vangloriado não podem ser impunes politicamente aqueles que caucionaram a teia do poder. Não me calarei.

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