Correio do Minho

Braga, quinta-feira

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O Fernandinho, o avalista e a Rainha de Inglaterra

A sociedade e os comportamentos

Ideias

2010-09-17 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

Qualquer ilação que se intente tirar ou qualquer referência menos digna que se pretenda inferir do título e seu desenvolvimento são da inteira responsabilidade do leitor, apenas se consignando que há realidades tão inverosímeis e fantasiosas que muitas vezes subsistem dúvidas entre o verdadeiramente real, a mera ficção e a ilusão duma fantasia. É que nem tudo é sempre simples coincidência!...

O Fernandinho, que é assim tão carinhosamente tratado pelas gentes da sua aldeia, foi crescendo, arrapazou-se, fez-se homem e até ocupa lugar de relevo no sistema e governança do país que o viu nascer, e que, aparvalhado, vem assistindo a uma das maiores demonstrações de inépcia, falta de tacto, insensatez e incompetência que alguma vez se julgou possível, com o gravoso de que o próprio, sem vergonha na cara, ainda não teve a coragem de se pôr a milhas e a caminho de outras paragens.

Eram de facto outros e mais altos os seus desígnios e aspirações, mas o resultado de certas eleições não lhe afagaram nem amansaram o ego, sendo certo que, pouco tempo passado, devido a certas artes, amizades e (ou) a esconsos desígnios, acabou por “abichar” um outro lugar de gabarito por proposta governamental e nomeação presidencial, tendo entrado no Palácio com toda a pompa e circunstância e de mãos dadas até com um ministro.

Aliás uma ascensão e uma entrada inédita, desde logo minadas e condicionadas, e com efeitos perversos como o futuro vem demonstrando. Impante, pavoneando ideias, bolçando intenções e adulado por certa imprensa, mormente pela desportiva (!?), deixou perceber logo não possuir estaleca para o cargo, embrenhando-se e embrulhando-se numa série de questões e de posições que de pronto o condicionaram e minorizaram.

Como a “ birra” e “braço de ferrro” na escolha do seu braço direito e a sua “ausência” na posse de quem o havia derrotado, situações por demais enfileiradas numa mais do que manifestas inépcia, inaptidão e falta de inteligência para o cargo, até porque era de todo alheio às problemática, vivência e sentir da própria instituição a dirigir, da qual, aliás, há muito se encontrava arredio.

Apostando sempre no cavalo errado, deixou-se conduzir e entregou-se ao “jogo” com um tabuleiro de damas de certo modo viciado e para o qual não estava preparado, minimizando as mais elementares jogadas e malabarismos de jogadores experientes, pisando competências, gerando atritos e bolçando decisões que tão só denotaram carências de isenção, de independência e de inteligência funcional, aliás de pronto afloradas num apito que se dizia dourado e de glória, mas que o deixou ficar em maus lençóis. Aliás os seus incompreensíveis empenho e teimosia quase geravam uma guerra norte - sul, tudo devido às “tropas” ou equipas especiais em que quis apostar.

Mas o Fernandinho, que aliás sempre deu mostras de estar de cócoras perante o sistema e de chapéu na mão ante o poder político, foi assim assistindo, impávido, sereno e comodamente instalado às mudanças que um bando de lunáticos ia introduzindo nas leis dum país, e nem sequer anteviu o que daí iria resultar em termos de segurança, confiança e tranquilidade de um povo, nem os efeitos perversos das alterações em matéria criminal quanto a investigação, prevenção, comportamento e eficácia da justiça.

Alinhado com os interesses do Bloco Central, aceitou uma surrealista defesa dos direitos dos arguidos e todo um elencar dos crimes a investigar ditado por uma política criminal concertada entre advogados, políticos interessados e outros néscios, cada vez mais se enredando numa problemática que não dominava e assim contribuindo para o descalabro da justiça e da sua instituição.

Ainda que apregoando raízes beirãs e uma honestidade e seriedade de contornos telúricos, quando confrontado com situações em que lhe era exigível mais inteligência funcional, isenção e menos subserviência e gratidão o Fernandinho foi mesmo um “fernandinho”, e duma “cândida inocência”, porque as raízes telúricas não bastam para formar personalidade, coragem, independência, isenção e capacidade de acção.

Aliás, perante os tristes casos em que o amigo e responsável pela sua nomeação era apontado como envolvido em “jogos esconsos”, o Fernandinho, como um homenzinho reconhecido, passou a assumir-se seu avalista profissional, descambando em comunicados, informações, posições e despachos medíocres num quadro de inteligência funcional, tresandando quanto a isenção e independência face ao poder político.

Mal aconselhado, mas sempre emproado, teimoso e com os olhos fixos apenas no seu tabuleiro do jogo de damas, cada vez mais o Fernandinho se deixou enredar nas teias da política, assistindo-se à derrocada e ao afundamento da instituição que dirige, e a um total descrédito da Justiça. Mas porque interessa que haja alguém que funcione como avalista das “virtudes e qualidades” de quem só sabe meter-se em sarilhos, o homem mantém-se em funções, e com toda a lata e circunstância até foi a Belém explicar por que se afirma uma mera Rainha da Inglaterra.

Uma afirmação de todo ridícula, a roçar a imbecilidade, e que de modo nenhum desculpabiliza o descalabro da instituição sob o seu consulado. Os conselheiros fazem-lhe frente e o Sindicato ataca-o, mas não são eles que lhe vêm minando a acção. Aliás a triste realidade é que tem sido a sua inépcia e a sua inacção perante o sistema, com quem vem compactuando, quem corroeu o trabalho e uma obra de anos, desprestigiando a instituição e seus membros e anulando a acção dos antecessores, que, com menos ou iguais poderes, souberam honrar o cargo e criar prestígio, pois possuíam qualidades e nunca se avezaram a posições de cócoras.

Quer mais poderes? Para se tornar num mais eficiente “fernandinho” de encomenda política para dar cobertura a actos duvidosos, no mínimo, dos “meninos” do seu clube republicano e maçónico?

A ficção muitas das vezes confunde-se com a realidade e nem tudo é mera coincidência, mas a verdade é que já não há pachorra para as queixinhas de quem compactuou com as alterações das leis penais, a fixação dos crimes a investigar, um regime de política criminal controverso e toda uma adulteração de princípios e de regras da vida de um povo com tradição, costumes e honra, e que se sente cada vez mais inseguro e sem confiança na justiça. E na instituição, diga-se também, que o Fernandinho acabou por minar intencionalmente ou por inépcia, destruindo o que outros, com mais inteligência funcional, saber e isenção, souberam engrandecer.

Aliás o Fernandinho, por respeito pelos beirões sérios e para com a própria instituição, devia demitir-se quanto antes. Claro que o Aníbal, como sempre e como algarvio, vem vivendo alapado e estendido ao sol das encolhas, indecisões e conveniências, e ao José de Vilar da Maçada não convém a sua saída, até porque há processos ainda não acabados e outros podem surgir.

Em Portugal, na verdade, já não há vergonha mas tão só défice e miséria de vida de um povo amarfanhado pela “inteligência”, “esperteza” e “habilidade”dos seus políticos.

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