Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Mobilidade ao serviço dos cidadãos

Zorro

Ideias Políticas

2018-05-08 às 06h00

Carlos Almeida

Em termos de mobilidade, importa que a abordagem seja feita em duas perspectivas. Por um lado, tentando perceber como são feitos os movimentos pendulares dentro da área do município e quais são as condições oferecidas. Por outro, de acordo com o posicionamento de Braga no Quadrilátero Urbano, mas também a sua proximidade com a área metropolitana do Porto, analisando como são feitas as deslocações dentro deste perímetro regional.
Começando pela mobilidade na área do município, destaca-se como elemento de extrema importância a manutenção ainda hoje, apesar de algumas tentações esporádicas de enveredar por outros caminhos, de um serviço público de transportes colectivos. A TUB Empresa Municipal, de capitais exclusivamente públicos e municipais continua a assumir-se como a garantia de prestação de um serviço de transporte abrangente, com ligação a todas as freguesias do concelho. Essa é, sem margem para dúvidas, uma condição essencial para melhorar a qualidade de vida das populações.

Obviamente, há aspectos que carecem de maior atenção, nomeadamente o reforço da oferta de linhas e horários, ou a necessidade premente de renovação de frota, cuja idade média é superior a 17 anos, sendo, portanto, muito envelhecida. A este propósito, não podemos deixar de assinalar a desresponsabilização do poder central, que por decisão dos sucessivos governos eliminou o subsídio anual para renovação de frota dos Transportes Urbanos de Braga, bem como se recusa desde sempre a atribuir a legítima indemnização compensatória pelo serviço público prestado, tal como acontece em Lisboa e no Porto.
E, sendo verdade que apesar dos constrangimentos do serviço, temos assistido a um crescimento interessante do número de utilizadores dos transportes colectivos consequência indissociável da importância de três instituições no concelho: o hospital, a universidade e o INL -, não é menos verdade que o meio de transporte preferencial dos cidadãos continua a ser a viatura particular. Tal facto exige do poder político respostas e soluções alternativas, como um maior investimento na rede e no serviço prestado pelos transportes colectivos ou uma aposta mais séria e consistente nos modos suaves, mas também obriga a que sejam tomadas medidas dissuasoras do uso excessivo dos transportes individuais. E isso não tem sido feito.

Braga precisa de desviar o tráfego de atravessamento do centro da cidade. Não fazê-lo conduz à permanência de variantes e autênticas vias rápidas dentro do tecido urbano, o que aumenta consideravelmente os riscos, diminuindo substancialmente as condições de segurança das deslocações pedonais e criando mais constrangimentos à circulação dos transportes públicos. Essas vias devem, com brevidade, ser transformadas em avenidas e praças, conduzindo ao seu reperfilamento para um carácter mais urbano, garantindo a coexistência de meios de transporte, reduzindo a pressão do automóvel, promovendo a instala- ção de vias cicláveis com separação física, a criação de canais dedicados ao transporte público, o alargamento de passeios e a instalação de passadeiras.

Importa ainda abordar as possibilidades e necessidades de mobilidade entre Braga e os concelhos vizinhos. A esse nível, a cidade é servida por várias infraestruturas de elevada importância. Tal como nos movimentos pendulares internos, também na circulação entre os concelhos de Braga, Guimarães, Barcelos e Vila Nova de Famalicão é notória a primazia dada às viaturas particulares, desde logo pela existência de autoestradas entre todos os concelhos. O mesmo não se pode dizer, por exemplo, quanto às ligações ferroviárias, uma vez que, de forma absolutamente incompreensível, nunca foi concretizado o investimento há muito exigido pelas populações de fecho da malha da ferrovia. Não é aceitável a inexistência de uma linha ferroviária directa entre Braga e Guimarães, como também não se percebe a falta de investimento na ligação entre Braga e o Porto, cujas viagens de comboio têm um tempo de duração superior a 70 minutos. Nesta reflexão, não deve ser desconsiderado o facto de que toda a população da área do Quadrilátero Urbano, mais de 600 mil pessoas, é servida pelo aeroporto do Porto, a sua principal porta de entrada e saída do país.

Desta forma, afigura-se prioritário um investimento público forte do poder central na região, melhorando as acessibilidades, incentivando o uso de transportes colectivos, o aumento da oferta e reduzindo distâncias e tempos de viagem entre os municípios do Quadrilátero e entre estes e o Porto. Investimento que deve ser reclamado pelos representantes do poder local, cuja indiferença à alternância de governos deve prevalecer perante os interesses político-partidários.

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