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O Planeta Greve

As Bibliotecas e o empréstimo de livros

Ensino

2014-10-22 às 06h00

Lia Oliveira Lia Oliveira

Como qualquer ser humano que se preze, existem assuntos com os quais tenho dificuldade de lidar ou mesmo compreender. Recuso-me a pensar sobre questões ligadas ao Universo e à origem do nosso Planeta, fazem-me sentir demasiado insignificante e impotente. Prefiro nem ponderar a existência de outros planetas povoados quando nem tenho perceção de metade da população do nosso planeta e das suas ideologias. Para mim o funcionamento do corpo humano já é tão magnífico que opto por não ir mais além.

No entanto, existem assuntos aos quais dedico mais do que apenas alguns segundos e um deles refere-se a um tema recorrente da atualidade portuguesa - as Greves. Quantas vezes me deparo com os noticiários a abrir com reportagens sobre uma nova greve?! Um dia são os enfermeiros, no outro os professores, nos intervalos são os funcionários públicos, aos feriados são os funcionários do metro, no dia anterior foram os maquinistas dos comboios, antes destes tinham sido os estivadores, mas no entretanto já os pilotos da TAP aproveitaram a onda, pelo meio aparecem os funcionários judiciais.

Eu não sou contra a Greve, muito pelo contrário, foi um direito que as gerações anteriores conquistaram e às quais muito agradeço a liberdade de opinião que tenho hoje. Mas o conceito de greve tornou-se banal de tal forma que já quase não produz qualquer impacto a médio-longo prazo. A curto prazo tem impacto e muito acentuado mas na vida quotidiana do cidadão comum. Penso que esse não seja o objetivo mas é na realidade a grande “conquista”.

Quantas reportagens vemos sobre o impacto das greves em que os entrevistados são o comum do cidadão?! Uns reclamam verem uma consulta marcada há 3 anos ser adiada para um qualquer outro ano longínquo. Outros chegarão atrasados ao trabalho e irão ver o impacto da greve no final do mês juntamente com todos os impostos que lhe diminuem o ordenado, já para não falar que pagaram um passe para usufruir dos transportes públicos diariamente e afinal terão de desembolsar mais uns preciosos tostões das já leves e vazias carteiras para poderem chegar ao seu prezado posto de trabalho.

Será que algum político (que são o público-alvo das greves) usa os transportes públicos? Algum frequentará o serviço nacional de saúde? Pois, não me parece que o propósito apregoado pela nova moda das greves seja realmente eficaz.

Nos últimos 3 anos, o nosso país já passou por 208 greves. Os enfermeiros que reclamam que o governo deveria contratar mais profissionais dado que fazem turnos seguidos de turnos de trabalhos por falta de profissionais. Entendo, compreendo e apoio pois todos nós com o cansaço ficamos psicologicamente afetados e o trabalho destes profissionais acarreta tal responsabilidade que não se podem dar ao luxo de não conseguir pensar de forma coerente.

Mas depois aparecem casos de enfermeiros que depois dos turnos nos hospitais públicos ainda trabalham no privado, ou situações em que solicitam mais carga horária para aumentar o seu vencimento mensal. Nesta situação, o cansaço fica atenuado?! E os utentes que descontam mensalmente para sustentar o Serviço Nacional de Saúde que lhes paga o ordenado, compreendem e ficam doentes no dia seguinte?!

Ou esperam mais uma série de meses para serem operados?! Os professores fazem-me ainda mais confusão… Há anos que vemos notícias sistemáticas do dilema que é conseguir uma colocação, que não existe emprego (com a taxa de natalidade a diminuir é normal que existam menos alunos e consequentemente sejam necessários menos professores) mas continuam anualmente a formar-se centenas de professores.

O sistema de educação muda? Nós também mudamos de dia para dia e temos de nos adaptar às novas realidades mas como em tudo são cometidos erros até se conseguir um avanço significativo. No entretanto, os alunos ficam mais uma vez prejudicados por não terem aulas, os pais têm de inventar um plano alternativo que assegure o bem-estar e segurança dos filhos no tempo em que deveriam estar na escola.

O impacto das greves é desastroso, afeta o comum do cidadão que paga imposto mensalmente para usufruir do estado social em que vivemos. O conceito está de tal forma banalizado que já nem é encarado pela maioria da sociedade com a seriedade que um ato destes deveria ter resumindo-se a apenas notícias e impactos no próprio dia porque no seguinte já poucos comentam.

Não estará na altura de repensar em utilizar os recursos que temos ao nosso dispor para nos fazermos ouvir mas de forma eficaz sem cair na banalização?!

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