Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Obesidade Infantil

Os rolos

Voz à Saúde

2019-06-18 às 06h00

Henedina Antunes

Obesidade continua a atingir 30% das crianças portuguesas.
As crianças que, no primeiro ano de vida, não tiveram um leque alargado de alimentos, mais tarde têm menos opções alimentares e, por isso, deficiências nutricionais e risco de doenças precoces. Tal como usa muitas cores a pintar desenhos, o prato da criança deve ter o laranja da cenoura, o verde dos brócolos, o roxo da couve. A repetição da experimentação dos sabores, isoladamente faz com que a criança se habitue e tenha uma diversidade maior, prevenindo a obesidade, a osteoporose, a hipertensão arterial entre outros problemas de saúde.

A pediatra defende que uma diversificação deficiente na alimentação de uma criança pode causar graves problemas a médio prazo, revelando mesmo que “a nutrição errada conduz a problemas de obesidade, hipertensão e osteoporose”, acreditando nos que defendem a tese do envelhecimento precoce. Há alguns estudos internacionais que inclusive já começaram a avaliar o impacto da nutrição deficiente ao nível de problemas oncológicos. A pediatra teme que “as novas gerações sofram mesmo de um envelheci- mento cardiovascular precoce, devido aos índices de obesidade atuais” que atingem índices de 30%. A investigadora revela que “é assustador lidar com estes índices no dia-a-dia, sentindo que as pessoas ainda não estão sensibilizadas”, avançando que nas suas consultas se depara, muitas vezes, com contextos de famílias cada vez mais ocupadas e com pouco tempo para práticas saudáveis e hábitos alimentares mais corretos. Este facto enfatiza a importância de um ambiente adaptado para as boas práticas alimentares nas famílias portuguesas.

Ainda neste âmbito, a pediatra declara que o envelhecimento precoce revela indicadores preocupantes numa investigação que tem desenvolvido, pois “22% das crianças obesas da minha consulta revelam índice PCR ultrassensível – que é um marcador do envelhecimento das artérias – positiva, ou seja, estão a envelhecer”, é o mesmo que dizer que no futuro poderemos estar a falar de adultos com 18 anos, com sistemas vasculares envelhecidos. A responsável cita “teremos a primeira geração a morrer mais cedo que os pais devido à obesidade”, uma frase muito repetida por investigadores, que considera adaptada aos EUA, mas ainda não se ajustando ao nosso país.

Aconselha que após os primeiros seis meses de aleitamento, as crianças comecem a contactar com os alimentos triturados, começando depois a conter alguns grumos a partir dos 10 meses de vida, aumentando a sua consistência. Nesta fase as crianças “têm que começar a experimentar todos os sabores, de forma individualizada e separada”, contrariando as tendências de misturar múltiplos condimentos, dando-lhes “sopas e papas, tantas vezes, desagradáveis no sabor e no cheiro”, revela a investigadora. Na sua opinião, os diversos sabores devem ser introduzidos com persistência, pois considera-se que “a criança habitua-se aos sabores a partir da 10ª à 12ª experi-ência com o sabor”, por outro lado, “a criança que aos 3 anos já se alimenta com 4 ou 5 vegetais, aos 10 anos já terá mais. Quantos mais vegetais tiverem na sua alimentação, desde tenra idade, menos probabilidades terão de sofrer de défices nutricionais”. Protelar não evita reações alérgicas, apenas adia a experiência e a diversificação, pelo que “a partir dos seis meses de vida, nunca é cedo para experimentar os condimentos e os diversos alimentos”, assegura.

Quando confrontada com a problemática da osteoporose, a especialista defende que “a sociedade continua a encarar o médico como aquele que vai curar a doença, mas na verdade este tem que ter, cada vez mais, um papel preventivo na defesa da saúde pública”, por isso considera que a consciência de cada um deve prevenir o problema da obesidade e da osteoporose ainda na fase em que um casal começa o seu projeto de paternidade. Neste sentido, “os problemas da criança podem começar a ser prevenidos nas condições de saúde e peso certo da mãe quando engravida, ou mesmo no facto do pai não fumar, pelo menos próximo da mãe grávida”, adianta. Mais do que o senso comum, ao nível pediátrico continua a defender-se que o exercício físico e a alimentação diversificada são a chave para um crescimento equilibrado, para se chegar a uma idade adulta mais saudável.

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