Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Para onde vamos na mobilidade?

‘O que a Europa faz por si’

Ideias Políticas

2017-06-06 às 06h00

Carlos Almeida

Nos dias em que vivemos é consensual a ideia de que é preciso combater a poluição. Várias são as propostas que nos apresentam com esse objectivo em vista. Uma abordagem comum passa pela mudança do paradigma de mobilidade dos cidadãos, procurando implementar modos suaves e não-poluentes, bem como um maior uso de transportes colectivos, em detrimento do uso de viaturas poluentes e particulares. No entanto, a alteração dos hábitos das pessoas não pode basear-se num acto de fé e tem, isso sim, que resultar de medidas muito concretas de incentivo ou o seu contrário, consoante o fim pretendido.

Desta forma, no plano teórico, os decisores parecem genuinamente interessados na introdução de políticas de mobilidade amigas do ambiente, assumindo publicamente na agenda a concretização de planos de mobilidade sustentável, que coloquem o peão no topo das prioridades, diminuindo significativamente as vantagens para quem insistir no uso de veículos automóveis.
Por seu turno, não raras vezes ouvimos os responsáveis políticos defender a promoção de incentivos ao uso dos transportes públicos e modos suaves de locomoção, aludindo ao investimento em vias cicláveis ou ecopistas, no alargamento das áreas pedonais ou na instalação de equipamentos de apoio ao uso da bicicleta como meio de transporte.

Apesar de alguns sinais positivos a que vamos assistindo, por exemplo no que respeita ao aumento do número de utilizadores de transportes públicos ou dos modos suaves, resta a sensação de que são ainda avanços muito tímidos face, não só às expectativas criadas pela governação local, como, principalmente, às necessidades.

O que está então a falhar? Não se adivinhando uma resposta certa, a verdade é que algumas hipóteses podem ser colocadas. Nesse sentido, resulta como muito provável a relação directa entre os tempos de deslocação e a escolha do meio de transporte. Assim, é perceptível que no momento de escolher a forma de se deslocar, o factor mais determinante para o utilizador continua a ser a redução do tempo de viagem. Claro que outros factores também influenciam essa decisão, nomeadamente a segurança, o conforto e, desde logo, os custos associados à deslocação.

Perante estas possibilidades, torna-se objectivo que a adesão das populações aos transportes públicos ou outras alternativas de transporte é directamente proporcional às circunstâncias que lhes são asseguradas pelo poder público. Isto é, enquanto não forem criadas as condições para o cidadão abandonar o conforto da sua viatura pessoal, este vai continuar a optar por essa solução. E fá-lo, não aderindo a outras possibilidades de transporte, porque não encontra nessas a compensação devida pela sua decisão, ou seja, não vê vantagens na mudança por esta se apresentar como uma solução mais desfavorável à sua qualidade de vida.

Assim, torna-se crucial que a governação local não fique pela boa vontade política ou por planos bem intencionados. A rede de transportes alternativos ao automóvel, seja de velocípedes ou colectivos, deve ser capaz de oferecer boas condições de utilização, atractivas, confortáveis e de custo acessível. Urge, por isso, a implementação de medidas concretas que correspondam a isso mesmo. Caso contrário, ficaremos retidos nos simpáticos, mas insuficientes, consensos teóricos.

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