Correio do Minho

Braga, sábado

O Chefe Graciliano Marques

Noam Chomsky, um pensador crítico do mundo actual

Escreve quem sabe

2018-06-22 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

Lembrar, hoje, a memória do chefe Graciliano Marques, um militar de carreira, prende-se com a proximidade de duas datas que balizaram a sua vida, a primeira para recordar o 130.º aniversário sobre a data de nascimento, 12 de agosto de 1888, e a segunda marcando a passagem do 60.º aniversário do seu falecimento, madrugada do dia 30 de junho de 1958.
O Correio do Minho, na sua edição do dia 1 de julho de 1958, na primeira página, publica uma notícia a duas colunas e fotografia, sob o título «FALECEU ONTEM o sr. coronel Graciliano Marques, Director do “Correio do Minho”», onde se pode ler:
«Faleceu na madrugada de ontem o sr. Coronel Graciliano Reis da Silva Marques nosso querido director. Doente há já alguns meses, o saudoso extinto sofreu com a maior resignação os padecimentos da sua grave doença. (...) Depois de ter feito o curso liceal, ingressou nos Preparatórios Militares da Universidade de Coimbra e, depois, na Escola do Exército. Possuía os cursos de Bibliologia, de Biblioteconomia e de Paleografia Diplomática e Esfragística. (...) Foi promovido a alferes em 1912 e esteve em França, como Expedicionário Português de 1917 a 1919. (...) Em fins de 1950 [10 de novembro] o sr. coronel Graciliano Marques passou a ocupar as funções de director deste jornal que exerceu ininterruptamente até ao dia da sua morte. (...) O funeral do sr. coronel Graciliano Marques
Na edição do dia 2 de julho, este jornal publica novo texto, a primeira página, sob o título «O FUNERAL do sr. coronel Graciliano Marques, nosso querido director, constituiu uma grande manifestação de pesar», onde se procura descrever a cerimónia fúnebre:
«Constituiu uma impressionante manifestação de pesar e de homenagem póstuma, o funeral do nosso querido Director, sr. coronel Graciliano Marques, que ontem ficou sepultado no cemitério de Monte d’Arcos. Desde as pessoas mais simples até às de alta posição social, pode dizer-se que não só a cidade, mas todo o distrito, acorreram ao funeral em derradeira despedida ao saudoso finado.»
(...) «Na capela do Cemitério, foram rezados os responsos de sepultura, pelo Pároco de Ferreiros, acolitado por seis sacerdotes.»
«Finda esta cerimónia, os restos mortais do nosso sempre lembrado director, foram depois inumados em campa raza no talhão dos Combatentes da Grande Guerra, sendo a chave entregue ao Comandantes de Infantaria 8.»
«A Junta Central do Corpo Nacional de Escutas e o sr. António Palha (d)a Junta Regional do mesmo organismo,» marcaram presença no funeral deste homem que foi um dos fundadores do Escutismo Católico Português, criado em 27 de maio de 1923, embora sob a designação de CSCP – Corpo de Scouts Católicos Portugueses, hoje Corpo Nacional de Escutas.
João Vasco Reis escreve que: “Assim foi: a 24 de Maio de 1923, os principais colaboradores de D. Manuel Vieira de Matos reuniram-se em Braga, no n.º 20 da Praça Municipal (...). Estava dado o primeiro grande passo para a fundação do escutismo católico, sendo escolhido para primeiro Comissário Nacional o capitão Graciliano Marques.”1. Por sua vez, o Pe. Benjamim Salgado afirma: “Franclim António de Oliveira, 1.º Comissário Nacional e grande animador inicial do movimento”2. Parece haver aqui uma contradição, mas no “Diário do Minho”, de 29 de maio de 1923, é publicada uma notícia dom o seguinte teor: «Corpo de Scouts Católicos Portugueses – No passado domingo, 27 de maio, inaugurou a sua existência oficial na nossa cidade esta utilíssima associação juvenil.
(...) A Comissão fundadora do Corpo3 que tanto trabalhou para lhe dar vida já depôs o seu mandato, entregando a direção suprema da organização nas mãos de uma Junta Nacional que ficou assim constituída: Capelão-mór geral, o Sr. Arcebispo Primaz; Comissário Nacional, o Sr. Franklim António de Oliveira; Inspector-mór geral, o Sr. Dr. António Avelino Gonçalves; Secretário geral, o Sr. Manuel Soares da Silva; Tesoureiro geral, o Sr. Álvaro Benjamim Coutinho.
Ficou também constituída a Junta Arquidiocesana de Braga pela seguinte maneira: Capelão Diocesano – o Rev.º P.e Luís Maciel dos Santos Portela, digno abade de Maximinos, e Comissário Diocesano – o Sr. Capitão Graciliano Marques.»
Foi ainda o capitão Graciliano Marques que convocou a reunião para a eleição da Comissão Executiva da Junta Central, realizada em Braga nos dias 2, 3 e 4 de janeiro de 1925.
1Reis, João V., Corpo Nacional de Escutas - Uma História de Factos (subsídios), CNE, Lisboa, 2017 - p.82.
2Salgado, Pe. Benjamim, Radiosa Floração, CNE, Braga, 1948, p.9.
3Só esta informação jornalística pode esclarecer a aparente contradição nos autores João Vasco Reis (nota1) e P.e Benjamim Salgado (nota 2), pio o primeiro refere-se ao tempo antes da fundação oficial (antes de 27 de maio) e o segundo ao tempo da fundação oficial (depois de 27 de maio). Mas sobre este assunto ainda há alguns esclarecimentos a aprofundar em ocasião oportuna.

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