Correio do Minho

Braga, sábado

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Notas soltas

Datas que não podem ser esquecidas durante todo o ano

Ideias

2014-10-24 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

1. Segundo titula o “Correio do Minho” de 12.9.14 a «Ordem dos Engenheiros homanegeia Mesquita», informando-se que a ordem dos Engenheiros da Região Norte o irá fazer proximamente no Vidago Palace Hotel juntamente com alguns outros engenheiros “«que mais se têm destacado no âmbito da sua actividade profissional, a nível nacional e internacional»”.
Segundo se noticia, tal evento “visa, por um lado, evidenciar figuras de relevo da engenharia em Portugal e, por outro, reunir toda a classe e trazer a debate algumas das questões que mais têm vindo a afectar os engenheiros portugueses, nomeadamente no que diz respeito à empregabilidade e oportunidades de internacionalização”.
Nada se sabendo sobre a natureza e qualidade dos “trabalhos” de engenharia que foi evidenciando ao longo da sua vida a justificar tal homenagem, apenas se anota a sua actuação como “profissional da política” e na gestão da Câmara ao longo de dezenas de anos, com muitas críticas, alguns elogios e inultrapassáveis reparos nos “projectos” da sua actividade e qualificação como “engenheiro político” em múltiplas áreas que certamente nada tiveram que ver com a sua “viagem” pela universidade e vivências que se lhe seguiram.
Mas comprendemos que se discuta o problema da empregabilidade já que, tanto quanto sabemos, após a sua devoção e dedicação à política não lhe proporcionaram uma ida até Bruxelas, um cargo de administrador na banca ou um arregimentamento para gestor numa das muitas ainda boas empresas existentes cá ou lá fora. Aliás como os seus confrades e outros já nos habituaram em relação a quem serviu o partido e “sacrificou” a vida pelo país.

2. Marinho e Pinto, o palavroso e inefável ex-bastonário da OA e novel deputado europeu, que até não exclui a intenção de concorrer às eleições presidenciais, está agora a preparar a criação de um novo partido (JN, 12.9.14), mas que “terá como principal objectivo «contribuir para a resolução dos graves problemas» do país, “«um partido que irá pôr os interesses dos cidadãos acima dos interesses dos agentes políticos»”, e tudo isto devido à insatisfação gerada “«com a situação que o país atingiu» e com o que classificou de «degenerescência das instituições democráticas e o apodrecimento que se verifica em muitas instituições da República», fazendo referência e falando em “pessoas «inconformadas» que querem «contribuir para uma nova forma de fazer política, com mais honestidade»”.
Conhecendo-o, ouvindo-o e seguindo os seus prosélitos seguidores e quejandos, temos de concluir que afinal já se “apaixonou” pela política e pretende ser um “profissional”, sendo igual aos outros. Até fala, imagine-se, em “instituições democráticas” e em pôr os interesses dos cidadãos acima dos interesses dos agentes políticos, como se isso alguma vez fosse possível como a história o comprova e evidencia, já que não passaria de uma “contradictio in natura”. Mas esta faceta do Marinho e Pinto, que de todo desconhecíamos, tão só nos suscita mais uma gargalhada e ... todo um desprezo por quem quer continuar a viver á custa dos dinheiros públicos julgando que o povo é estúpido. Depois de ter usado o MPT como “barriga de aluguer” para a sua gestação como deputado europeu, surge-nos então com um ar de moralista e de preocupado “pensador” que, como escreve Jorge Cruz (C.Minho, 16.9.14),” agora diz acreditar «que os problemas nacionais são mais graves do que os europeus» e até descobriu que «o elemento agregador da Europa não está nos ideais nem nas políticas, mas no dinheiro»”, referindo ainda “que o antigo bastonário considera «ignóbil» que um eurodeputado aufira 18 mil euros mensais mas, curiosamente, está disposto a embolsar essa escandalosa verba durante um ano,até à anunciada saída de Estrasburgo”.
Ignóbil, chocante e escandaloso é que se continue a dar tempo de antena a um indivíduo que apenas merecia que fizessem a ele o que aconteceu há dias a um deputado do parlamento ucraniano que foi pelo povo atirado para dentro de um contentor de lixo, como as imagens da TV mostraram, aliás um cenário e gestos que bem poderiam ser por cá adoptados em relação a muitos outros profissionais da política, e não apenas a deputados, pese embora o acréscimo de trabalho que tal acarretaria para os serviços urbanos de remoção do lixo.

3. A leitora Sandra Caldeira (JN, 12.9.14), aliás num grito de revolta que muitos portugueses não deixam de soltar neste momento de crise e de aperto, escreve que ”o país tem uma máquina avariada (...) que custa milhares de milhões de euros por dia”, referenciando e falando nos ministros, subministros, assistentes, secretários, assistentes dos assistentes, secretários de secretários, relações públicas, assessores, os tais da imagem e discursos e seus secretários, advogados, coadjuvantes, autarcas, subautarcas e outros elementos da governação e do poder, dizendo expressamente que “é a esta tal de «máquina» que peço sacrifícos”, e sugerindo até uma lista em que se inclua “uso de carro próprio, fim de motoristas, pagamento de combustível/seguro/selo/portagens com o dinheiro do (...) salário, pagamentos de viagens, casa, férias, roupa, almoços/jantares”, tal como o fazem os demais portugueses, acabando por defender uma “Redução de salários.(o) Fim da imunidade. E, em caso de corrupção provada, restituição total do dinheiro desviado ao país”.

Acompanhando-se a sugestão e o seu “grito” de revolta contra os gastos da máquina do Estado, aliás muito “avariada” e onerosa para o país, registamos ainda a sua confissão de que “ia esquecendo-telemóveis, ipads, Internet” e que “a lista tem fundo que nem é visível, e tudo é pago pelos que nada têm - os portugueses a quem a máquina exige sacrifícios”(id).
No actual momento é ignóbil, imoral e até repugnante, porque escabroso e injusto, que se continue a defender e a “alimentar” uma “máquina”, aliás dita democrática, sugando-se o sangue do povo, cultivando-se e praticando-se despesas inúteis e incompreensíveis e mantendo-se cargos e órgãos dispensáveis e não prioritários. Aliás é imperioso e da maior justiça que se ponha termo ao descalabro a que se chegou com toda esta partidocracia de “encomenda”, de penacho, de favoristismo, de amiguismos, de pagamentos e de troca de favores que nos vem perseguindo e se regresse às realidades e às limitações do país e do povo que somos, reconhecendo-se e assumindo-se a nossa própria pequenez que não só dispensa como até repudia loucuras.

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