Correio do Minho

Braga, sábado

Mudança a custo zero

Inovação e Empreendedorismo

Voz às Escolas

2018-04-12 às 06h00

Luisa Rodrigues

Integrada no programa comemorativo do seu 20.º aniversário, o Agrupamento de Escolas Gonçalo Sampaio levou a efeito, no final do segundo período, do corrente ano letivo, uma Mostra Educativa, que designou AEGS, 20 anos a Promover o Saber Ser, tendo como objetivos divulgar muito do trabalho desenvolvido nas diferentes disciplinas dos diferentes níveis de ensino, potenciar melhores aprendizagens, melhorar a qualidade do sucesso e promover o desenvolvimento de competências pessoais e cívicas, através da dinamização de atividades diversificadas, com o envolvimento direto de alunos e professores.
Tendo aderido à experiência piloto Autonomia e Flexibilidade Curricular, durante a Mostra Educativa os alunos das turmas envolvidas no projeto partilharam o trabalho que têm vindo a desenvolver, sendo de enfatizar a apresentação, aos respetivos encarregados de educação, num espaço aberto ao diálogo, em que os alunos falaram sobre as mais valias de uma metodologia de trabalho que potencia o seu envolvimento direto no desenvolvimento de competências, ao nível científico e de educação para a cidadania.

Ao longo da referida semana, foi notório o envolvimento de toda a Comunidade, desde as crianças da educação pré-escolar aos alunos do 9ºano de escolaridade, dos respetivos professores, do pessoal não docente e dos encarregados de educação, numa demonstração clara da vontade de divulgar os resultados das mudanças que iniciámos, respondendo aos desafios lançados pela tutela, desafios esses que assentam em práticas inovadoras, que potenciem a mudança de paradigma de uma Escola em que os alunos do século XXI não se reveem.
A implementação de práticas pedagógicas inovadoras implica, obrigatoriamente, um investimento acrescido ao nível da oferta de recursos que, pela sua diversidade, potenciem as mudanças preconizadas, sendo indispensáveis ao sucesso de qualquer experimentação, sobretudo tratando-se de mudanças que objetivem alterar práticas há muito instituídas e responder, efetivamente, ao grande desafio que se coloca, hoje, à escola.
Acontece que a Escola se debate com questões que, não obstante poderem ser consideradas, pelo público, em geral, de somenos importância, constituem uma dificuldade acrescida para a concretização da revolução que se pretende promover na Educação, com forte impacto no sucesso de qualquer experiência que perspetive a melhoria dos resultados a não correspondência entre a operacionalização das alterações preconizadas e a dotação de recursos que permitam, às escolas, diversificar metodologias, recorrendo a práticas diversificadas e inovadoras.

Não me parece razoável que se desafiem as escolas a introduzir qualquer tipo de mudança sem, antecipadamente, se terem equacionado os custos que lhe estariam inerentes, conscientes de que qualquer mudança tem, forçosamente, reflexos financeiros, mas, provavelmente, estarei errada, tendo em conta os cortes a que foram sujeitos os montantes atribuídos ao agrupamento que lidero, pelas entidades que o tutelam.
No entanto, estranhamente, e apesar da escolaridade ser obrigatória, não me tenho apercebido de qualquer tomada de posição, por parte dos pais, a quem a escola se vê forçada a recorrer, financeiramente, para poder concretizar um número significativo das atividades que promove, com vista à melhoria do sucesso dos alunos, numa atitude de resignação que chega a revoltar, se olharmos à nossa volta e nos questionarmos sobre as verbas avultadas que são gastas, por exemplo, em fogo de artifício.

Mas dá-se ao povo o que agrada ao povo e, em dias de festa, ninguém se lembra das verbas que tem que desembolsar para que o filho possa ter acesso a melhores condições de ensino, porque, no final de contas, o problema é dos professores.
E não deixam de ter razão, porque somos, realmente, diferentes da esmagadora maioria dos profissionais, embora sem o devido reconhecimento, e a prová-lo está a certeza dos órgãos do poder de que, com ou sem recursos, nunca hipotecaríamos o futuro dos alunos.
E se a preconizada mudança puder ser a custo zerotanto melhor, venham mais festas.

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