Correio do Minho

Braga, quinta-feira

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O Terrorismo Ocidental é VIP

As Bibliotecas e o empréstimo de livros

Ensino

2015-12-16 às 06h00

Lia Oliveira Lia Oliveira

Mais um ano que entra na reta final e como já é tradição a Porto Editora relança a votação para a palavra do ano. Até aqui tudo normal, algumas palavras com significado dúbio para a maioria dos portugueses, ou será que todos sabemos o que significa “superalimento”?! Outras palavras entraram pela nossa casa fruto da evolução diária da tecnologia e inconscientemente começamos a usá-las como se do português se tratasse, relembremos o nosso novo amigo “drone”, e o ressurgimento para as “luzes da ribalta” de palavras outrora muito badaladas com um forte exemplo, o “terrorismo”.

O Terrorismo é talvez a maior candidata a palavra do ano 2015. Não propriamente porque aumentaram os atos de terrorismo ou porque tenha estado adormecido mas porque este feriu muito recentemente o mundo ocidental. O atentado de 13 de Novembro em Paris veio recordar à europa a existência de países no oriente, que por acaso estão em guerra desde 2011 e surpreendentemente essa guerra há muito que deixou de ser civil e passou as fronteiras do país. Ou será que ninguém reparou no nascimento do “Estado Islâmico” em 2013 na Síria e que assumiu poder enquanto todos olhava-mos para o braço de ferro dos EUA contra a enfraquecida al-Qaeda, porque o orgulho americano está ferido e nada o irá saciar.

Quando falamos em terrorismo quase todos nos lembramos do 11 de Setembro de 2001 em Nova Iorque, depois vasculhamos na nossa memória e encontramos o 11 de Março de 2004 em Madrid, alguns ainda recordam também o 7 de Julho de 2005 em Londres. Mas quase ninguém fala no Voo da Malaysia Airlines que a 17 de Julho de 2014 foi abatido junto à fronteira da Ucrânia com a Rússia enquanto fazia a ligação entre Amsterdão e Kuala Lumpur com 298 inocentes a bordo. Não terá sido um ato terrorista, ou existe níveis sociais no mundo do terrorismo em que uns são banais e outros VIPs?

Um ato terrorista foi com toda a certeza! Considerando que terrorismo é o uso de violência através de ataques localizados à população civil e a propriedades com o objetivo de incutir medo e pânico como forma de alcançar os objetivos sociais, políticos ou religiosos dos grupos ou indivíduos que o perpetuam. Então resta-nos pensar que o terrorismo não é todo igual, não se mede pelo número de vítimas mas por nacionalidades.

Sabiam que em 2014 os atos de terrorismo aumentaram 80% em comparação com 2013 e destes 78% das mortes ocorreram apenas em 5 países (Afeganistão, Iraque, Nigéria, Paquistão e Síria). Que coincidência são os mesmos países que deixaram a Europa estupefacta quando os seus cidadão assumiram a designação de refugiados e começaram a pedir-nos asilo deixando em pânico todos os grandes lideres europeus.

Todos nos comovemos com os milhares que morrem em travessias arriscadas e que agoniam em fronteiras e campos de refugiados ao longo dos limites orientais europeus. Não estaremos a ser hipócritas?! Choramos porque vemos uma criança que morreu durante uma desta travessias e ignoramos os milhares que morrem todos os anos vítimas dos frequentes ataques terroristas nos seus países de origem.

Os atos terroristas do autoproclamado Estado Islâmico tem feito milhares de vitimas em centenas de ataques que são noticiados na terceira parte do jornal da noite, e um ataque em Paris tomou conta dos primeiros trinta minutos de todos os telejornais durante dias. O mundo uniu-se, sentaram-se e estabeleceram alianças estratégicas para combater ferozmente esse grupo de terrorista que nasceu em 2013 e que recrutou centenas de europeus mas não tinha cometido o erro de entrar no mundo ocidental.

O mundo fica em choque, devoramos quase que de forma macabra todos os pormenores noticiados, grandes figuras mundiais insurgem-se contra estas mortes inocentes. Mas e todos as outras mortes? Encolhemos os ombros e esperemos que continue naquele cantinho do mundo sem nos incomodar, ignoramos porque a nível económico e politico não é vantajoso entrar numa guerra que não é nossa.

Não estou com falsos moralismos, também tenho esta atitude passiva, também prefiro o aconchego do meu canto e prefiro mudar de canal quando mostram a destruição provocada por mais uma bomba. Mas não entendo porque se abafou a morte de dezenas de holandeses que se limitaram a apanhar um avião para ir de férias, de centenas de sírios que morrem fruto de ataques terroristas de um grupo radical que se tem infiltrado em todo o mundo e é alimentado por dezenas de cidadão europeu e americanos, e depois entramos em contradição e paramos quase de respirar porque houve um ataque em Paris.

Não estaremos a classificar os atos terroristas em estratos semelhantes aos sociais em que no ocidente somos VIPs e no oriente são banais?!

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