Correio do Minho

Braga, sábado

O Centenário do Caminheirismo (I)

Noam Chomsky, um pensador crítico do mundo actual

Escreve quem sabe

2018-09-07 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

Baden-Powell (B.-P.), fundou o escutismo em 1907, esta data remete-nos para o primeiro acampamento realizado de 1 a 8 de agosto, desse ano, na ilha de Brownsea, situada na baía de Poole, pequena cidade do sul de Inglaterra. Só no ano seguinte é que o fundador publicou o livro “Scouting for boys” (“Escutismo para Rapazes” na versão portuguesa do CNE), segundo os seus biógrafos, B.-P., no final deste acampamento, retirou-se para incorporar no seu livro as anotações que tirara durante o acampamento.
Foi também durante o mês de agosto, mas de 1918, que Baden-Powell se referiu pela primeira vez aos “senior scouts”, depois “rover scouts” ou simplesmente “rovers” que em Portugal, nos nossos dias, designamos de “caminheiros”. Mundialmente estamos, na comunidade escutista, a celebrar o centenário da fundação do Caminheirismo. Também aqui o fundador optou por lançar esta Secção e, só em 1922, publicar a versão final do livro habilitante “Rovering to Success” (“A Caminho do Triunfo”1, na tradução portuguesa) .
O Corpo Nacional de Escuta, desde a sua fundação, em 27 de maio de 1923, sempre incorporou na sua última Secção, inicialmente a terceira e depois a quarta, os jovens adultos que hoje conhecemos como “caminheiros”. Desta forma, este ano o CNE também comemora o 95º aniversário do caminheirismo.
Também entre nós, a designação de “caminheiros” passou por uma evolução, aquando da fundação do escutismo católico português, sob o nome de Corpo de Scouts Católicos Portugueses, os jovens dos dezasseis aos vinte e um anos designavam-se “velhos lobos” (artº 9º dos estatutos). Por sua vez, o regulamento geral do CNE de 1934, designa os elementos da última Secção como “seniores”. Só com o regulamento geral de 1948 é que se adota a designação de “caminheiros” para a última Secção do CNE.
Naturalmente que o caminheirismo ao comemorar um século de presença no seio do movimento escutista, não pode deixar de ter tido uma presença importante de tantos jovens que viveram esta experiência centrada no “serviço”, basta ter presente que a maioria dos dirigentes escutistas, nestes últimos cem anos, passaram pela Secção dos caminheiros, para podermos verificar a sua importância no plano interno, já no plano externo, embora não havendo um estudo de suporte para a nossa convicção, a ação dos antigos caminheiros faz-se sentir noutros movimentos marcados pelo espírito do serviço.
A questão essencial que, no aniversário do centenário, isto é, hoje se tem que colocar não deve ser virada para o passado, pois bem ou mal, ele passou, a questão pertinente que tem de ser colocada tem de ser direcionada para o futuro, não com o utopismo sonhador do construtor de castelos de areia, mas buscando o ideal da perfeição baseada no esfoço de um “eu”, em conjunto com os outros “eu”, colocado ao serviço de um “nós”, no qual todos os “eu” se integram, sabemos que em si mesma, esta também é uma utopia. Mas, sem a perfeição praticamente inalcançável, com o contributo, de todos e de cada um de nós, exercido no presente, incorporando o conhecimento do passado, passo a passo, quotidianamente nos aproximamos, mesmo sem dar por ela, um pouco mais da perfeição desejada, qual metáfora dos sete castelos apresentada por Santa Teresa no seu livro “Caminhos de Perfeição”.
Quando olhamos para o passado onde “a Távola Redonda” do rei Artur e as virtudes escritas dos cavaleiros, que foram dando corpo ao imaginário dos Clãs (unidades compostas por caminheiros) e cruzamos este nossos olhares com as “lentes” da história, da evolução social, tecnológica e ambiental, da ciência e do conhecimento, sentimos, recorrendo a um imaginário poético de Antero de Quental, que cada vez mais temos de ser «menos cavaleiros» e «mais andantes.»

1Sobre a importância deste livro já foram publicadas duas crónicas publicadas neste espaço nos dias 17 e 31 de março de 2017, sob o título O Caminheirismo (I) e (II).

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