Correio do Minho

Braga,

O retalho no presente e no futuro

Patologia respiratória no idoso

Escreve quem sabe

2018-05-28 às 06h00

Álvaro Moreira da Silva

A complexidade organizacional das culturas comerciais, em geral, e do retalho, em particular, sugere-nos uma rápida explanação da conjuntura atual, portuguesa e internacional, bem como uma projeção destas culturas no futuro. Num mundo que se transforma diariamente a uma velocidade vertiginosa, conceitos como inovação e mudança baseiam todas as estratégias comerciais, definitivamente dependentes da tecnologia e do marketing digital. A adaptação inequívoca à mudança, a recriação paulatina das táticas e das estratégias comerciais, são a chave para o êxito. Em Portugal, a década de 90 já vai longe, época de nascimento de centros comerciais, a maioria de marca internacional, rapidamente transformados em local de culto do consumo familiar. Visitar um centro comercial e comprar avulso fez parte, e ainda faz, de algumas rotinas familiares. A evolução do turismo e a consciência do valor do comércio de rua vem progressivamente alterando este estado de coisas, modificando, correlativamente, a própria ideia de retalho.

Na atualidade, a pujança do comércio em linha (online) vem transformando ainda mais o próprio conceito, obrigando as empresas a mudar o paradigma comunicacional. De acordo com informações recentes (Cushman & Wakefield), foram canalizados para o setor do retalho mais de 6,7 mil milhões de euros, o que corresponde a aproximadamente 50% do total investido no imobiliário comercial em Portugal. Parte substancial deste valor foi aplicada no comércio em linha. Admite-se que, durante o corrente ano, o consumo privado em Portugal iguale a média europeia e atinja máximos de sempre. Para se ter uma base comparativa, segundo o Portail de Statistiques, as vendas a retalho em 2017, em França, totalizaram 437.782,9 milhões de euros, parte das quais (5,8%) correspondem a vendas em linha. Para 2018, prevê-se um aumento para 6,2%. Em Espanha, as vendas a retalho têm crescido a uma média mensal de 1,9% (Expansión), com ligeiro decréscimo nos centros comerciais e progressão nas vendas em linha. Nos Estados Unidos, no que respeita aos centros comerciais, fala-se em apocalipse, prevendo-se o encerramento de milhares. Paralelamente a este facto, o comércio em linha assiste a um crescimento inequívoco, o que prova a importância progressiva do e-commerce no mundo atual.

Circunstâncias económicas e políticas específicas, entre as quais têm sobressaído a crise financeira e a dificuldade da ação governativa, têm posto Portugal sob alguns ciclos negativos de que tenta, corajosa e perseverantemente, sair. Os últimos resultados apontam para uma recuperação, com uma descida sustentada do défice e uma subida correlata do PIB. Fundos de investimento nacionais e estrangeiros (principalmente americanos, chineses, britânicos, alemães e holandeses) contribuem para esta recuperação. Empresas nacionais dinâmicas, como a Sonae Sierra, investem fortemente no retalho, apresentando-se como uma das maiores empregadoras portuguesas, criando e gerindo centros comerciais lucrativos.

O nosso país tem, aliás, neste momento, maior densidade de centros comerciais (281/m²) do que a Europa (24/m²). No que respeita à população em linha, e acompanhando tendências mundiais, a percentagem portuguesa (71%) aproxima-se da percentagem europeia (81%), relação que se mantém aproximadamente no que concerne à população em linha que faz compras em linha (Europa-58% vs. Portugal-43%). Apenas no peso das vendas em linha relativamente ao PIB a distância se acentua (Europa-4,9% vs. Portugal-2%), zona de necessária progressão para o nosso país. O futuro é já ali e conceitos como customização (personalização, adaptação), automatização, inovação tecnológica recorrente, grandes conjuntos de dados armazenados (big data), bases de dados distribuídas suscetíveis de gerir registos contínuos e acrescentes (blockchain), insígnias de conveniência, entre outros conceitos importantes, a par da valorização de competências digitais valorizadoras do indivíduo, relevam-se como fatores de progresso no futuro do retalho. Portugal não pode perder este comboio, e tudo aponta para que não esteja a perdê-lo.
Fonte de dados: E-commerce Report CTT , Relatório Cushman% Wakefield, Portail de Statistiques, Expansión.

* Com JMS

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