Correio do Minho

Braga, sábado

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Pássaros, passarinhos e passarões

Datas que não podem ser esquecidas durante todo o ano

Ideias

2013-05-03 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

Não é necessário ser-se versado em ornitologia para saber que desde há uns anos vimos a ser invadidos por um bando de “aves”, umas perversas e outras de rapina, que pairam e debicam em tudo quanto seja política e poder. Não se configurando sempre como animais pulmonados, vertebrados, de sangue quente, penas, asas e bico córneo, a grande verdade é que se assumem como “aves” no sentido popular e cruzadístico de “indivíduo esquisito”, “pessoa velhaca, esperta, trapaceira”, “manhosa”, “finória”, sendo que, quanto a vértebras, são de todos conhecidas as espondiloses, cifoses, curvaturas e mais sinuosidades de seus esqueletos e colunas. Aliás muito mais de substância e natureza cartilagínea, maleável e moldável do que óssea.

Mas voltando à “passarada”, não faltam por aí pardais, carriças, melros, toutinegras, canários, pintassilgos, corvos, cagarras, catatuas, pegas, mochos, urubus, abutres, falcões, açores, etc., mas importa ainda acrescentar as conhecidas por pachecos, marcelos, pereiras, mendes, ferreiras, capuchos, pires, seguros, limas, vieiras, portas, pintos, sousas, costas, rios, semedos e mais nomes sempre a adejar, revolutear e debicar em tudo o que cheire a política e poder.
Umas ainda implumes ou de asas derribadas, outras com cicatrizes dos “chumbos” de caçadores furtivos e de “clubes” de atiradores e ainda algumas outras com mazelas dos “tiros”de certos comentadores e “especialistas” dos media, o certo é que tais “aves” continuam a 'voar” e “planar” em entrevistas e programas das TVs e a “esparramar-se” em revistas, jornais e facebooks. Um bando de “aves” que criticam e se divertem a “bicar”, mas que de todo perturbam, cansam e ... até já aborrecem.

Privilegiando tão só o painço, grão ou presa que lhes encha o “papo” e afague o “ego”, vivem alheados e indiferentes aos “passarinhos” frágeis, crédulos, indefesos, sem asas e autonomia de “voo” para uma sobrevivência, que somos todos nós, e, sendo uns “passarões” e predadores, agem como verdadeiros urubus e abutres da vida nacional, nomeando as aves a abater e “dizimando” o que os rodeia. Mas sempre “comendo” tudo o que “cheire” a réditos, poder, riqueza e prestígio.

Arvorando falaciosas inteligências, verdades e independência deixam entrever despeitos, afrontas pessoais, ajustes de contas e espírito de vingança, com o insólito de que muitos, embora do mesmo grupo ornitológicos, se assumem como oposição activa a um qualquer outro “voo”, perfilando-se como “abutres” de seus “pares voláteis”.


2 .
Para além da muita “passarada” que por aí vem adejando, intrigam-nos os “ésses” e “érres” que proliferam pela cidade e que reclamam explicações e respostas precisas e claras. Respirando poder e importância, tais “ésses” passam seu tempo debruçando-se sobre os carros estacionados à procura do talão das máquinas, mas a verdade é que a tal se contrapõem os muitos “érres” de revolta, recusa, reacção e repúdio, aliás engrossando os já não poucos “érres” das respostas dúbias, feitas silêncio, de esconsas verdades ou a desaguar em insólitas e intrigantes explicações.

Tudo quanto era estacionamento, subterrâneo ou não, está agora nas mãos de entidades privadas como compensação ou troca de algo nunca devidamente explicado, ignorando-se até sua duração no tempo, sendo de todo incontornável que tais “ésses” incomodam e perturbam os despojados de espaços antes disponíveis que valorizavam suas casas e negócios, e agora se vêem onerados por “avenças” nada garantísticas.

Desconhecendo-se a real e correcta volumetria da dívida autárquica e negócios que a explicam ou sustentam, o certo é que estamos a ser “sufocados” pelos impostos e actualização de IMI (apressada, computorizada e com dados alheados das realidades), expectantes quanto às leis de finanças locais e IMT e ainda “afrontados” por taxas, derramas e outras alcavalas de serviços públicos e “empresas” municipais. Aliás de todo questionáveis em racionalidade e necessidade e já travestidas em meros “contentores” de encaixe e armazenamento de confrades, cooperantes, familiares e amigos.

Vivendo-se em plena crise, há que evitar luxos e desperdícios, assumir prioridades e reduzir despesas, até porque, diga-se, está em causa a bolsa dos contribuintes. Aliás, se é legítimo interrogarmo-nos se é de manter serviços formatados em empresas de gravoso despesismo em logística, pessoal “cartolado” e “chefias”, por outro lado é também incontornável que muitos ainda se questionam quanto às discutíveis, dispensáveis e incompreensíveis “obras de fachada” ultimamente levadas a efeito, aliás de arvoredo ainda esquálido mas já com lajes roídas nos bordos, lascadas e partidas, remendos em asfalto, candeeiros em falta, outros sem globo ou sujos, etc., etc...

E se é legítimo chamar a atenção dos responsáveis para tais anomalias e para os muitos edifícios ao abandono, em ruína ou vazios, públicos ou privados, que desfeiam a cidade e põem em risco outros prédios e toda uma segurança, impõe-se apelar ainda a um diligente esforço para um rápido restauro e pronta utilização dos das Convertidas, do antigo Tribunal, e outros, e não esquecer os passeios esventrados, carcomidos e com remendos de “sapateiro”, as pedras soltas e em falta em certos empedrados, com lombas e afundamentos de piso, e que suscitam justas críticas dos munícipes e dos turistas.

Continuando-se em reparos e observações, impõe-se que no acesso a um suposto condomínio fechado, hoje “travestido” em rua com nome e placa, se ponham sinais de trânsito de via sem saída e ainda de sentido obrigatório para quem dele saia, o que nem será muito dispendioso, ao contrário do prometido apoio jurídico às freguesias em luta pela manutenção, aliás um “apoio” de todo muito questionável e incompreensível por configurar antes jogo político a respirar esconsos interesses partidários.

A manutenção do actual sistema autárquico, aliás muito oneroso para os contribuintes, tão só interessará aos detentores de cargos e empregos autárquicos e aos beneficiários de votos nas assembleias municipais, sendo que a reestruração e redução projectadas fariam diminuir as despesas com vencimentos, pessoal, logísticas, senhas de presença, ajudas de custo, etc., e não afectariam real e verdadeiramente o povo.

E porque é imperioso cortar nas despesas e a acção e presença dos “ésses” vão determinar menos serviço para a polícia municipal, sempre aos pares e muitas vezes ao telemóvel, a conversar ou a “passear-se” nos carros, será de todo aconselhável e justificado que se diminua o quadro, aproveitando-se ... para se pôr fim ao ridículo de alguns figurantes com as algemas a afagar e a cair descaradamente sobre seus trazeiros. É que não há nenhuma “nexecidade”, como diria o Diácono Remédios!...

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