Correio do Minho

Braga, terça-feira

Os impolutos

Confiança? Tínhamos razão.

Ideias

2018-06-29 às 06h00

Borges de Pinho

A
atermo-nos nas palavras de certos figurões do poder, Portugal será um país de impolutos, de homens e mulheres que vivem envolvidos em moralidade, honestidade e seriedade, e que tomam o seu banho de ética todos os dias, e não apenas um rápido chuveiro. E nem sequer necessitam do “banheiro” Rui Rio, porque os ataques que vêm sendo desferidos aos deputados, entre outros políticos, são puras aleivosias e maldades de indivíduos invejosos e despeitados que ainda não se aperceberam da vida de sacrifício, de imolação e até de horror, que os nossos 230 deputados sofrem e suportam no parlamento.
Além dos insultos e dos vitupérios dos adversários, muito habituais e quase diários, por vezes são confrontados com inesperados e insólitos ataques, coagidos a mudar de sala, e aterrorizados por baratas (insectos ortópteros, da família dos Blátidas, velozes, muito vorazes e de costumes nocturnos), como as do bando que irrompeu numa sala do piso 0, onde se reunia a Comissão Parlamentar de Trabalho e Segurança Social para ouvir a inspectora-geral da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT).
Baratas, imaginem, não há engano, uns insectos atrevidos, velozes e e sobretudo muito “reaccionários” ao obstar a que se discutisse e analisasse a situação dos trabalhadores da Somincor- Sociedade Mineira de Neves Corvo, em Castro Verde, aliás a requerimento do PCP e após denúncias de “assédio moral a trabalhadores das minas (JN, 18.5.18), assim impedindo o trabalho de “impolutos” servidores do país. Um insólito acontecimento que veio dar razão a quem, aleivosamente, teima em confundir o parlamento com um circo onde pululam outros animais, já que a realidade, na sua verdade profunda, comprova a existência de animais na “zona”, pelo menos na categoria dos insectos, as “temíveis” e nojentas baratas, sendo certo que “fontes parlamentares disseram à Lusa que a situação poderia estar relacionada com uma desinfestação efectuada no último fim de semana”. Claro que desinfestação é um termo com tão vasta compreensão e extensão que muito naturalmente contempla toda e qualquer medida de limpeza ou saneamento para pôr fim a infestações e “pragas” de outro tipo, classe ou categoria de animais.
Como a “dessocratização” intentada pelo PS, que quase “abafava”o almoço de homenagem a Sócrates num restaurante do Parque das Nações, a 20 de Maio, onde teriam estado “cerca de 100 apoiantes” ( a organização esperava entre 200 e 300 pessoas), e onde a frase mais ouvida à entrada foi «não me filme» (CM 21.5.18), o que suscitou um comentário-interrogação na «Crónica banalidades», que não resistimos a transcrever: “então já não é um orgulho estar ao lado do ex-menino de ouro do PS, ex-primeiro-ministro, ex-lider socialista, ex-44 entre outros “ex” que não me ocorrem agora? Ou o orgulho também já é “ex”?”. Ficando-nos por tal observação, tão só se diz não se estranhar a presença dos Campos, António e Paulo, e de Mário Lino, os dois últimos por acaso exs-Secretário e Ministro das Obras Públicas com Sócrates, e com decisões polémicas sobre parcerias público-privadas, mas sim a ausência, se de facto aconteceu, dos amigos Camões, Silvas, Monteiros, Caramelos, Russéis, Renatos, Sampaios, Figueiredos, Capoulas, S.Pereiras, e outros !...
Mas regista-se, entre tanta seriedade e assomos de existência de “impolutos”, o facto de Sócrates esclarecer “que reconhecia Pinho pela consultadoria que este prestava ao PS” e dizer que, embora também presente na Luz a ver o jogo do Euro 2004 onde esteve o Pinho, “«eu não estava em camarote nenhum do BES, porque nunca foi a camarote de BES nenhum» já que fora convidado pela Federação de Futebol, e “só no final da partida, à saída, é que António Costa, actual primeiro-ministro, fez as devidas apresentações ” (id). Compreendido!...
Mas anota-se ter dito que a “saída do PS foi «ato doloroso» mas que continua a ser socialista”, para além do usual ataque ao MP, agora “pela «escandaleira» que foi a divulgação dos vídeos dos seus interrogatórios”. Quanto a Costa, o atento “mestre de cerimónias” e oficial “apresentador” de Pinho, como se ficou a saber, além de primeiro-ministro e hábil negociador com a Catarina e o Jerónimo é também um “artista” em negociação imobiliária, já que, como noticia o «Observador», citado pelo referido CM, “ganhou milhares de euros em dois anos ( pois) só com um andar em Lisboa que lhe custou 55 mil euros ganhou quase o dobro vendendo-o em menos de um ano por 100 mil”. Aliás, diga-se, teve arte e “jeito” para “convencer” os parceiros das mais valias da política de alianças e apoios, mas ... o Bloco e o PCP que se cuidem!...
Ultimando o tema “impolutos”, neste país campeão europeu de futebol e também, ao que consta, de falcatruas, aldrabices, mentiras e corrupção na sua “população político-pública” onde a cada momento pode surgir uma implosão “arrastando” os mais impolutos, só mais duas notas: Salvato Trigo, reitor da Universidade Fernando Pessoa, porque considera “injusta e injustificada” a condenação por desvio de dinheiros, vai interpor recurso da decisão, e Jorge Simões, antigo presidente da Entidade Reguladora da Saúde, condenado pelo Tribunal de Contas na multa de 21 mil euros devido ao “ uso da viatura da ERS para fins pessoais, entre outubro de 2010 e junho de 2016, nas deslocações entre a residência e o local de trabalho (e vice-versa) e ainda para os estabelecimentos de ensino onde dava aulas”, alega que “«sempre entendeu que a utilização que fazia da viatura era uma utilização de serviço e dentro dos limites legais (...)»”. Compreendido!... São meros “lapsos”, como os de Siza Vieira e Paulo Rebelo em matéria de conflito de interesses, mas que não afectam a “ética republicana” !... É “chato”, mas “ o crime acontece todos os dias” como diz o outro, o BDC !...

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