Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Mudem-se, também, as mentalidades

O Concurso Nacional de Leitura em Famalicão

Voz às Escolas

2018-01-18 às 06h00

Luisa Rodrigues

A Comunidade Escolar do Agrupamento de Escolas Gonçalo Sampaio tem implementado um leque diversificado de Medidas de Promoção do Sucesso Escolar, com o objetivo de potenciar melhores aprendizagens e, consequentemente, melhores resultados, sendo de enfatizar as medidas implementadas para prevenir e diminuir a indisciplina e o absentismo/abandono es- colar precoce que acabam por lhe estar associados, tendo presente o forte impacto dos comportamentos no percurso escolar dos alunos.
Se recuarmos no tempo, facilmente depreenderemos, pela análise dos documentos estruturantes do Agrupamento, que a educação para os valores surge, inequivocamente, como uma das grandes apostas desta organização escolar, numa visão estratégica que antecipa aqueles que viriam a ser os princípios orientadores das políticas educativas da atual equipa ministerial.

Efetivamente, o desenvolvimento pessoal e cívico dos alunos tem um forte impacto nas aprendizagens e na qualidade das aprendizagens que perseguimos, constituindo um dos principais constrangimentos que a Escola, de um modo geral, enfrenta, decorrente não só da inexistência de regulamentação que devolva aos professores e à Escola o estatuto que lhes permita cumprir, com dignidade, a sua Missão, mas também da falta de autoridade e da consequente desresponsabilização das famílias.
E assim, consciente de que há muito que a solução para os problemas que enfrenta tem que ser encontrada internamente, a Comunidade Escolar do AEGS priorizou a intervenção ao nível das atitudes, assumindo como missão assegurar a formação integral dos jovens que o frequentam, preparando-os para intervir, assertivamente, na sociedade, para o que, em sede do seu Projeto Educativo, afirma o compromisso com um conjunto de princípios, valores e políticas educativas.

Simultaneamente, e no âmbito do seu Plano de Ação Estratégica, ao elencar as suas principais fragilidades, o AEGS define, como medida de superação, a necessidade de implementação de mecanismos de regulação de regras.
Ou seja, não obstante as melhorias decorrentes dos projetos implementados, ao longo dos últimos anos, está bem patente, nos referidos documentos, a preocupação do AEGS em reforçar o investimento numa área considerada prioritária, intervindo ao nível da sensibilização e da capacitação dos diversos atores educativos, para que o esforço colocado na superação do problema surta o efeito desejado a melhoria da qualidade do clima para a melhoria da qualidade do sucesso.

Desiderato esse reforçado com a adesão, em finais do ano letivo transato, à experiência piloto Projeto de Autonomia e Flexibilidade Curricular, um projeto em que As Aprendizagens Essenciais, documentos de orientação curricular base na planificação, realização e avaliação do ensino e da aprendizagem, devem conduzir ao desenvolvimento das competências inscritas no Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória.
Com uma forte base humanista, A escola habilita os jovens com saberes e valores para a construção de uma sociedade mais justa, centrada na pessoa, na dignidade humana e na ação sobre o mundo enquanto bem comum a preservar., o Perfil do Aluno estabelece a complementaridade, ao nível das competências, Conhecimentos, Capacidades e Atitudes, consubstanciando os princípios, há muito, priorizados pelo AEGS.
Mas não basta a uma Comunidade Escolar rever-se nos princípios orientadores do novo rumo para a Educação.

A Escola precisa, urgentemente, de ser dotada de recursos para a prossecução da sua Missão, recursos esses que passam, desde logo, pela priorização do investimento em instalações e equipamentos condignos, potenciadores das mudanças que, não obstante serem reconhecidas pela sua pertinência, não podem estar confinadas apenas a intenções.
A Escola precisa de ser reconhecida, pelo poder político, como área a priorizar na definição do seu plano de ação, não podendo continuar a sobreviver à custa do subsidiarismo a que se vê forçada a recorrer, sob pena da mudança morrer na praia, pelo desgaste inglório dos profissionais de educação.

A Escola precisa que, paralelamente às ações de monitorização e acompanhamento a que, corretamente, está sujeita, seja feita a monitorização e acompanhamento das entidades em quem a Tutela delegou competências, ao nível da dotação dos recursos.
Mudanças, aplaudem-se, mas mudem-se, também, as mentalidades.
Porque, sem Escola não há Futuro.

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