Correio do Minho

Braga, sábado

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O Senhor Feliz e o Senhor Contente

Datas que não podem ser esquecidas durante todo o ano

Ideias

2016-02-19 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

1. Muitos ainda se recordam da rábula ‘Senhor Feliz e o Senhor Contente’ que há uns anos integrava um programa de TV, aliás um programa que costumava ter muita audiência e era visto com certo agrado e sempre aguardado com alguma expectativa. E não era só pela arte, desempenho, qualidade e categoria dos actores intervenientes mas sobretudo pela curiosa mistura da piada simples e gostosa com muita crítica e comentários oportunos e “saborosos” de teor sócio, económico e político sobre a vida portuguesa na sua vernácula actualidade. Aqui e ali, diga-se, “desenhados” com algum engenho e “retratados”a preceito nos trejeitos, momices e requebros de muitos passos e “dizeres” dos actores que, “dialogando” e “repontando” entre si, parodiavam a realidade portuguesa “cantarolando” e finalizando numa entoada pergunta de um «como vai este país!?».
Sendo de todo óbvio que nos é lícito perguntar “como vai este país”, a grande realidade é que os anos passaram, mas as políticas, com as suas “momices” e “cantarolices”, continuam ainda a vingar através das gerações dos que se vêm “governando” com a causa e dinheiros públicos, aliás numa sequência com insofismáveis contornos de uma clara genética de cariz epidémico e de uma hereditariedade assumida e radicalizada. Com personagens e figuras que continuam a “sufragar” e a fazer “rábulas” de todo em todo semelhantes, “cantarolando” e “parodiando” quando se ajustava e era mais adequado todo um “choramingar” de lamúria e de pesar. Aliás, se atentarmos no que se tem vindo a passar com a “governança” e o orçamento e se estivemos atentos ao que tem vindo a ser dito pelos Senhor Centeno e o Senhor Costa nas suas “conversetas” e “explicações” sobre um orçamento de mero disfarce, “carnavalesco” e de puro ilusionismo em matéria fiscal, forçosamente se tem de concluir que, perante os seus sorrisos, risinhos, ironias, piadas e boa disposição os dois não passam de fracos actores numa imitação grosseira da rábula “o Senhor Feliz e o Senhor Contente”, o que nada de bom augura, diga-se. Até porque, ainda que procurem e tentem “entoar” e “cantarolar” com harmonia e coerência o que dizem vir a acontecer no Amanhã, o certo é que de todo em todo “desafinam” e não conseguem de modo nenhum esclarecer e convencer quanto às realidade e verdade que nos esperam como “resposta” ao comum e muito “cantarolado” refrão «como vai este país?» que muitos portugueses já entoam.
Aliás o senhor Centeno, que cada vez mais mete os pés pelas mãos, afirma e desmente, promete no futuro se, embrulha-se em explicações que nada esclarecem, no entanto deixa perceber que quem se vai “lixar” com toda uma carga fiscal bem pesada vão ser os contribuintes, numa “gerigonça” em que os impostos indirectos e outras “ideias” vão acabar por afectar a vida de todos os portugueses, dados os seus nefastos e perversos reflexos no seu dia a dia como consequência natural e directa de um maior custo de vida e do agravamento, já esperado, de certos serviços. Quanto ao desgraçado do Zé, se fuma tem de deixar de fumar, tem de andar a pé e reduzir as voltas de carro, evitar a ida aos Bancos a pedir crédito e ter certa contenção no uso dos seus cartões de crédito e de débito, se é que ainda os conserva e usa, só se safando se se conseguir transformar num ET invisível. Bruxelas, dizem, lá deixou passar um orçamento “arregimentado”, “condimentado” e “condicionado” por entre as promessas do PS e os “contratos” dos apoiantes PCP e BE, mas a grande realidade e a triste verdade é que continuamos a ter muitas dúvidas e sérias reservas quanto ao futuro, próximo e menos próximo, que nos espera e aos nossos filhos, enquanto a governança continuar a ser “manipuladora” e “manuseada” por certos jovens turcos, muito convencidos, prepotentes e “raivosos”.


2. Não se conhecendo pessoalmente nenhum desses jovens turcos da política actual nem as “engraçadinhas” que vão debitando palpites e ideias, e muito menos os seus pais, sua real e profunda genética, graus de educação, de cultura e até qual seja o seu usual e normal comportamento social no dia a dia e em cidadania, como hoje é usual dizer-se, o certo é que se vêm perfilando como uns elementos “truculentos”, perturbadores, onde toda uma irresponsabilidade vem dando as mãos à demagogia, insensatez e pura utopia. Na verdade no parlamento e noutros púlpitos públicos há certas personagens e figuras que se entretên a destilar “ódio”, sendo que quando surgem a perorar apenas “se afirmam”pela raiva, rancor, animosidade e grande “peçonha” no que dizem, afirmam, negam ou insinuam, naturalmente excedendo todos os limites da urbanidade, do respeito e da convivência social e atropelando, no nosso entender, aqueles mínimos de comportamento, atitude e acção interventiva exigíveis numa cidadania normal e democrática. Aliás, teimam em afirmar “democracia” e “vivência democrática” mas na sua aparição e falação em público apenas “gritam” ódio, raiva, rancor e despeito e a um tal ponto que são os próprios rostos, tom de voz, esgares e olhares que de todo os denunciam. E mesmo quando pretendem usar a ironia ou a piada tudo lhes sai sibilinamente adulterado e mesclado de um incontrolável ódio e de ressabiamento.
Aliás estamos em crer que certos jovens turcos da política, actualmente em exposição e intervenção públicas, nunca tiveram a coragem e a ombridade de se olharem ao espelho e de analisar friamente os seus desempenhos, comportamentos, palavras e intervenções em público, reflectindo com seriedade quanto aos seus perversos reflexos e efeitos numa sociedade que cada vez mais descrê e “desconfia” dos seus políticos e se interroga quanto aos partidos políticos, suas valências e perversidade. Que de modo nenhum podem ou devem sustentar, justificar e avalizar os desvarios e os dislates de muitos dos seus “activos tóxicos”, chamem-se eles Almeidas, Mesquitas, Silvas, Belezas, Catarinas, Mortáguas, Marisas, Moreiras, Marques, Santos, Galambas, Rochas Andrades, etc., e outros “tóxicos” interventores cujos excessos e contraindi- cações são de evitar, porquanto, sendo em si mesmas nefastas e perigosas, só perturbam e assustam. Aliás, temos de o confessar, muitos desses comportamentos, atitudes e “gritadas” intervenções transportam-nos para um passado não muito remoto, fazendo-nos evocar e lembrar Hitler, com os seus discursos “gritados”, repletos de prepotência, animosidade, ódio, profundo rancor e loucura.
Que naturalmente assustavam e perturbavam, e não era só pela língua e sua áspera pronúncia, já que actualmente, ainda que num português mais doce e macio, muito ódio também se tem vindo a destilar e a radicalizar temendo-se naturalmente que o país, se alguma vez for “tomado” por alguns desses jovens turcos de esquerda (os de direita para já estão mudos e quedos), rapidamente passará da democracia para uma tirania. De esquerda, de direita ou de uma outra “assim assim”, que aqueloutra, a tirania fiscal ou dos impostos (do Costa, Meceno e Rocha Andrade), já está implantada para gáudio e gozo de uma única classe, a dos políticos, surgida em Abril e que em Abril vem “mamando”, formatada na “classe” dos que sempre se safam.
Nem é uma“classe média alta” nem “classe média baixa”, em que o Centeno, disse-o na TV, nem sequer sabe onde se encaixa, embrulhando-se e titubeando, mas uma classe, diga-se, onde sempre se “ganha” e nunca se perde. Naturalmente titubeante e sempre “embrulhando-se” nas palavras, no orçamento e em contradições com o “vaidoso” e “convencido” Costa, que, deslumbrado, vem vivendo em ânsias de poder, de imortalidade e de “passar à história” (ainda que pelos piores motivos), até porque já se vem dizendo que com este orçamento ( numa nova versão com uma errata de 46 páginas) se dá como uma mão e se tira com as duas, em mais uma rábula dialogada e “entoada” pelos dois de “o Senhor Contente e o Senhor Feliz”. Quanto às medidas adicionais, dadas como previstas, pelo que se adivinha e antevê serão tudo menos adicionais porque dolororosamente “subtractivas” para desgraça do Zé pagante.

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