Correio do Minho

Braga, terça-feira

Pensar a oferta formativa

“Novo tabaco” mata 600 mil crianças por ano

Voz às Escolas

2018-03-07 às 06h00

Manuel Vitorino

Está nom terreno, a preparação da oferta formativa para o próximo ano letivo. As escolas confrontam-se com orientações/diretivas no âmbito do Sistema Nacional de Antecipação de Necessidades de Qualificações (SANQ), emanadas das estruturas centrais do Ministério da Educação: a Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional e a Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares.
O ponto de partida define-se a partir de uma estratégia que pretende valorizar as ofertas de Ensino Profissional, ajustando a oferta de qualificações às necessidades da economia e do mercado de trabalho, tendo em vista a promoção do sucesso educativo e a qualificação profissionalizante dos jovens abrangidos pela escolaridade obrigatória de 12 anos, que se traduz na certificação escolar e qualificação profissional de nível 4, reconhecida em todo o espaço da União Europeia.

Sem contestar a necessidade de um documento orientador com critérios objetiváveis, capaz de racionalizar a capacidade instalada e de evitar redundâncias no sistema, verificamos, no ano transato, algumas disfuncionalidades no processo, decorrentes da metodologia utilizada na definição de relevância das qualificações no âmbito do SANQ para a unidade territorial CIM Alto Minho.
Para efeitos de planeamento da rede, ao privilegiar-se uma análise quantitativa da estrutura da população ativa por NUT II extrapolada para o nível da NUT III, induziu-se um enviesamento dos níveis de relevância atribuídos a vários cursos, que, na essência, estão desajustados da estrutura da atividade económica existente no território da CIM.

Um exemplo paradigmático foi o de Técnico/a Industrial de Rolhas de Cortiça (relevância 7 em 10) por oposição a dois cursos que temos na nossa oferta formativa, Técnico/a de Turismo Ambiental e Rural e Técnico de Análise Laboratorial (ambos com relevância 2).
Sabemos que a fileira da cortiça tem relevância social e económica num concelho como Santa Maria da Feira, integrado na Área Metropolitana do Porto e na Região Norte (NUT II), mas não no Alto Minho.
Conhecemos suficientemente bem o território, os nossos parceiros e os instrumentos de planeamento territorial e os de natureza estratégica. Quer isto dizer que temos que atender ao que temos mas também ao que queremos ter/ser. Importa ver as solicitações do mercado mas também antecipar a volatilidade dessas ofertas, investindo na capacitação dos recursos endógenos conducente ao desenvolvimento de base regional, alinhado com as estratégias sejam de base local/regional sejam nacionais/comunitárias. Conjugar qualificação para as atividades mais tradicionais com as relacionadas com a economia criativa.

Neste sentido, impõe-se uma análise crítica do modelo, para que a oferta a disponibilizar pelas escolas não fique desfasada da realidade onde estão inseridas. O processo de planeamento terá de ser feito de baixo para cima, com o envolvimento das escolas, entidades parceiras, municípios, tendo em conta para além dos indicadores estatísticos outras variáveis fundamentais como a reestruturação das redes de transportes públicos e os investimentos a realizar no domínio da educação, atualizando e articulando as cartas educativas ao nível supramunicipal.
Vivemos tempos que nos exigem pessoas preparadas para novas ofertas de trabalho, que acrescentem valor às empresas, geralmente mais intensivas em capital e menos intensivas em mão de obra, porque a realidade começa a ter esse pendor.
Se não for apenas pela qualificação das pessoas, será pela dinâmica demográfica imposta resultante do duplo envelhecimento da população mais longevidade, menos natalidade -, traduzido na tendencial escassez de mão-de-obra em todos os setores de atividade económica.

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