Correio do Minho

Braga,

O lado lunar do governo

Amigos não são amiguinhos

Ideias Políticas

2018-01-09 às 06h00

Hugo Soares

Tal como nos verões é natural haver altas temperaturas e fortes riscos de incêndios, nos invernos é normal haver muito frio e surtos de gripe. Tudo isto é normal, esperado e até previsível. O que já não é normal é que o Governo do Dr. António Costa encare todos estes fenómenos e as consequências graves que deles decorrem com pseudo-ingenuidade e surpresa, que seja incapaz de reagir com eficácia e que não saiba ou não queira colocar os organismos competentes do Estado a dar as respostas urgentes e necessárias que as populações exigem nestas situações.

Não há praticamente um dia em que não venha a público mais um exemplo do caos a que estão votados os serviços públicos. Olhe-se para a saúde, para a educação, para os transportes, para a segurança, e veja-se como é cada vez mais impossível tentar esconder ou ignorar os sinais da degradação progressiva dos serviços que o Estado presta aos portugueses. Na saúde, o panorama é especialmente negro. Milhares de doentes deparam-se diariamente com dificuldades acrescidas no acesso a cuidados básicos de saúde com a prontidão, a qualidade e a dignidade que lhes são devidas. Os profissionais de saúde, por sua parte, desesperam com a crescente falta de recursos para poderem desempenhar as suas funções com o mínimo de condições exigível.

Os relatos de situações caóticas nas urgências por causa da gripe sucedem-se quando, segundo os especialistas, ainda nem sequer estamos no pico da doença e da afluência às urgências. As recentes denúncias dos enfermeiros do hospital de Faro, por exemplo, deixam à vista de todos a sistemática falta de resposta do Governo em situações mais complicadas. Não só os planos de contingência se revelam inadequados e insuficientes como as promessas de mais recursos e mais reforços não se concretizam ou só chegam tardiamente. Enquanto isso, milhares de utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) esperam horas para serem vistos e tratados, acumulam-se as macas nos corredores dos hospitais, atrasam-se intervenções e, assim, se coloca em causa a saúde e a segurança dos portugueses.

Na educação, os sintomas da incapacidade e insensibilidade do Governo em dar resposta aos problemas das pessoas são idênticos aos que se vivem na saúde. Na semana passada, foram os próprios diretores das escolas, pela voz do presidente da Associação Nacional de Diretores Escolares, que vieram denunciar as gravíssimas limitações financeiras por que as escolas estão a passar. Dificuldades tão grandes e tão reais que levam a que muitas escolas, sobretudo do interior do País, não tenham dinheiro para aquecer as salas de aula. Isto porque, queixam-se as escolas, o Governo ainda não transferiu verbas de 2017 e, por isso, não podem ligar o aquecimento sem que depois falte o dinheiro para outras despesas igualmente básicas.

Infelizmente estes são apenas alguns exemplos do que acontece um pouco por todo o País. Já aqui o dissemos que estes sinais crescentes de degradação dos serviços públicos não acontecem por acaso. Muito menos deviam acontecer numa altura em que o Governo não se cansa de propagandear os seus sucessos na frente económico-financeira. Simplesmente, este é o resultado do tal plano B que, de facto, o Governo socialista pôs em prática, por muito que o negasse. O plano das cativações em toda a linha, dos cortes cegos em serviços essenciais do Estado, do maior desinvestimento público de que há memória na nossa democracia. Esta receita não podia dar outro resultado senão este. Aos poucos, a estratégia de António Costa de encandear os portugueses com os seus aparentes sucessos governativos, ajudado pelo silêncio conivente e comprometido das esquerdas, vai sendo dominada pelo outro lado da realidade. O lado lunar de um governo que quer tapar o sol com a peneira.

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