Correio do Minho

Braga, segunda-feira

O Físico vs. Pensamento crítico

A pretexto de coisa alguma

Voz às Bibliotecas

2015-12-10 às 06h00

Aida Alves

Nos dias de hoje há uma saudável preocupação com o físico. Para trás estão os tempos em que a “gordura era formosura”. Agora há uma real preocupação com a estética (às vezes até excessiva), mas também uma preocupação com a saúde. O exercício físico, sendo uma das actividades que advém desta preocupação, também obriga, geralmente, a adoptar hábitos de alimentação saudáveis e a abandonar hábitos prejudiciais como o tabagismo, o álcool e outros. As palavras de ordem são, portanto, abaixo o sedentarismo, e vivam as actividades desportivas e de lazer que nos obrigam a mexer! No tempo de festas em curso, este assunto pode eventualmente passar para segundo plano, porque o mais importante é a socialização em torno da mesa. Mas coloque sempre um alerta no seu subconsciente!

Este culto do corpo e da saúde não é, muitas vezes, acompanhado por um “treino” direcionado para todo o corpo, mesmo que o conjunto de exercícios do nosso plano de treino o façam parecer. Já António Damásio lembrou que cérebro e corpo (soma) são um só. Assim, o cérebro não existe como uma entidade independente, apenas com uma função específica, mas prolonga-se em todo o soma. Cada ramificação nervosa existente no soma é, portanto, também, um prolongamento do cérebro. Assim sendo, o cérebro precisa igualmente do seu plano de treino específico. Este plano de treino, para este órgão particular, difere pouco, em alguns aspetos, de um treino desportivo.

Carece de tempo de dedicação, carece de um esquema de repetições e carece de uma periodicidade regular. Dedique tempo ao treino do seu cérebro. Ao contrário dos músculos, um treino de 10 min. poderá ser suficiente. Rodeie-se de um ritual semelhante ao que segue quando treina os músculos e soma: roupa confortável, tempo disponível e exercícios variados que tentem atingir o seu alvo de diversas formas. Por exemplo, ninguém em musculação faz só um tipo de exercícios para os músculos peitorais. É preciso diversificar para atingir o músculo de vários ângulos.

Diversifique. Leia um livro, jornal ou revista que lhe dê prazer. Insista as vezes que forem necessárias para concluir a leitura. “Roma e Pavia não se fizeram num dia”, e um livro também não se lê de uma assentada só. Reflita sobre o que leu e converse sobre o tema com amigos ou familiares. Leia e integre em si mesmo o que leu; faça palavras cruzadas, sudoku ou quaisquer jogos que estimulem o pensamento e a memória. Participe nos Desafios Radicais, passatempo promovido pela Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva (www.blcs.pt ) e o Departamento de Matemática e Aplicações da Universidade do Minho. Insista nos exercícios até concluir.

Verá que, à medida que o tempo passa, resolverá os problemas com mais facilidade; converse, dê a sua opinião não de forma imediata, mas fundamentando-a devidamente. Mais importante que a sua opinião é, às vezes, perceber os mecanismos que estão na sua génese; assista a eventos culturais (cinema, teatro, lançamentos de livros, tertúlias, mesas redondas, etc.) que o façam pensar, assimilar opiniões diferentes e discuti-las. Não consuma informação sem prestar atenção a todos os detalhes, coloque questões sobre o que lê ou ouve (pensar criticamente e fazer perguntas são duas coisas que caminham lado a lado), analise os “achismos” dos outros, conheça e confronte seus próprios preconceitos (não somos um templo de sabedoria e nós mesmos temos as nossas questões por resolver), pratique o pensamento crítico sempre que possível.

Em suma, neste inverno e em período de descanso natalício, treine também a sua mente, desenvolva o seu raciocínio e memória. Disponibilize tempo para fazê-lo. Não deixe que o frio e o tempo menos agradável o façam cair no sedentarismo cerebral. Faça de um livro o seu companheiro. Enfrente o frio, saia à rua e assista àquele filme de que tanto falam, assista àquela peça de teatro que lhe recomendaram, participe naquela tertúlia sobre aquele assunto que tanto lhe interessa.

Assista a encontros com autores e livros e fique a perceber o que está por detrás da génese de um livro contado na primeira pessoa. Aproveite e dedique uns minutos a escrever no papel ou no ecrã os seus pensamentos, um poema, um pensamento, um estado de alma. Escrever faz bem e é terapêutico.
Saia e viva! Leia e escreva! O seu cérebro agradece. E seja o seu agente pessoal para momentos de serendipidade! O conhecimento está em tudo o que existe à sua volta. Basta questioná-lo!

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