Correio do Minho

Braga, sábado

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O Ensino (Profissional) em Portugal

Curiosidades sobre o Equinócio do Outono

Ensino

2015-06-03 às 06h00

Lia Oliveira Lia Oliveira

Estamos novamente no final de mais um ano escolar, os telejornais falam dos desfiles académicos, comentam-se os excessos e vêm-se as ruas inundadas com cartazes das festas académicas que de norte a sul de Portugal fazem as delícias de estudantes (e não só…) e movimentam o mundo boémio. É um momento importante para toda a comunidade académica e que nos leva a fazer o balanço do ano escolar agora a terminar e arregaçar as mangas para o que aí vem. Mas nem só de ensino superior (universitário ou politécnico) se faz o ensino em Portugal.

Espantem-se os mais alienados do ensino primário mas agora também os alunos do 4º ano recebem um diploma e uma cartola de finalistas com os papás e restantes familiares babados a assistir e aplaudir. Alguns estabelecimentos de ensino pré-escolar mais vanguardistas também organizam festas de finalistas, com estrega de diplomas, de fazer chorar as mamãs que na 1.ª fila assistem às coreografias exaustivamente treinadas para dizer olá a uma nova vida em que as letras e os números irão assumir significado.

O ensino secundário esse, continua com as mesmas festas e folias mas a sua estrutura curricular e funcionamento mudaram drasticamente na última década. E na minha opinião em alguns aspetos para pior e noutros até que foi um avanço muito positivo.

Nos últimos dias a agência LUSA publicou um artigo em que referia que “um inquérito realizado a 47 empresas em Portugal ( empregam 240 mil colaboradores e faturam cerca de 67 mil milhões de euros na sua atividade global) concluiu que os currículos dos alunos são desajustados e que os estudantes do 12.º ano estão pouco preparados para entrar no mercado de trabalho”. Pois ora bem, é mais uma das muitas conclusões que já se sabiam mas que precisam de um estudo para ter direito a “camarote” nas manchetes dos jornais.

Quando nos debruçamos sobre as taxas de desemprego que continuam a crescer desde há uma década nas mesmas áreas, só podemos concluir que os jovens que escolhem formar-se nessas áreas não têm noção de que vão investir anos da sua vida num curso que lhes conseguirá colocação certa no Centro de Emprego mais próximo. E depois acabam por fazer uma Pós-Graduação em Greves, Paralisações, Manifestações e mais uma série de coisas que o comum dos portugueses já não têm paciência para ouvir.

O mesmo artigo refere que as empresas identificam que as áreas de “Engenharia tecnológica, comercial, marketing e comunicação de informação, ciências económicas, operações e logística e automação são as cinco competências mais escassas em Portugal”, traduzindo, são áreas com emprego e futuro. Então parece lógico questionar porque ficam com poucos estudantes, ou mesmo nenhum.

A Escola Superior de Ciências Empresariais do Instituto Politécnico de Viana do Castelo tem há vários anos uma Licenciatura em Gestão da Distribuição e Logística que fica constantemente a ver navios no concurso nacional do ensino superior. Os Jovens que saem do 12º ano nem para ela olham, se por um lado não sabem o que é Logística por outro não acham “sexy”…. Sim não me enganei, as modas ditam o futuro dos nossos jovens e ao que parece mais vale no desemprego mas com um título sonante!

Mas nem tudo é mau, a vertente do ensino profissional tem assumido cada vez mais relevo para os nossos jovens, existem cada vez mais opções e muitos jovens optam por este tipo de ensino mais prático para concluir o 12º ano independentemente de querem ou não prosseguir os estudos a nível superior e concluem os estudos com competências para exercer uma profissão. Confesso, de certa forma envergonhada, que entendia estes cursos como um meio de ensino facilitador. Mas não podia estar mais enganada, estes “miúdos” trabalham 3 anos para aprender um profissão aumentando em paralelo os seus conhecimentos em áreas que lhes permitirão realizar os exames nacionais e concorrer ao ensino superior em pé de igualdade com os alunos do ensino regular.

Recentemente tive a oportunidade de assistir às PAPs (Provas de Aptidão Profissional) dos alunos finalistas do curso de Energias Renováveis/Sistemas Solares da EPRAMI (Escola PRofissinal do Alto Minho Interior) em Monção. Foi no mínimo surpreendente ver o empenho dos alunos, o nervosismo porque teriam de falar perante um auditório cheio, os familiares a assistir ao encerramento desta etapa, e os professores orgulhosos de verem os profissionais em que os seus alunos se tornaram.

E desenganem-se os que pensam que é fácil, porque não é. As apresentações estiveram ao nível das realizadas no ensino superior, os alunos portaram-se como verdadeiros profissionais e as apresentações foram construídas de forma cuidadosa e muito atrativa. Os projetos apresentados variaram desde o desenvolvimento e instalação de sistema de Aquecimento por Painel Solar Térmico com o apoio de uma caldeira a gás propano, passando pela conversão de um queimador a gás num queimador a pellets, até ao arrefecimento das oficinas de trabalho por meio de microaspersão. Saí de lá com o sentimento de que devia um pedido de desculpas por não ter dado valor a este ensino, mas foi por pura ignorância.

A todos os profissionais e alunos do ensino profissional os meus PARABÉNS vocês são audazes, lutadores e têm um empenho digno de se ver. E a todos os finalistas do pré-escolar ao ensino superior, acreditem que não é o fim mas o inicio de um longo caminho que vocês irão construir.

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