Correio do Minho

Braga, quinta-feira

“Pensar a Escola... Construir o Futuro!”

O Natal e a Luz da Paz de Belém

Voz às Escolas

2018-11-07 às 06h00

Flora Monteiro

Este foi o mote pessoal que me seduziu para prosseguir a missão que diariamente desenvolvo. Todos os dias busco oportunidades de crescimento, inspiração e enriquecimento cultural, profissional e sempre pessoal, uma vez que não dissocio estas vertentes de “ser” e ser professora e pertencer ao órgão de gestão e direção do Agrupamento de Escolas de Amares.
Enquanto diretora de um agrupamento e vivendo na parafernália diária do trabalho executivo, dos papéis, da burocracia, das missões da escola, das plataformas, das lutas, dos problemas sérios e reais que todos sentimos, dos contextos que temos de socorrer, das turmas, de cada aluno enquanto ser único, dos docentes, dos pais e encarregados de educação, dos assistentes, da tutela, da comunidade educativa, dos diversos parceiros, da autarquia, pouco tempo sobra, para “pensar a escola”.

É, por isso, fundamental termos a capacidade de, sempre que possível, parar este ritmo de rotinas de trabalho e perceber melhor a nossa missão, que a cada ano que passa se renova e complexifica. Mas é uma tarefa de Hércules, pois, como dissemos, a escola não aparenta o Universo que realmente é. Temos de refletir sobre a escola, sobre o nosso desempenho, o que realmente queremos, as missões que realmente queremos prosseguir, sob o perigo de tudo nos escapar das mãos, nada realizar consistente e conclusivamente. Este é, na minha opinião, o grande desafio atual. O que pode/deve ser a escola? Temos de nos questionar diariamente.

Nesta atualidade de tantos e novos normativos legais (onde alguns desafios e filosofias já nos acompanham há alguns anos), é prioridade, é obrigatório e urgente parar e pensar na operacionalização de todas as propostas que temos em mão, desde a flexibilidade curricular, ao perfil dos alunos à saída da escolaridade obrigatória, à estratégia nacional para a cidadania, às aprendizagens essenciais que cada disciplina e área terão de concretizar em cada criança e jovem, à necessidade de trabalhar outros instrumentos de avaliação e à ousadia de nos aventurarmos (como temos vindo a fazer) em contextos diferentes de aprendizagem…. e… fundamental, à educação inclusiva para todos. Ninguém poderá ficar para trás…. Todos têm de ser preparados com as ferramentas obrigatórias, os valores, as competências, os conhecimentos que lhes permitirão ser cidadãos do mundo e do futuro, tão complexos e tão globalizados, mas tão preenchidos de expetativas e esperanças.

Onde encontrar esse tempo? Onde descobrir o milagre da multiplicação das horas? Como se pretende conciliar todo o trabalho exigido às direcções e aos docentes, em termos burocráticos, com uma escola cada vez mais exigente e com um Perfil do Aluno para concretizar? São conciliáveis as duas dimensões, quando as escolas são escrutinadas à lupa, através de monitorizações que tanto apreciam as pequenas alíneas, as estatísticas, os números e a frase escrita ou a acção registada em “qualquer lado”, e, por outro lado a necessidade da efectiva prática pedagógica e educativa que tem de respirar e ter espaço para se reflectir em sala de aula, em partilha, em articulações curriculares, em capacidade sistemática de promover a inclusão e a cidadania? Está a ser uma tarefa difícil, desgastante, onde as horas do dia não chegam para as diversas solicitações. Está a ser sentido por todos e não é somente neste ano lectivo!

Acreditamos na especificidade da organização escolar e na sua capacidade de aprendizagem, defendendo para a escola uma liderança também especial, que não poderá ser uma mera serva das leis e normas instituídas, mas que deverá olhar para além do sistema legal vigente, para se transformar num exercício ético e moral, educativo e pedagógico, inovador e transformacional. É isto que tentámos, é a nossa estrada principal. É o esforço que vejo diariamente em todos os docentes e assistentes que querem dar o melhor e tudo o fazem para o sucesso do seu agrupamento, da sua segunda casa! È o ânimo que tento incutir diariamente, e a serenidade, dentro da urgência.
O importante é ter sempre presente que a escola é uma comunidade de aprendizagem e quando falamos de aprendizagem não nos limitamos somente à aquisição de novos conceitos ou ideais, ou preenchimento de documentos para cumprir a lei…. Falamos sim de procurar as melhores ferramentas para ajudar na assimilação de conteúdos, desenvolvimento de capacidades, competências e valores encaminhados para o melhoramento do mundo, dos nossos alunos.

Um director escolar dos nossos dias terá que saber conduzir a sua escola num caminho bastante sinuoso, terá de ter capacidade para trabalhar com as limitações inerentes à atual organização escolar: a centralização; a auto- nomia relativa; a burocracia; a heterogeneidade de valores; o défice de recursos humanos e materiais; a mobilidade docente, algum desânimo…. E, do outro lado, procurar as melhores soluções e desvendar nos diversos atores essa partilha e cooperação, de quem não se limita a receber problemas, mas pede e dá contributos para encontrar as soluções.
Torna-se, portanto, imperativo pensar a Escola e continuar a investir nela enquanto local de construção dos sucessos dos alunos e consequentemente das sociedades… Construir o futuro!

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