Correio do Minho

Braga, sexta-feira

O Turismo de Natureza, a Qualidade e a Formação

Amarelos há muitos...

Ensino

2017-05-10 às 06h00

Luís Paulo Rodrigues

Está na moda falar em Turismo, seja no discurso político, seja o comum dos mortais e, felizmente, por boas razões (leia-se também razões económicas, não fosse o Turismo um dos sectores económicos com maior crescimento no Mundo). Portugal tem vindo a colher sucessivos galardões enquanto destino turístico de excelência, o que a todos muito nos orgulha. Uma das muitas facetas do Turismo é a do Turismo de Natureza, que em Portugal tem vindo a ser sucessivamente (e bem) indicado como um dos produtos turísticos estratégicos do país, com a região Norte a ser uma das prioritárias para investimentos neste domínio.

Em 2015 esperava-se que o Turismo Natureza dirigido a Portugal motivasse 43,3 milhões de viagens, com o Plano Estratégico Nacional do Turismo (PENT) a indicar um crescimento anual de 7%. Segundo o Adventure Tourism Development Index (2012), o desporto de aventura cresceu 17% entre 2009 e 2010, com a componente aventura a perfazer 1/4 das experiências dos turistas. Em 2050 prevê-se que a componente aventura represente 50% das razões de escolha de viagens turísticas.

Os desportos de natureza e aventura assumem assim cada vez mais um papel de destaque na dinamização da indústria do turismo.
Para termos uma noção da qualidade do nosso território natural saliento que mais de 1/5 do nosso território é composto por áreas classificadas e protegidas com valores naturais ao nível paisagístico, da fauna e flora, etc. Ora, é com base nestes valores que as Empresas de Animação Turística (EAT) desenham e oferecem as suas atividades de Turismo de Natureza, dando a conhecer aos turistas nacionais ou internacionais o que de melhor Portugal possui.

Todos terão uma opinião unânime de que a oferta deste tipo de atividades por parte das EAT ou outros quaisquer agentes deverão ter um enquadramento técnico qualificado, até porque essas atividades turísticas têm geralmente por base Desportos de Natureza e Aventura (DNA) que possuem especiais complexidades técnicas, especificidades materiais e de desenvolvimento, etc. Assim, a formação dos técnicos que as enquadram deveria ser com certeza uma constante ou até mesmo uma obrigatoriedade! Desenganem-se pois nem é uma constante (matemática ou não), nem uma obrigatoriedade legal!

Sendo certo e consensual que a segurança em DNA passa pela formação e pela experiência é igualmente reconhecido por todos que, hoje mais do que nunca, a formação contínua e a atualização de conhecimentos constituem pilares fundamentais na qualidade do trabalho que se realiza, neste caso ao nível da condução de pessoas em atividades turísticas envolvendo DNA.
No entanto, a realidade é outra pois a legislação em vigor não obriga ao cumprimento de nenhum referencial, seja ele profissional, técnico, de qualidade ou outro. Isto leva a que algumas entidades e EAT, seguramente por desconhecimento do risco a que expõe os seus clientes e colaboradores ou procurando obter um lucro rápido, contratem frequentemente técnicos com pouca ou nenhuma formação.

É verdade que a lei, para além de outras questões, obriga os agentes de animação turística (onde se incluem as EAT) a estarem registadas no Registo Nacional de Agentes de Animação Turística (RNAAT) e a disponibilizarem 'informação relativa à formação e experiência profissional dos seus colaboradores'. Aqui podem-se colocar naturalmente algumas questões: “Que formação? Com que entidade formadora? Qual o referencial técnico ou de qualidade?” entre muitas outras que com certeza estarão a saltar à cabeça dos leitores.

Acresce ainda o facto de a maioria dos agentes e EAT comercializarem, com os mesmos recursos, um grande número de atividades, distintas, com necessidades materiais e de recursos muito diferenciados. Torna-se assim difícil que um mesmo técnico tenha conhecimento especializado de várias modalidades ou atividades desportivas, supervisionando com o rigor e a qualidade que se pretende.

Consideramos assim que um Turismo de Natureza e Aventura de qualidade pressupõe uma educação formal, evitando o caminho da autoaprendizagem ou autodidatismo ou, aprendizagem com colegas praticantes em formato de educação não formal. Este tipo de procura de saber não formal e inconstante leva com frequência à aceitação do erro como algo “normal” com o “não sabia” e o improviso a serem uma constante na medida em que não existe um background suficiente que permita identificar e percepcionar o que está a executar e as consequências de tal tarefa/técnica.

Esse é caminho que tem vindo a ser trilhado pelas instituições de ensino superior na área do desporto, e em particular pela Escola Superior de Desporto e Lazer do Instituto Politécnico de Viana do Castelo. Através do Mestrado em Desporto Natureza, ou pelo desenvolvimento de ações de formação e sensibilização de curta duração com especialistas de renome nos DNA, procuramos a disseminação de conhecimento mas também a promoção da formação contínua de professores e técnicos de DNA.
Seguramente a educação formal e estruturada deve assumir um papel preponderante na promoção da Qualidade do nosso Turismo de Natureza e Aventura, maximizando a segurança e minimizando o risco!

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